poesia

ricardo pedrosa alves

Ricardo Pedrosa Alves, professor de Ciência Política & doutorando em Letras, nasceu em 1970, em Governador Valadares. Atualmente mora em Guarapuava (PR), é autor dos livros de poesia Desencantos Mínimos (Iluminuras) & barato (Medusa), com poemas & críticas literárias em jornais e revistas (Suplemento Literário de MG, Gazeta do Povo, Correio Braziliense, Diário Catarinense, bólide, Germina, Inimigo Rumor, Orobó, Monturo, Oroboro, Vagau &c.), participação em eventos como Zoona & em antologias como Vinagre, além de ter na gaveta quatro livros por publicar. Os poemas abaixo são inéditos & fazem parte de A fresta do capital.

atualização: A fresta do capital foi publicada em 2014 pela Paulo Honório edições sem arte. Ele pode ser lido digitalmente no calameo clicando aqui.

guilherme gontijo flores

Rasura não te quero objeto de cultura
não te quero não basta
talvez ajude
ser amigo de juiz amigo
ou frequentar a oficina para dar ao poeta
da editora-store-estoura da livraria-store-estoura-pipoca da mega-mega-como-megasena
que luta é essa?
morrer com a sutura em três livros do mal
a dança de pião na fumaça
um homem livro na sociedade escravocrata
o crítico – e ser um crítico!
aquela cruza do escárnio de maiakóvski
e os poetas do pop suas parições no vazio
suas listas de cultura
não te quero
não basta
dois copeques
a página

* * *

O tradutor urbano e seus ruídos à maneira de um relógio maníaco um xis um ípsilon
em incisões e raspagens, cópulas e decolagens
ouve o trovador num jato manso
a canção era ela a canção dela e como dela era a carne dele ele era ela
de dizer isso e mais
e o tradutor ouvir e tal
vem o pássaro, o carro, as manifestações
e volta o relógio, eito
afinal,
sussurra o da langue lânguida
estou em derrota um homem do meio
sem rota mas lábia de langue
o da semente avulsa
criança perdida ou o
Bastardo

Padrão