Paladas de Alexandria

Gostaria apresentar aqui três epigramas de Paladas de Alexandria, na tradução de José Paulo Paes. Paladas foi um epigramista do século IV d.C., um escritor de Alexandria que, em seus poemas, nas palavras de Willis Barnstone (citadas por Paes) “reflete sobre a vida no tempo em que as turbas cristãs estavam destruindo a Antiguidade”. Ainda que não compartilhe da visão daqueles que, de Gibbons a Barnstone, encaram negativamente o avanço do cristianismo na Antiguidade tardia (nem daqueles que, como Dodds, encaram negativamente toda a Antigudiade tardia como uma “idade da ansiedade” e da superstição), não deixam de me encantar esses poemas, “inocentes pagãos da decadência” e o olhar grego que lançam sobre a existência humana.

 

1.

Acaso estamos mortos e só aparentamos

Estar vivos, nós gregos caídos em desgraça,

Que imaginamos a vida semelhante a um sonho,

Ou estamos vivos e foi a vida que morreu?

 

2.

Um palco, a vida, e uma comédia; ou aprendes a dançar, deixando

A sisudez de lado, ou lhe aguentarás as dores.

 

3.

Só isso, a vida: um instante de prazer. Para longe, mágoas.

Se é tão breve a existência dos homens, que venha Baco

Com suas danças, coroas de flores, mulheres.

Hoje quero ser feliz – ninguém sabe nada do amanhã.

 

 

bernardo brandão