poesia, tradução

joan brossa (1919-1998)

joan brossa, poeta em pose

joan brossa, nascido em barcelona em 1919, é um dos nomes mais importantes da literatura catalã. sob a alcunha de poeta, ele escreveu poemas tradicinais (formalmente falando, sonetos, sextinas & outros mais), visuais, peças de teatro, roteiros de cinema, criou objetos, instalações, performances, &c. uma figura múltipla, capaz de dialogar com uma série bastante variada de interesses da poesia da segunda metade do século xx, do concreto ao redada, passando pelo surrealismo & a poesia de protesto, o que resultou numa obra com mais de 100 títulos, além do muito que extrapola o livro. ainda nos anos 40, participou da importante revista de vanguarda argol em parceria com arnau puig, joan ponç & antoni tapiès, entre outros, mas que ficou no primeiro número. em 48 fundou a dau al set (“dado de sete”).

no brasil, tenho conhecimento de 3 publicações importantes sobre brossa. a plaquete de joão cabral de melo neto, com tradução de sete sonetos (1950); os poemas civis, traduzidos por ronald polito & sérgio alcides (1999), & poesia vista, uma antologia preparada por pelo poeta & editor vanderley mendonça (2005).

brossa 8é deste último volume que retiro as traduções abaixo. o trabalho de vanderley mendonça como tradutor resulta em belos poemas em português; & a única falta que sinto nesta edição é, talvez, uma maior amplitude da seleção do trabalho de brossa, que incluísse, por exemplo, mais obras em verso tradicional, em formas tradicionais. porém penso que isso pode, por outro lado, ser um equívoco de leitura da minha parte: a seleção explicita um projeto de leitura, um viés de diálogo entre brossa e os concretistas (que já se revela pelo texto introdutório de haroldo de campos), portanto pelo enfoque metapoético e de construções de objetos ou de poemas visuais.

mas antes dos poemas, um vídeo sobre o poeta:

guilherme gontijo flores

poeme visual/poema visual, 1970/78

poeme visual/poema visual, 1970/78

O tempo

Este verso é o presente.

O verso que você leu é o passado
– já envelheceu depois da leitura.
O que resta do poema é o futuro,
que existe fora da sua
percepção.

As palavras
estão aqui, se você as leu
ou não. E todo o poder terrestre
não pode mudar isso.

El temps

Aquest vers és el present.

El vers que heu llegit ja és el passat.
– ja ha quedat enrera després de la lectura.
La resta del poema és el futur,
que existeix fora de la vostra
percepció.

Els mots
són aquí, tant si ells llegiu
com no. I cap poder terrestre
no ho pot modificar.

l'empleat / o empregado, 1989

l’empleat / o empregado, 1989

Hálito

Passo a régua,
a caixa de compassos
e começo a riscar
e desenhar.

Passa um pássaro e o poema acaba.

Hàlit

Trec el regle,
la caixa de compassos,
i començo a traçar
i dibuixar.

Passa un ocell i acaba el poema.

nupcial, 1984-8

nupcial, 1984-8

Avante

Se não soubéssemos o que é
e o que não é; se apenas
atendêssemos a certos motivos
e certas cores; se as raízes
da existência se encontrassem numa
outra vida; se a esperança fosse
pouca e mal desenhada e se
a palavra não fosse um ato,
estas linhas também não
seriam um poema

Endavant

Si no sabíem el que és
i el que no és; si només
anteníem certs motius
i certs colors; si les arrels
de l’existir es trobaven en una
altra vida; si l’esperança era
poca i mal dibuixada i si
la paraula no era un acte,
tampoc aquestes ratlles no
serien un poema.

contes / contos, 1986

contes / contos, 1986

Cosmogonia

Estirava ligeiramente a coxa
e colocava entre minhas pernas,
e a sua perna esquerda
passava por cima, por fora
da minha coxa direita.

Cosmogonia

Estirava lleugerament la cuixa
i me la posava entre las cames,
i la seva cama esquerra la
posava al damunt, per fora
de la meva cuixa dreta.

sens l'atzar / sem sorte, 1988

sens l’atzar / sem sorte, 1988

Ponte

Este é o caminho
que serve para passar
do poema anterior ao seguinte

Pont

Aques és el camí
que serveix per a passar
del poema anterior al següent.

elegia a che, 1969/78

elegia a che, 1969/78

(joan brossa, trad. de vanderley mendonça)

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