poesia

gabriel resende santos

assim ele se descreve,

gabriel resende santos é um jovem poeta nascido e criado no rio de janeiro. atualmente dedica-se ao primeiro livro e a alguns trabalhos de revisão. acredita em arthur rimbaud e walt whitman, apesar de não ter religião.”

&, pelo que pude ver nas nossas conversas até o momento, também não tem religião na poesia, coisa rara e louvável neste mundo mequetrefe de grupinhos autófagos. bastar espiar os dois poemas abaixo, pra sacar que o tom, o modus & a voz poética estão em movimento – não desesperadamente perdidos, numa deriva acrítica, mas numa fluidez de registro que tende a aniquilar aquilo que desejamos como “estilo”. pode ser que isso se dê por ser um “jovem poeta”, mas prefiro ver em tal desconcerto uma poética &/ou uma política poética em construção.

& bem que já está no desconcerto entre rimbaud e whitman.

a propósito, eu também acredito neles.

ps: ele também participa de dois blogs: do coletivo os escritores invisiveis e do solitário occam, big bang & outras explosões.

ps2: vejam também alguns poemas na zunái.

guilherme gontijo flores

 * * *

da arte de versar cimento

 ao João

Hoje o dia de louvar o Mestre
que me confessou o criar
                                  a partir do partir do criar.

Hoje o dia de lembrar do Arquiteto
sua cal antiga sua pedra antirocha
o comprimido      e       o      comprimento
                      mili-métricos.

Hoje o hoje do Canônico
as rosas inomináveis
  a desrazão lógica
os retalhos sem berço

                                 Ontem Neto
                                 Hoje Primogênito
                                      do Poema.

Guia completo do homicídio prático

Não basta cuspir a navalha
Não basta mentir os canais vocais e auditivos
Nem pressionar o tórax do passado
Ressuscitando infames esculturas
De ainda mais infames autorias.
Não basta.

É preciso roubar-lhe a máquina
É preciso roubar-lhe os cadernos e guardanapos
É preciso roubar-lhe todas as cores
Certificar-se de todas as revistas
Certificar-se de todos os jornais
Certificar-se de todas as edições independentes
Dos blogs dos e-mails dos depoimentos afetivos.

É preciso matar a memória
Dos amigos mais queridos.
Matar as cartas e os segredos
Nas vistas sem luz.
As leituras gravadas no rádio
Ou apenas de ouvido.

É preciso queimar suas fotos
E deletar seus arquivos.
Usurpar os restos vivos
E lançar nos abismos.

É preciso que tudo volte a ser como era:
Uma folha em branco
E nela o Futuro se acomodando
Na sala de espera.

(gabriel resende santos)

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