poesia, tradução

uljana wolf

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Uljana Wolf (Berlim, 1979) é poeta, tradutora e editora formada em Germanistik, Anglistik e Kulturswissenchaft, pela Humboldt Universität, em Berlim. Tem dois livros de poesia publicados: kochanie ich habe brot gekauft (2005) e falsche freunde (2009) e já recebeu alguns prêmios literários, tais como o Peter-Huchel-Preis, Dresdner Lyrikpreis e o Villa Aurora grant in Los Angeles. Além disso, traduziu para o alemão alguns poetas de língua inglesa, como Matthea Harvey, Christian Hawkey, Erín Moure e Cole Swensen, e coeditou o Jahrbuch der Lyrik (2009). Atualmente mora em Nova York.

Logo abaixo, um poema em tradução de Guilherme Gontijo Flores. No primeiro número impresso do escamandro, que logo sairá, teremos mais traduções, dentre as quais também de autoria de Ricardo Pozzo.

Guilherme Gontijo Flores (Brasília, 1984) é autor de brasa enganosa (Patuá, 2013), tradutor de Rainer Maria Rilke (As janelas, seguidas de poemas em prosa franceses) e de Robert Burton (A anatomia da melancolia, em 4 vols.) É professor na UFPR e atualmente prepara uma tradução das Elegias de Sexto Propércio.

Ricardo Pozzo é escritor, fotógrafo, músico e blefador. Participa do coletivo Pó & Teias. É editor assistente e responsável fotográfico pelo Jornal RelevO. Realiza a curadoria do projeto Vox Urbe do Wonka Bar, dedicado à literatura.

PS: confiram nosso post anterior sobre Wolf, com mais mais alguns poemas da autora, clicando aqui.

escamandro

           

aos cães de kreisau

ai minimatilhas de malhados cães de vila: falsos
rabos patas parcas focinhos sobre a cerca

a rua é sua junto ao pó na orla do asfalto
é sua a noite que ecoa no vale adormecido

cada eco é seu: a repercussão contorcida
do som dos montes do rosnar hierárquico

das ondas ladrantes: primeiro hercúleo então gigan
tesco no ressoar quase só uma galinha sabe:

aqui quem não brada nem baba é tomado
pelo bando em gargantas em chama perde o lugar

feito lobo etc. vocês medem o mundo na baixada
dominam cada estrada cada estranho e a mim –

é sua a minha trilha o meu passo sem compasso
a minha panturrilha         enfim fora da vila

           

nachtrag an die kreisauer hunde

wer sagt gedichte sind wie diese hunde
im dorfkern vom eignen echo umstellt

vom warten und scharren bei halbmond
vom sturen markieren im sprachrevier

der kennt euch nicht ihr rasenden kläffer
kassandren im lautrausch der wallachei

denn ihr fügt was wort ist und was wade
hinterrücks in tollkühnem biss

zusammen als wär ein bein nur ein blatt
und die ordnung der dinge ein tausch:

in meinem stiefel noch der abdruck
eurer zähne – vom tacker vier zwacken

so lohnt ihr dem vers der euch nachlief
folgt welt wohl der dichtung        bei fuß

(Uljana Wolf, tradução de Guilherme Gontijo Flores)

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