poesia

egeu – vinicius ferreira barth

egeu

 

egeu

menino sentado na chuva
                                  no meio da rua
e dúzias de portos de págasas sonhando inalcançáveis velos
e dúzias de esquinas úmidas
como as que dobram a boca pôntea e ciâneas
                                                                 rochas
como incontáveis remos que rebatem gota a gota
a forma incerta de um oceano em despedaço
assoprado por um éolo entediado a chuva fora um
zeus
         sentado na chuva
                                sobre a chuva
                                no meio da rua
um zeus ansiando um velo qualquer velo
      um velo novo que lhe amasse
qualquer velo um velo novo a cólquida não é
mais logo ali
a boca ciâneas rochas entre carros
mesmentrechocados pulsa
                           luz vermelha ampliada
por pequenas lentes descendentes chuva
pare
    chuva
zeus é só um
menino sentado na chuva
                          no meio da rua
e suas parcas tecendo envelopes de não
que ele nunca recebeu nunca ouve
e de págasas lançam milhares de voos foguetes
                                                navios helicópteros
de págasas tróia lisboa e do orco e das pontes do pandemônio
todos ao velo
menino na rua barquinho dobrado
          corrente escorrega pro ralo
também ele procura seu velo
também ele é de iolcos
                             é rei
também ele e medeia
um pai um dragão um irmão
também ele é de págasas
do porto de págasas
de pélias severo de pélias
e o menino não sabe
      vê lemnos boiando no meio da rua vê
                                                        lemnos
de noite e só as lentes
que pulsam vermelhas e caem denunciam
a lemnos cidade escondida no riso do raio
no egeu entre os carros
       e a gente na busca do velo
               algum velo
menino sentado na rua
                              no meio da chuva
sussurra o egeu caindo aos pedaços do céu
são milhões de cellphones pulsando vermelhos ligando
ligando pra zeus
                  onde é o velo?
                  onde é o velo?
e não vão e
      têm medo da cila da rocha entrechoque
            o menino e milhões de
gotículas lentes que ampliam cadentes as formas
as luzes vermelhas de pare
      de lemnos em completa navidad
de lemnos cantando orações de amor
e milhões de cellphones clamando por pélias
      onde manda os heróis?
a buscar velocinos mulheres medalhas
de págasas lança ladrões prostitutas
    do carro divino do porto que parte a morrer
    pela pátria por pélias que pélias nos vença e
    nos coma em banquete com hera pelasga

medeia

divina medeia da corte genuína de eetes
senhora do carro do sol
limusine do sol carregando o valor de milhões
medeia sofrida medeia cachorra
medeia ensaboa
medeia do velo
medeia ariadne
      que rogue por nós
            criança
                  medeia


vinicius ferreira barth

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2 comentários sobre “egeu – vinicius ferreira barth

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