poesia, tradução

álbio tibulo (60-19 a.C.), por joão paulo matedi alves

fala-se pouco, muito pouco, da musa pederástica romana, sobre a poesia de amor entre homens. em geral, o tema se limita à grécia, em geral uma grécia idealizada onde não haveria restrições sexuais severas – um triste engano.

no entanto, aqui, independente das minúcias do contexto social que permitia e codificava esse tipo de poesia, mais importante é ver a poesia que se fez com o tema amoroso. tibulo é certamente um dos exemplos mais poderosos da poesia homoerótica na antiguidade, embora tenha escrito pouco nessa verve.

a bela tradução é de joão paulo matedi alves, que defendeu sua dissertação de mestrado sobre tibulo & tem aprofundado as traduções e estudos sobre o autor no doutorado. como leitor de tibulo, eu diria que a maior dificuldade na sua poesia, aos nosso olhos & portanto ao trabalho do tradutor, é o de manter aquilo que os romanos viam como elegância (tersus atque elegans é como o define quintiliano) e que para nós por vezes soa como frieza, ao mesmo tempo em que trata centralmente do tema amoroso. as soluções poundianocabralinas dessas traduções são, a meu ver, o melhor de tibulo que pode haver nesta nossa língua.

guilherme gontijo flores

taça de prata romana (séc. I d.C.), na imagem um adulto com barba penetra um jovem ainda sem barba.

taça de prata romana (séc. I d.C.): um adulto barbado penetra um jovem ainda sem barba.

De opulenta família e obra, Álbio Tibulo (Albius Tibullus, 60 a.C. (?) – 19 a.C. (?)), de quem não conhecemos sequer o nome completo, integrou o círculo literário de Marco Valério Messala Corvino e foi um dois mais notáveis elegíacos de Roma e de toda antiguidade. A se considerar apenas Quintiliano – Institutio oratoria (X, 1, 93) – e Domício Marso – em epigrama escrito por ocasião da morte do poeta –, Tibulo, como é mais conhecido, foi o mais importante elegíaco romano, à frente, inclusive, de Galo, de Ovídio e de Propércio. Contudo, apesar do juízo desses antigos, as literaturas e os leitores mais atuais não o veem assim. Se levarmos em conta o quanto Ovídio já foi traduzido (inclusive seus Amores) e as famosíssimas palavras e traduções propercianas de Ezra Pound, que alçaram, em certa medida, Propércio ao mainstream, não há dúvida de que Tibulo ficou a reboque. E tal forma de encarar Tibulo, em comparação a Ovídio e Propércio, é até compreensível, se atentarmos para as peças (no que toca à nossa sensibilidade) mais enxutas, justas, rápidas e tensas escritas por esses dois; peças em que aos inúmeros versos tibulianos, que fazem desfilar diante do leitor “quadros” e mais “quadros”, às vezes, aos olhos do leitor moderno e hodierno, aparentemente confusos, se contrapõem poemas “centrados”, de um e único núcleo, em torno do qual adejam considerações incisivas, agudas e lapidares, que rapidamente se esgotam e esgotam o foco da composição. Daí, Ovídio e Propércio já partem, não para outra “cena”, mas para outra elegia, que até pode ser tomada como outra “cena”, porém é independente, pelo menos no que garante ao novo poema ser outra composição.

Todavia, talvez isso seja uma verdade nossa, só nossa. No processo de leitura desses poetas e, no meu caso, no penoso, porém prazeroso, trabalho de versão das elegias de Tibulo, há algo que chama atenção: talvez o nosso elegíaco tenha sido aquele que melhor trabalhou os topoi deste relevante genos clássico: a elegia. Lugares-comuns elegíacos como seruitium amoris, militia amoris, discidium, doença do poeta ou da amada, preocupação da amada com sua apresentação, denúncia de violação de uma ligação amorosa (foedus amoris), recurso a modelos míticos de comportamento, ideia de uma longa viagem a ser empreendida (longa uia – tópico muitas vezes usado como pretexto para se aludir à eterna contraposição entre o discurso elegíaco e a épica), paraklausíthyron e recusatio são polidos ao máximo e de forma sutil por Tibulo, que os faz deslizar habilmente por entre seus longos poemas. E tudo isso pintado com extrema sinceridade, característica cara aos romanos (vide Catulo), como já há muito demonstrou a crítica. Sem contar que importantes estudos – dentre os quais destaco Tibullus: a hellenistic poet Rome, de Francis Cairs – provam a grande habilidade do poeta em gerenciar inúmeras cenas, topoi e “sentimentos” (humor, ironia, desejo, ódio, etc.) por versos e mais versos.

A poesia que vai aqui apresentada em tradução minha, traz um pouco disso, eu acho. Ademais, carrega um atrativo além, pois toca no amor de ego (a “voz” do poema) por um puer delicatus de nome Márato – em tempos de luta por direitos civis pelos homossexuais (e por seus simpatizantes), que radicalizaram sua ação contra mais uma cruzada humana, que se tinge de santa para flertar com e dissimular seu humano preconceito, nada mais a propósito. Tibulo dedicou três elegias a relações homoafetivas: I.4, I.8 e I.9. Nos três poemas, vemos ego choramingar pelo seu imberbe obscuro objeto do desejo – Márato. A que temos diante de nossos olhos, no momento, é a composição I.4, a que abre a trilogia homoafetiva do Corpus tibullianum, que nada mais é que um conjunto de poemas, que nos foi legado pela antiguidade, organizados em três livros (em algumas edições quatro), dos quais os dois primeiros são atribuídos com firmeza, certeza e inteireza ao poeta de que nos ocupamos. O terceiro livro, por sua vez, é formado por um conjunto de poemas atribuídos a poetas ainda não muito bem identificados: Lígdamo (III.1-6), Sulpícia (III.8-18) e Tibulo (III.19 e 20). Mas valem três observações: 1) a composição III.7 é o famoso e, para muitos, famigerado Panegyricos Messallae, de autor desconhecido; 2) alguns dividem as breves elegias que se encontram, aqui, sob a pluma de Sulpícia, em dois grupos – III.8-12 (de autor desconhecido) e III.13-18 (de Sulpícia); 3) embora III.19 e 20 sejam considerados, por alguns, versos tibulianos, a questão não está fechada.

Em relação ao caminho tradutório seguido para verter Tibulo, é o seguinte: 1) para os dísticos elegíacos latinos busquei a alternância de dodecassílabos (traduzem os hexâmetros) e decassílabos heroicos e sáficos (traduzem os pentâmetros), assim como já procederam, por exemplo, Péricles Eugênio da Silva Ramos (ao verter Propércio), João Ângelo Oliva Neto (ao traduzir Catulo), e Guilherme Gontijo Flores (ao transladar Propércio). 2) Persegui efeitos aliterantes e assonantes, tão queridos também pelos clássicos. 3) A tradução exibe, o máximo possível, o conteúdo dos versos latinos em homólogos portugueses, ou seja, o verso 3 do original é vertido no verso 3 da tradução, a linha 55 tibuliana tem sua correspondência tradutória na linha 55 da versão, e assim vai. 4) Perseguiu-se também a reprodução de anáforas, repetições e paralelismos ocorrentes no texto latino. 5) A esmagadora maioria dos pentâmetros tibulianos findam em dissílabos, o que me levou a, igualmente, imitar esse efeito (embora sem obsessão e com deveras liberdades). 6) A tradução se guiou, até certo ponto, por um ideal de “pureza acentual”, isto é, evitou-se a rasura dos acentos principais (4, 6 e 8) por acentos adjacentes. 7) Etc. Porém ainda que tudo isso tenha sido sondado e alcançado aqui e ali, a tradução evitou a esses elementos sobrepujar sua lei maior: o ouvido. Em outras palavras, o mais importante era encontrar versos que soassem bem ao ouvido, pois de nada adiantaria um verso com perfeita acentuação e métrica, final dissilábico e alguma aliteração que não funcionasse ao ouvido – não obstante “funcionar ao ouvido” seja inevitavelmente subjetivo.

Outra questão importante é perceber que, ao mesmo tempo em que a tradução se esforça em “fotografar” Tibulo (embora em preto-e-branco, pois “colorido” só em latim e há dois mil anos), intentou-se também dar uma dicção a Tibulo que acredito ser mais moderna, baseada em parataxes e numa maior velocidade de leitura, com cortes bruscos e com trechos em que a supressão de certos termos latinos não traduzidos em português permite o entendimento da passagem não de forma clara e por meio de uma semântica discursiva, mas de forma alusiva, de uma semântica alusiva, alusiva ao contexto maior da passagem em questão. Nisso tudo, deve-se considerar ainda os latinismos (de sintaxe e de vocabulário e a literalidade com que algumas passagens são vertidas (vide verso 59 do original, em que o vocábulo uenerem é muitas vezes, por outros tradutores, vertido por “amor”)). O objetivo último era, se possível, palidamente possível, dar voz ao antigo por meio do novo e vice-versa, era fazer dialogar o diacrônico e o sincrônico.

Por fim e enfim, espero que gostem do original e da tradução. E, sem mais retórica, a verdade é que tudo o que escrevi sobre tradução neste texto pode ser substituído por “cada tradutor faz o que pode”.

jp matedi a

abril de 2013

IV

“Assim, umbrosas copas te cubram, Priapo,
….nem sol nem neve firam-te a cabeça.
Que ardil teu cativou os belos? Certamente,
….não tens barba nem coma condizentes.
Nu suportas o frio da bruma hibernal;                      5
….nu, dias secos da estival canícula.”
Assim falei: de Baco o descendente rústico,
….deus armado de curva foice, disse-me:
“ó, não creias na tenra turba de meninos,
….sempre motivo têm de justo amor. ………………../.10
Este apraz por reter corcéis com rédea curta;
….este, água fresca fende em níveo peito;
este te cativou por ser valente; aquele,
….virgem pudor se eleva em tenra face.
Não desistas, se alguém no início se negar, ………..15
….dará o pescoço ao jugo com vagar:
o tempo deu aos homens leões amansados,
….o tempo abriu, em água branda, rochas;
o ano madura as uvas sob o sol dos vales,
….o ano traz, regular, os astros rútilos. ………………..20
Podes jurar, o vento dissipa os perjúrios
….vãos de Vênus por sobre terra e mar.
Graças a Júpiter! O pai tornou inválidas
….juras ardentes de um insano amor;
e em vão Dictina deixa que jures por suas ………….25
….flechas, Minerva pelos seus cabelos.
Mas, se hesitares, errarás: a idade foge.
…..Tão logo nasce o dia e já se esvai!
Tão logo a terra perde o purpúreo matiz!
….Tão logo o grande choupo, a bela coma!………… 30
Jaz, vítima fatal da velhice, o cavalo
….que páreos liderou na raia Eleia.
Já vi homem aflito na maturidade,
….por ter passado à toa os tolos dias.
Deuses cruéis! Serpentes se despem dos anos: 35
….não deram prazos à beleza os fados.
Só Baco e Febo são eternamente jovens,
….pois intonso cabelo quadra a ambos.
Tu, do menino sejam quaisquer os desejos,
….cedas: o amor triunfa com favores. ………………….40
Segue-o, mesmo em viagem longa, em que a canícula
….abrase com ardente sede os campos;
mesmo que o arco chuvoso, que colore o céu
….plúmbeo, revele chuvas iminentes;
ou se quiser fender à quilha o mar cerúleo, ……….45
….lança tu próprio a nave contra as vagas.
Não te arrependas dura faina suportar
….ou machucar as mãos, hostis à lida.
Se ele quiser munir de insídias fundos vales,
….que lhe agrades levando aos ombros redes. …..50
Se ele quiser espadas, treina-o com mão leve,
….concede-lhe – que vença! – o flanco nu.
E será bom contigo, então roubarás caros
….beijos: resistirá, mas os dará.
Dará no início à força, então te brindará,……………. 55
….por fim o teu pescoço abraçará.
Ai! Que arte desprezível pratica este século:
….por vezo já se vende o meu menino.
Mas tu, primeiro que vendeste vênus, sejas
….lá quem for, seja-te pesada a lápide. ………………..60
Doutos vates amai, meninos, e as Piérides;
….áureos brindes não vençam as Piérides.
Devido aos carmes, coma purpúrea tem Niso;
….pelo poema, ebúrneos ombros, Pélops.
Vive quem Musa louva, enquanto der a terra ……65
….carvalho; o céu, estrela; o rio, água.
Mas quem não ouve as Musas, quem o amor seu vende,
….persiga o carro de Ops do Monte Ida;
em seu errar percorra trezentas cidades,
….corte o vil membro ao som da flauta Frígia. ……70
Para a ternura Vênus quer lugar: às súplicas
….ela será bondosa e ao triste pranto”.
Isso, para eu cantar a Tício, disse o deus,
….mas a Tício lembrar a esposa impede.
Que ele obedeça. Vós, que manhoso menino ……75
….seduz com arte, celebrai-me mestre.
Todos têm sua glória: tenho a porta aberta
….às consultas de amantes desprezados.
Um dia, atentos jovens me acompanharão,
….já velho, rico nas lições de Vênus. …………………….80
Ai! Quão longo tormento é meu amor por Márato!
….Falham ardis e falham artifícios.
Rogo, menino, poupa-me! Que não debochem
….de mim, por rirem de meus vãos preceitos.

a mesma taça de prata romana (séc. I d.C.): jovem sem barba penetra um garoto.

a mesma taça de prata romana (séc. I d.C.): jovem sem barba penetra um garoto.

IV

“Sic umbrosa tibi contingant tecta, Priape,
….ne capiti soles, ne noceantque niues:
quae tua formosos cepit sollertia? certe
….non tibi barba nitet, non tibi culta coma est;
nudus et hibernae producis frigora brumae, ……….5
….nudus et aestiui tempora sicca Canis.”
Sic ego; tum Bacchi respondit rustica proles
….armatus curua sic mihi falce deus:
“O fuge te tenerae puerorum credere turbae:
….nam causam iusti semper amoris habent. ………10
Hic placet, angustis quod equum compescit habenis,
….hic placidam niueo pectore pellit aquam;
hic, quia fortis adest audacia, cepit; at illi
….uirgineus teneras stat pudor ante genas.
Sed ne te capiant, primo si forte negabit, ……………15
….taedia; paulatim sub iuga colla dabit:
longa dies homini docuit parere leones,
….longa dies molli saxa peredit aqua;
annus in apricis maturat collibus uuas,
….annus agit certa lucida signa uice. .……………………20
Nec iurare time: Veneris periuria uenti..
….inrita per terras et freta summa ferunt.
Gratia magna Ioui: uetuit Pater ipse ualere,
….iurasset cupide quidquid ineptus amor;
perque suas impune sinit Dictynna sagittas ……….25
….adfirmes, crines perque Minerua suos.
At si tardus eris errabis: transiet aetas
….quam cito non segnis stat remeatque dies.
Quam cito purpureos deperdit terra colores,
….quam cito formosas populus alta comas. .……….30
Quam iacet, infirmae uenere ubi fata senectae,
….qui prior Eleo est carcere missus equus.
Vidi iam iuuenem, premeret cum serior aetas,
….maerentem stultos praeteriisse dies.
Crudeles diui! serpens nouus exuit annos:…………. 35
….formae non ullam fata dedere moram.
Solis aeterna est Baccho Phoeboque iuuentas:
….nam decet intonsus crinis utrumque deum.
Tu, puero quodcumque tuo temptare libebit,
….cedas: obsequio plurima uincet amor. …………….40
Neu comes ire neges, quamuis uia longa paretur
….et Canis arenti torreat arua siti,
quamuis praetexens picta ferrugine caelum
….uenturam amiciat imbrifer arcus aquam;
uel si caeruleas puppi uolet ire per undas,…………..45
….ipse leuem remo per freta pelle ratem.
Nec te paeniteat duros subiisse labores
….aut opera insuetas atteruisse manus;
nec, uelit insidiis altas si claudere ualles,
….dum placeas, umeri retia ferre negent; …………….50
si uolet arma, leui temptabis ludere dextra,
….saepe dabis nudum, uincat ut ille, latus.
Tunc tibi mitis erit, rapias tum cara licebit
…..oscula: pugnabit, sed tamen apta dabit.
Rapta dabit primo, post adferet ipse roganti,.…… 55
….post etiam collo se implicuisse uelit.
Heu! male nunc artes miseras haec saecula tractant:
….iam tener adsueuit munera uelle puer.
At tu, qui uenerem docuisti uendere primus,
….quisquis es, infelix urgeat ossa lapis. .……………….60
Pieridas, pueri, doctos et amate poetas,
….aurea nec superent munera Pieridas:
carmine purpurea est Nisi coma; carmina ni sint,
….ex umero Pelopis non nituisset ebur.
Quem referent Musae, uiuet, dum robora tellus, .65
….dum caelum stellas, dum uehet amnis aquas.
At qui non audit Musas, qui uendit amorem,
….Idaeae currus ille sequatur Opis
et tercentenas erroribus expleat urbes
….et secet ad Phrygios uilia membra modos. ……..70
Blanditiis uolt esse locum Venus ipsa; querellis
….supplicibus, miseris fletibus illa fauet.”
Haec mihi, quae canerem Titio, deus edidit ore:
….sed Titium coniunx haec meminisse uetat.
Pareat ille suae: uos me celebrate magistrum, …..75
….quos male habet multa callidus arte puer.
Gloria cuique sua est: me, qui spernentur, amantes
….consultent; cunctis ianua nostra patet.
Tempus erit, cum me Veneris praecepta ferentem
….deducat iuuenum sedula turba senem. …………..80
Heu! heu! quam Marathus lento me torquet amore!
….Deficiunt artes, deficiuntque doli.
Parce, puer, quaeso, ne turpis fabula fiam,
….cum mea ridebunt uana magisteria.

(tibulo, trad. de joão paulo matedi alves)

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Um comentário sobre “álbio tibulo (60-19 a.C.), por joão paulo matedi alves

  1. Raquel Nascentes disse:

    Estou estudando Tibulo na disciplina de Literatura Latina na Universidade Federal de Pernambuco. Fiquei grata à página e ao autor pelo que pude ler e conhecer melhor deste poeta latino. Semana que vem iremos discutir a elegia 1.4 que se traduz inicialmente a um ato jocoso, por utilizar o hino de forma que provoque o riso.

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