poesia, tradução

John Keats (1795 – 1821), em duas traduções

John-Keats_por_William-Hilton

Com um bom grau, é claro, de simplificação, acredito que podemos traçar pelo menos dois perfis de arquétipos clássicos de poetas românticos. Em um polo temos aquele tipo de poeta aventureiro, hedonista, viajado (em mais de um sentido da palavra, inclusive), libertino, amante da liberdade e dotado de uma rebeldia por vezes beirando o pueril, que seria um dos modos pelos quais poderíamos descrever, por exemplo, Byron e os heróis de seus poemas mais famosos, inspirados em si próprio. No outro extremo, temos o romântico frágil, melancólico, doente (de tuberculose, provavelmente), com tendências monogâmicas à moda provençal (e é justo por causa do outro arquétipo romântico que eu sempre acho hilário chamarem esse tipo de amor apaixonado de “amor romântico”) e enfurnado em seu quarto, na companhia de seus livros. Essa, creio, poderia ser uma descrição resumida, porém adequada, de John Keats (1795 – 1821).

Keats e Byron, talvez não por acaso, se detestavam. Byron era nobre, rico e foi responsável pelo sucesso do que foi um best-seller avant-la-lettre, o poema narrativo The Corsair (1814), que vendeu 10.000 exemplares em um único dia. Já Keats era duplamente pobre: primeiro, por já ser de uma família de classe média baixa, e depois por ter descartado suas chances de ascender socialmente ao abandonar uma possível carreira na área da medicina, na qual tinha aptidão, para ser poeta (ai) – e, para piorar, um poeta cujo sucesso só viria postumamente. Sua poesia foi muito criticada à época nos periódicos literários, tanto, inclusive, que costuma-se atribuir a sua morte – por maldade ou ingenuidade científica sobre a tuberculose – a uma resenha negativa no The Quarterly. Mas, além dessas diferenças, havia divergências estéticas também, como qualquer um que tenha lido os dois poetas há de notar (e, para essa comparação, sugiro o livro de traduções de Augusto de Campos, publicado pela editora da Unicamp, Byron e Keats: Entreversos). Para mais sobre essa rivalidade, algumas das cartas de Byron sobre ele podem ser lidas clicando aqui .

Shelley, apesar de ter sido grande amigo de Byron também, gostava bastante de Keats – mais do que Keats gostava dele, aliás. Os dois se conheceram pessoalmente em 1816, por intermédio de Leigh Hunt, depois passaram a trocar cartas. Shelley, inclusive, chegou a convidá-lo para morar com ele na Itália, pelo bem da sua saúde, ao que Keats recusou. Quando Keats morre, em 1821, ele responde com o poema Adonaïs, uma elegia pastoral, nos moldes de Lycidas, de Milton, sobre a sua morte. Quando Shelley morre afogado, em 1822, seu corpo foi encontrado com um volume de poemas de Keats nos bolsos.

John-Keats-Lapide-em-RomaPara sermos indiscretos, há duas grandes “musas”, por assim dizer, que inspiraram os grandes poemas de amor de Keats. A primeira foi Isabella Jones, uma moça mais velha com quem ele se amigou em 1817 e que lhe sugeriu a temática do seu longo poema “The Eve of St. Agnes”. A outra foi Fanny Brawne, que Keats conheceu em 1818, noivando em 1819, e que lhe rendeu o famoso soneto “Bright Star”, além de um ano extremamente produtivo, em que Keats compõe suas 6 grandes odes. A relação entre os dois, aliás, foi tema do filme Bright Star (2009) – filme que, à moda do Total Eclipse (1995), o filme sobre Rimbaud e Verlaine, que em português virou Eclipse de uma Paixão, foi distribuído no Brasil com o título horroroso de O Brilho de uma Paixão. Os dois nunca se casaram de verdade, porém – a família de Fanny não estava satisfeita com a situação financeira do poeta, preferindo adiar o casamento até que ela melhorasse… o que, até o ano de sua morte, acabou nunca acontecendo. A tuberculose o ceifa em 1821, apesar das tentativas de procurar refúgio no clima mais quente da Itália (muito após os convites de Shelley, ao que parece). Ele é enterrado em Roma, sob uma lápide que diz a famosa declaração de que “Here lies One / Whose Name was writ in Water” (“Aqui Jaz Aquele / Cujo Nome foi inscrito na Água”)… pouco mais de um ano depois, as cinzas de Shelley também seriam depositadas lá.

A produção de Keats também é marcada pelos poemas longos “Endymion: a Romance” (famoso pelo verso de abertura: “A thing of beauty is a joy for ever”), “Isabella: or the Pot of Basil” (uma adaptação em verso de um conto do Decamerão), ambos de 1818, “Lamia” (sobre a figura mitológica, uma espécia e mulher e serpente, de mesmo nome) e os fragmentários “Hyperion” (com a temática da queda dos titãs e a sua substituição pelos deuses olímpicos; Hipérion sendo o deus do sol que seria suplantado por Hélio), de 1820, e “The Fall of Hyperion” (retomando e reenquadrando essa tema clássico), de publicação póstuma (clique nos títulos aqui para lê-los em inglês… até onde sei, nenhum desses poemas mais longos até agora tem tradução integral).

Em português, além da edição de Augusto de Campos, sei da existência de pelo menos outros dois volumes: um é o Ode sobre a melancolia e outros poemas, publicado pela Hedra, na tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos; e o outro, Nas asas invisíveis da poesia, pela Iluminuras, em tradução do recentemente falecido Alberto Marsicano, em colaboração com o professor John Milton (que, como diz no prefácio, fez as traduções literais que Marsicano poetizou). Suponho que haja outras edições ainda (ou talvez não… John Milton comenta que a motivação para traduzir Keats foi justamente essa escassez de traduções), mas a minha memória e/ou capacidades de busca me falham no momento. De qualquer modo, é desses dois volumes que extraio as traduções de modo a demonstrar, como é de costume aqui no escamandro, os enfoques tradutórios diferentes.

Para essa seleção, eu preferi selecionar poemas outros além das famosas Odes de 1819 – em parte para fugir um pouco do óbvio e em parte também porque essas Odes são meio longas para se transcrever e porque eu preferiria deixar o trabalho comparativo entre as 3 traduções disponíveis de algumas delas para um post futuro mais minucioso. Por ora, deixo o Augusto de fora, então, e foco as minhas atenções sobre os outros dois. Nas asas invisíveis da poesia e Ode sobre a melancolia e outros poemas têm em comum, além das Odes ao Rouxinol, a um Vaso Grego e à Melancolia (são as 3 Odes presentes no Asas invisíveis, enquanto o volume da Hedra tem ainda a Ode a Psiquê e à Indolência), os poemas “To Autumn”, “On the Grasshopper and Cricket”, “On First Looking Into Chapman’s Homer” e “Meg Merrilies”. Destes, selecionei os primeiros dois nas traduções de ambos os volumes, para propósitos de comparação, mais 2 poemas únicos de cada um dos tradutores: “On the Sea” e “On Death”, de Milton & Marsicano, e “What the thrush said” e o famoso “Bright star”, de Péricles Eugênio. Há algumas diferenças básicas nos projetos de tradução dos dois livros, a saber, que Milton & Marsicano abandonam a métrica e a rima (e, em alguns casos, inclusive, até mesmo a equivalência de número de versos, como ocorre no poema “No Mar”, que virou um soneto de 13 versos) para evitar se “afastar do profundo sentido filosófico que existe por trás desses poemas”, como diz Milton no prefácio, optando por, em vez disso, se concentrar “mais na qualidade da linguagem em geral” e se “aproximar da grande sonoridade da poesia de Keats”. Ou seja, é verso livre sem metro e rima, mas não é o mesmo que tradução literal. Já Péricles Eugênio, como é de seu costume, faz um esforço para reproduzir algo próximo das formas originais, ainda que não seja a regra. Geralmente recorre a dodecassílabos como equivalentes (com alguma margem de manobra) aos pentâmetros jâmbicos, o que lhe poupa um pouco de trabalho, ainda que resulte às vezes em versos estranhos como “A poesia da terra nunca, nunca morre” para “The poetry of earth is never dead”, com a necessidade de duplicação do “nunca” apenas para fechar a métrica do verso. Péricles também prefere manter as rimas na maioria das vezes, excetuando-se os poemas mais longos, ao que me parece (como “Ao Outono”). Em todo o caso, é importante ressaltar, mais uma vez, que a qualidade da tradução poética não depende unicamente do projeto.

Adriano Scandolara

          

           Milton & Marsicano:

AO OUTONO

I

Estação de névoas e frutífera suavidade,
   Amiga do peito do sol maduro;
Conspiras com ele como espargir e abençoar
   Com frutas as videiras nos beirais de palha;
Arqueias com maçãs os ramos musgosos,
   Preenches até o fim de madurez as frutas;
     Inflas as cabaças e farta as cascas das avelãs
   Com o doce cerne; fazes brotae mais
E mais, flores tardias às abelhas,
Até que pensem jamais findar-se-ão os dias quentes,
   Pois o verão transbordou suas meladas colmeias.

II

Quem não te viu em teu armazém?
   Às vezes, aquele a te procurar te encontrará
Sentada tranquila no chão do celeiro,
   Teu cabelo levemente erguido pelo vento joeirante,
Ou dormindo profundo num sulco ceifado ao meio,
   Entorpecida no aroma das papoulas, enquanto tua foice
      Poupa a fileira seguinte e suas flores enroscadas.
E várias vezes como um colhedor manténs
   Firme tua cabeça pródiga ao atravessares o riacho;
   Ou ao lado de uma prensa de cidra, com o olhar paciente,
      Contempla as derradeiras horas viscosas.

III

Onde estão as canções da Primavera? Sim, onde estão?
   Não penses nelas, tens tuas músicas também
Nuvens como estrias brotam no dia que suave se esvai,
   E tangem com rósea cor os restos dos campos desnudos;
Num coro-lamento pranteam os mosquitos
   Entre os salgueiros do rio, no alto
     Ou imersos quando a tênue brisa vive ou fenece;
E grandes carneiros berram no riacho das montanhas
   Grilos cantam; e agora com suave trinado
   O papo roxo sibila do jardim,
      Andorinhas gorjeiam nos céus.

          

           Péricles Eugênio:

AO OUTONO

I

Quadra das névoas, do fecundo j’maduro,
   Amiga íntima do sol, o que sazona,
Com quem suspiras por benzer e carregar
   As vides que se estendem nos beirais de palha;
Por vergar de maçãs as árvores musgosas
   Da cabana, e adoçar os frutos até o centro,
      Expandir o cocombro e inchar as avelãs
   Com doce amêndoa; por fazer brotarem mais
E mais as flores temporãs, para as abelhas
Que julgam não ter fim os dias de calor,
   Já que o verão levou seus favos a escorrer.

II

Quem não te viu amiúde em meio às tuas posses?
   Às vezes quem sai buscando pode achar-te
Sentada, descuidosa, em chão de algum celeiro,
   Cabelo erguido pelo vento de uma joeira;
Ou a dormir em campo já semiceifado,
   Tonta de eflúvio da papoula, enquanto a foice
      Poupa a fileira contígua e as flores enlaçadas;
Como respigadora atravessando o riacho
   Manténs a fronte erguida ao peso de seu fardo
   Ou vês, hora após hora, os últimos gotejos,
      Quando observas, paciente, a prensa para sidra.

III

Onde as canções da primavera? Onde é que estão?
   Não penses nelas, também tens a tua música.
Nuvens estriadas floram o cair do dia,
   Tocando de cor rósea as jeiras não semeadas
Então em coro os mosquitinhos se lamentam
   Entre os chorões do rio, cujos ramos sobem
      Ou descem, quando vive ou morre o vento leve;
E da orla das colinas balem os cordeiros;
   Zinem grilos na sebe; e com um dulçor agudo
   Pia o pisco-de-peito-ruivo num quintal
      E em bando as andorinhas chilram pelos céus.

          

TO AUTUMN

I

Season of mists and mellow fruitfulness,
   Close bosom-friend of the maturing sun;
Conspiring with him how to load and bless
   With fruit the vines that round the thatch-eves run;
To bend with apples the moss’d cottage-trees,
   And fill all fruit with ripeness to the core;
      To swell the gourd, and plump the hazel shells
   With a sweet kernel; to set budding more,
And still more, later flowers for the bees,
Until they think warm days will never cease,
   For Summer has o’er-brimm’d their clammy cells.

II

Who hath not seen thee oft amid thy store?
   Sometimes whoever seeks abroad may find
Thee sitting careless on a granary floor,
   Thy hair soft-lifted by the winnowing wind;
Or on a half-reap’d furrow sound asleep,
   Drows’d with the fume of poppies, while thy hook
      Spares the next swath and all its twined flowers:
And sometimes like a gleaner thou dost keep
   Steady thy laden head across a brook;
   Or by a cyder-press, with patient look,
      Thou watchest the last oozings hours by hours.

III

Where are the songs of Spring? Ay, where are they?
   Think not of them, thou hast thy music too,
While barred clouds bloom the soft-dying day,
   And touch the stubble-plains with rosy hue;
Then in a wailful choir the small gnats mourn
   Among the river sallows, borne aloft
      Or sinking as the light wind lives or dies;
And full-grown lambs loud bleat from hilly bourn;
   Hedge-crickets sing; and now with treble soft
   The red-breast whistles from a garden-croft;
      And gathering swallows twitter in the skies.

          

           Milton & Marsicano:

SOBRE O GAFANHOTO E O GRILO

A poesia da terra jamais cessa:
   Quando todos os pássaros languescem ao sol ardente,
   E se escondem nas frescas árvores, uma voz corre
De cerca em cerca ao redor do prado recém-ceifado;
É o Gafanhoto – ele rege
   A luxúria do verão – nunca finda
   Suas delícias; pois, quando exaurido em alegria,
Repousa sob alguma boa erva daninha.
A poesia da terra jamais cessa:
   Numa solitária noite de inverno, quando a geada
      Traz o silêncio, do fogareiro sibila
O canto do Grilo, sempre mais quente,
   E semelha alguém perdido na sonolência,
      O do Gafanhoto entre verdejantes colinas.

          

           Péricles Eugênio:

SOBRE O GAFANHOTO E O GRILO

A poesia da terra nunca, nunca morre:
   Quando o vigor do sol languesce a passarada
   E se abriga nas ramas, um zizio corre
De sebe em sebe, em torno à várzea já ceifada;
É o gafanhoto, que a assumir o mando acorre
   No fausto do verão; e nunca dá parada
      Ao seu prazer, pois de erva amável se socorre
Para o descanso, ao fim de sua alegre zoada.
A poesia da terra nunca se termina:
   Do inverno em noite só, quando com a geada cresce
      O silêncio, do fogão se ergue de repente
O zinido do grilo, para sempre mais ardente
   E para alguém zonzo de sono ele parece
      O gafanhoto em meio à relva da colina.

          

ON THE GRASSHOPPER AND CRICKET

The poetry of earth is never dead:
   When all the birds are faint with the hot sun,
   And hide in cooling trees, a voice will run
From hedge to hedge about the new-mown mead;
   That is the Grasshopper’s – he takes the lead
   In summer luxury, – he has never done
With his delights; for when tired out with fun
He rests at ease beneath some pleasant weed.
The poetry of earth is ceasing never:
   On a lone winter evening, when the frost
      Has wrought a silence, from the stove there shrills
The Cricket’s song, in warmth increasing ever,
   And seems to one in drowsiness half lost,
      The Grasshopper’s among some grassy hills.

           Milton & Marsicano:

NO MAR

Ele sustém eternos murmúreos
   Nas praias desoladas, e com soberbas cristas
   Inunda vinte mil cavernas, até que o sortilégio
De Hécate as deixe com seu velho e assombroso som.
Muitas vezes se encontra tão tranquilo,
   Que até a menor das conchas permanece dias imóvel
   Desde o desenlace dos ventos celestiais.
Vós, cujos olhos se enchem de tormento e tédio,
Regozijai-os com a imensidão do mar;
   Vós, cujos ouvidos estão atordoados pelo rude ruído
   Ou enfastiados pela música melosa –
      Sentai-vos na boca de uma velha caverna, e meditai
Até que escuteis, como se cantassem, as ninfas do mar!

      

ON THE SEA

It keeps eternal whisperings around
   Desolate shores, and with its mighty swell
   Gluts twice ten thousand Caverns, till the spell
Of Hecate leaves them their old shadowy sound.
Often ‘tis in such gentle temper found,
   That scarcely will the very smallest shell
   Be moved for days from where it sometime fell.
When last the winds of Heaven were unbound.
Oh, ye! who have your eyeballs vexed and tired,
   Feast them upon the wideness of the Sea;
      Oh ye! whose ears are dinned with uproar rude,
   Or fed too much with cloying melody –
      Sit ye near some old Cavern’s Mouth and brood,
Until ye start, as if the sea nymphs quired!

     

A MORTE

I

Pode a morte ser sono, se a vida não é mais que sonho,
   E se as cenas de êxtase passam qual espectros?
Os prazeres transitórios semelham visões,
   Mas pensamos a morte como a grande dor.

II

Como é estranho o vagar do homem na terra,
   Em sua vida maldita não pode desvencilhar
O rude caminho; nem ousa sozinho entrever
   Seu augúrio futuro que não é senão despertar.

     

ON DEATH

I
Can death be sleep, when life is but a dream,
   And scenes of bliss pass as a phantom by?
The transient pleasures as a vision seem,
   And yet we think the greatest pain’s to die.

II
How strange it is that man on earth should roam,
   And lead a life of woe, but not forsake
His rugged path; nor dare he view alone
   His future doom which is but to awake.


           Péricles Eugênio:

O QUE DISSE O TORDO

Tu, que o vento do inverno já atingiu no rosto
   E viste em meio à bruma as nuvens mães da neve
   E os negros cimos do olmo entre as estrelas gélidas,
   Terás na primavera um tempo de colheita.
Tu, cujo livro único vem sendo a luz
   Da escuridão suprema, de que te nutriste,
   Noite após noite, quando Febo se ausentava,
   Terás na primavera tríplice manhã.
Oh, não anseies por saber – eu nada sei.
   Porém meu canto sempre surge com o calor.
Oh, não anseies por saber – eu nada sei.
   Porém a noite escuta-me. Quem se entristece
Pensando no ócio não se encontra na indolência,
E está desperto quem se julga adormecido.

          

WHAT THE THRUSH SAID

O thou whose face hath felt the Winter’s wind,
   Whose eye has seen the snow-clouds hung in mist
   And the black elm tops ‘mong the freezing stars,
   To thee the spring will be a harvest-time.
O thou, whose only book has been the light
   Of supreme darkness which thou feddest on
   Night after night when Phoebus was away,
   To thee the Spring shall be a triple morn.
O fret not after knowledge – I have none,
   And yet my song comes native with the warmth.
O fret not after knowledge – I have none,
   And yet the Evening listens. He who saddens
At thought of idleness cannot be idle,
And he’s awake who thinks himself asleep.

          

ASTRO FULGENTE

Fosse eu imóvel como tu, astro fulgente!
   Não suspenso da noite com uma luz deserta,
A contemplar, com a pálpebra imortal aberta,
   – Monge da natureza, insone e paciente –
As águas móveis na missão sacerdotal
   De abluir, rondando a terra, o humano litoral,
Ou vendo a nova máscara – caída leve
   Sobre as montanhas sobre os pântanos – da neve,
Não! mas firme e imutável sempre, a descansar
   No seio que amadura de meu belo amor,
Para sentir, e sempre, o seu tranquilo arfar
   Desperto, e sempre, numa inquietação-dulçor,
Para seu meio respirar ouvir em sorte,
E sempre assim viver, ou desmaiar na morte.

          

BRIGHT STAR

Bright star, would I were stedfast as thou art –
   Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
   Like nature’s patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
   Of pure ablution round earth’s human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
   Of snow upon the mountains and the moors
No – yet still stedfast, still unchangeable,
   Pillow’d upon my fair love’s ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
   Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever – or else swoon to death.

          

(poemas de John Keats, traduções de Péricles Eugênio da Silva Ramos e de John Milton com Alberto Marsicano, conforme indicado)

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