poesia, tradução

3 poemas de laura antillano

(prae-scriptum:  não estou com o tempo devido, nem as condições mentais para o post digno que a poeta merecia, mas o desejo de divulgar sua obra foi de uma urgência maior)

 

laura antillano (caracas, 1950) é uma escritora das mais produtivas e variadas da venezuela; sua obra passa por contos, romances, estudos e ensaios (na maioria ligados a temas infanto-juvenis) e, finalmente, poesia (que tive a felicidade de também conhecer por meio da minha cunhada, rúbia). deixo em primeiro lugar sua bibliografia.

La bella época (contos, 1969).
La muerte del monstruo come-piedra (romance, 1971).
Un carro largo se llama tren (contos, 1975).
Haticos Casa No. 20 (contos, 1975).
Los niños y la literatura (estudo, 1978).
Maracaibo: Las paredes del sueño (textos com fotos de Julio Vengoechea, 1981).
Perfume de gardenia (romance, 1982).
Dime si adentro de ti, no oyes tu corazón partir (contos, 1983 y 1992).
Contos de películas (contos, 1985).
Literatura infantil e ideología (estudo, 1987).
La luna no es pan de horno (contos, 1988).
Solitaria Solidaria (romance, 1990 y 2001).
¿Cenan los tigres la noche de Navidad? (conto infantil, 1990).
¡Ay! Que aburrido es leer: El hábito lector y el cuento de la infancia (estudo, 1991)
Jacobo ahora no se aburre (conto infantil ilustrado por Tony Boza, 1991).
Tuna de mar (contos, 1991).
Diana en la tierra wayúu (romance infantil, 1992).
Una vaca querida (literatura infantil, 1996).
Apuntes sobre literatura para niños y jóvenes (estudo, 1997).
Las aguas tenían reflejos de plata (romance, 2002).
Elogio a la comunidad (texto de divulgação, 2004).
Poesía completa 1968-2005 (poesia, 2005).
Emilio en busca del enmascarado de plata (romance infantil, 2005).
La luna no es pan de horno y otros contos (antologia de contos, 2005).
La aventura de leer (estratégias de leitura, 2005).
Libro de amigo (poesias, 2007).

o que me chamou mais atenção na sua poesia (e, portanto, o que me levou a experiência incontornável, compulsiva, amorosa de traduzi-la) foi a reescritura sentimental do passado e do presente; mas exatamente por não se tratar de uma escritura sentimental piegas. nada disso. ao contrário, o que vemos é uma subjetividade cruzada pelo espaço, pelas linhas históricas pessoais, familiares e sociais, que para pensar o outro e a si mesma precisa criar esse passado ou esse presente. também a ausência de pieguice, para continuarmos no termo, não se furta a “garantir/ a alegria/ do desejo, /como uma natureza /infinita” (“colibri”); nem se esquiva do amor em sua consagração de vida e morte.

os três poemas abaixo foram tirados de Libro de amigo (2007), todos com minha tradução.

Álbum de fotos

Saca tu corazón igual que rio,
tu frente limpia em que aprendi a quererte,
tu brazo como um árbol em el frio
saca todo tu cuerpo de la muerte.
Jaime Sabines

Esta foto do meu pai,
quando não era meu pai
nem de ninguém,
é a imagem de um garoto
sentado numa pedra
ao entardecer,
o torso nu
céu escuro e sossegado
ao fundo.

Este garoto
de braços fortes
não suspeita
os amores
por vir,
–os sete filhos
(além dos não-nascidos, apesar
da sua batalha),
as mortes súbitas,
a viuvez
por dúplice partida.

Este garoto
de pose
sonhadora
não imagina o cárcere
por censura à sua palavra,
nem a escassez ou a
plenitude,
não supõe a fragilidade futura
das suas artérias
em senil hipertensão
nem certas
ermas solidões.

A sombra das árvores desenha
linhas lúdicas
sobre a pedra
que serve
de assento a
este garoto.
Sua perna descoberta sustenta
dobrada a calça,
na iminência do ato de
vestir-se,
os braços fazem arco displicente
e a cabeça se inclina pra direita,

tudo revela
a alegria
despreocupada,

a paixão
perplexa
de um garoto
qualquer
sonhando
na ignorância
com a proximidade
desssa porta

aberta,
imprevisível,

da vida.

Álbum de fotos

Esta foto de mi padre
cuando no era mi padre
ni el de nadie,
es la imagen de un muchacho
sentado sobre una roca
en el atardecer,
el torso desnudo
cielo oscuro y sosegado
al fondo.

Este muchacho
de brazos fuertes
no sospecha
los amores
por venir,
–los siete hijos
(más los no nacidos, a pesar
de la batalla),
las muertes súbitas,
la viudez
por partida doble.

Este muchacho
de pose
soñadora
no imagina la cárcel
por censura a su palabra,
ni la escasez o la
plenitud,
no supone la fragilidad futura
de sus arterias
en senil hipertensión,
ni algunas
soledades íngrimas.

La sombra de los árboles dibuja
líneas lúdicas
sobre la roca
que sirve
de asiento a
este muchacho.
Su pierna descubierta sostiene
doblado el pantalón,
en la proximidad del acto de
vestirse,
los brazos hacen arco displiciente
y la cabeza se inclina a la derecha,

todo revela
la alegría
despreocupada,

 la pasión
perpleja
de un muchacho
cualquiera,
soñando
en ignorancia
con la cercanía
de esa puerta

abierta,
imprevisible,

de la vida.

  

Colibri

A agilidade
de um colibri
tem muito a ver
com a velocidade
das suas voltas,
o revoo permanente
do seu adejo.
Disso se trata,
sustentar o ritmo,
garantir
a alegria
do desejo,
como uma natureza
infinita.

Colibrí

La agilidad
de un colibri
tiene que ver
con la velocidad
de sus giros,
el revuelo permanente
de su aleteo.
De eso se trata,
mantener el ritmo,
asegurar
la alegría
del deseo
como naturaleza
infinita.

 

Palavras para Julia

A solenidade
nada vale
nesta hora,
melhor é
o silêncio
em sua plenitude
e devagar,
deixando-nos olhar
essa montanha
pela janela,
como dizer?
Há imponderáveis,
a montanha se eleva,
vê?
Está
por trás do edifício,
incomovível,
ali repousa.
Você insiste
na espera de uma resposta
que não posso
te dar,
há tanto
que não sabemos!
O acaso,
minha filha,
só o acaso,
e a esperança
como
um carvão aceso.
Sente-se aqui
comigo,
olhemos juntas
essa linha da montanha
ao fundo
e deixemos
passar
o tempo,
nós tentaremos
ir além
do seu sopé,
e então
eu darei graças.

 

Palabras para Julia

La solemnidad
nada vale a
esta hora,
mejor es
el silencio
en su plenitud
y despacio,
dejándonos mirar
esa montaña
desde la  ventana,
¿cómo decirte?
Hay imponderables,
la montaña se eleva
¿la vês?
Está
detrás del edificio,
inconmovible
allí se queda.
Tú sigues
esperando una respuesta
que no puedo
darte,
hay tanto
que no sabemos!
El azar
hija mía,
solo el azar,
y la esperanza
como
un carbón encendido.
Siéntate aquí
conmigo,
miremos juntas
esa línea de la montaña
al fondo
y dejemos
pasar al tiempo,
intentaremos llegar
más allá
del piedemonte,
y entonces
daré las gracias.

guilherme gontijo flores

 

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