poesia

como água por entre pedras – bernardo lins brandão

como água por entre pedras

o pensamento se agita em seu trilho

 

do ruído nasce a civilização

mas é no silêncio

que Aquele cujas palavras são as próprias coisas

pode ser ouvido

 

um jarro de água já não nos satisfaz

desejamos o rio

sua correnteza que encara o mar

as manhãs que se escondem por trás das nuvens

 

exilados do eterno

o cheiro da mortalidade nos consome

 

distantes do Amado

até o paraíso é odioso

 

em sua presença

o sol se envergonha e as esferas celestes

vacilam como um jovem

que persegue o amor

 

um cálice quebrado é capaz de conter o oceano

um espelho partido reflete a variedade das formas

 

o esplendor do Amado

não pode ser concebido

nem pelos sonhos distantes

das esferas celestes

 

bernardo lins brandão

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