poesia, tradução

hart crane por anderson lucarezi

Harold Hart Crane, nascido em 1899, em Ohio (EUA), foi um dos nomes de relevância do chamado modernismo norte-americano. Filho de pais que viviam em conflito, passou boa parte da vida em desentendimento com o pai, que era um bem sucedido comerciante de doces que criticava o filho pela excessiva dedicação à poesia e pela pouca dedicação a qualquer trabalho que pudesse garantir um futuro estável. Tendo começado a escrever cedo, veio a publicar seu primeiro livro – White Buildings – em 1926. Sua obra mais reconhecida, no entanto, é The Bridge, um longo poema publicado em 1930 que se assemelha, esteticamente, a The Waste Land, de T.S. Eliot. Muito ligado ao álcool, o poeta se suicidou em 1932, saltando de um barco em meio ao golfo do México. Entre seus escritos, encontrou-se um grupo de poemas aparentemente preparados para publicação – Key West: An Island Sheaf.

Logo abaixo, um poema em tradução de Anderson Lucarezi. No primeiro número impresso do escamandro, que logo sairá, teremos mais traduções.

PS: Anderson Lucarezi nasceu em São Paulo, em 1987. Formado em Letras (2012), é escritor e tradutor. Publicou “Réquiem” (2012), pela Editora Patuá. Dedica-se, no momento, à tradução de Key West: an Island Sheaf, de Hart Crane. Mantém o blog de poesia e tradução tudo-esta-dito.blogspot.com.

escamandro

OLD SONG

Thy absence overflows the rose, –
     From every petal gleam
Such words as it were vain to close,
     Such tears as crowd the dream. 

So eyes that mind thee fair and gone,
     Bemused at waking, spend
On skies that gild thy remote dawn
     More hopes than here attend.

The burden of the rose will fade
    Sped in the spectrum’s kiss.
But here the thorn in sharpened shade
     Weathers all loneliness.

CANTIGA ANTIGA

 A tua ausência transborda a rosa, –
     De cada pétala com brilho
Tal palavras vãs se silenciosas,
     Tal pranto que povoa o idílio.

O olhar que te nota, encanto e sumiço,
    Indolente ao acordar, gastará
Em céus que douram teu dia remisso
     Mais crenças que as que há por cá.

O peso da rosa há de sumir,
    Beijo fugaz de assombração.
Mas aqui o espinho em mordaz matiz
    Suporta toda a solidão.

(Hart Crane, trad. de Anderson Lucarezi)

Padrão

Um comentário sobre “hart crane por anderson lucarezi

  1. HART CRANE tem uma pérola traduzida por Lucarezi em Escamandro impressa (vol.#1) que é The Hive (A colméia, não corrija, não adotei o bendito acordo ortográfico). É um dos alvos prediletos de Paul Mariani em sua obra “God an the imagination” (On poets, poetry, and the infefable). Bravo! Lucarezi.

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