poesia, tradução

salvador espriu (1913-1984)

SalvadorEspriu

salvador espriu nasceu em santa coloma de farmes em 1913, mas foi cedo para barcelona, onde foi criado & viveu até morrer, em 1984. formou-se em direito e em história antiga, mas o que realmente fez nesta vida foi escrever. estreou aos 19 com a prosa israel: esbozos bíblicos, e a este livro se seguiram muitos outros ao longo dos seus 50 anos de carreira, dentre romances, novelas, ensaios, peças de teatro & poemas; de modo que sua importância o levou a ser proposto ao nobel algumas vezes.

creio que foi como poeta, entretanto, que ele mais se destacou entre os escritores catalães. o seu primeiro livro de poemas é cementiri de sinera, de 1946, portanto um pouco tardio & já maduro. além deste, publicou ainda 8 outros livros: Les cançons d’Ariana (1949), Les hores (1953), Mrs. Death (1953), El caminant i el mur (1954), Final del laberint (1955), La pell de brau (1960), Llibre de Sinera (1963) & Setmana Santa (1972) – todos sob a ditadura de franco, um fator importantíssimo para se avaliar o contexto de seu trabalho & o sentido político muitas vezes subjacente, apesar do tom muitas vezes subjetivo & nostálgico de vários poemas.

escolhi aqui apenas dois poemas da breve antologia feita por ronald polito, intitulada quatorze & publicada pela travessa dos editores, uma editora paranaense que tem feito alguns trabalhos bastante interessantes nos últimos anos. os dois poemas escolhidos fazem parte originalmente de Les hores.

guilherme gontijo flores

Prometeu

O sonho de liberdade tornou-se a cadeia
que me liga já para sempre ao meu canto doloroso.
Compadeci-me dos homens, da fria tristeza
do estranho tempo dos homens enterrados na morte,
e lhes trazia cristal e ardor de palavras,
luminoso nome que dizem os velhos lábios do fogo.
Águia, vinda do nascimento da luz,
de onde vês como é concebida a brancura da neve,
busca, para a luz, a mais secreta vida:
pelo sol, palpitante, toda a nua vida.
Abrirás com o bico eternamente caminhos
ao sangue que ofereço como a prova deste dom.

Prometeu

El somni de llibertad esdevé la cadena
que em lliga ja per sempre al meu cant dolorós.
M’he compadit dels homes, de la freda tristesa
de l’estrany temps dels homes endinsats en la mort,
i els portava cristall i cremor de paraules,
claroso noms que diuen els vells llavis del foc.
Àguila, vinguda del naixement del llamp,
d’on veus com é pensada la blancor de la neu,
cerca, per a la llum, la més secreta vida:
per al sol, palpitant, tota la nua vida.
Obriràs amb el bec eternament camins
a la sang que ofereixo com a preu d’aquest do.

Omnis fortasse moriar

A tarde é cheia de sangue, e não sei que luta
louva o longo pranto do ocaso, atrás dos cumes.
Do fundo de uns olhos de cego vi sair
o cão maligno da noite, e corre as estradas
imensas do medo, ladrando a minha morte.
Oh, pássaro mudo, bosque silencioso,
príncipe dormindo, vento! Aqui cairei
só e nem mais serei nome, lembrança, dor.
Ouço como se vão aquelas claras vozes
de água e folha, ama o último coração,
pouco a pouco me percebo irmanado ao lodo.

Omnis fortasse moriar

El vespre és ple de sang, i no sé quin combat
magnifica el llarg plany del ponent, rera els cims.
Del fons d’uns ulls de cec he vist com surt el gos
maligne de la nit i corre pels camins
amplíssims de la por, lladrant la meva mort.
Oh, l’ocell que no canta, el bosc silenciós,
adormit príncep, vent! Ara cauré tot sol
i no seré més nom, ni record, ni dolor.
Escolto com se’n van aquelles clares veus
de la fulla i de l’aigua, estima l’últim cor,
a poc a poc em sento agermanat al fang.

(salvador espriu, trad. de ronald polito)

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