poesia, tradução

francis ponge, por adalberto müller

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francis ponge (1899-1988) é o grande poeta antilírico francês do século xx, graças a procedimentos peculiares como a pesquisa etimológica & o poema em processo (ou “poema-canteiro-de-obras”), de modo que já tantas vezes aproximado do nosso velho cabral pelo menos desde joão cabral de melo neto, escrito por benedito nunes em 1971, pela persistente objetivação da impressão.

sua obra hoje já é bem conhecida no brasil & talvez a mais influente dentre os poetas de sua geração, já que felizmente contamos com a tradução dos poemas d’o partido das coisas (2000, trad. de adalberto müler,  carlos loria & outros), d’a mesa (2002, trad. de ignacio antonio reis & michel peterson) & d’a mimosa (2003, trad. de adalberto müller), além dos ensaios de métodos (1997, trad. de leda tenório da motta).

abaixo segue uma tradução de adalberto müller para um poema tirado de le parti pris des choses (o partido das coisas), com fotos gentilmente cedidas pelo próprio müller. algumas outras traduções suas podem ser conferidas no blog da revista modo de usar & co.

guilherme gontijo flores

* * *

RUM DAS SAMAMBAIAS

Embaixo das samambaias e dos seus belos brotinhos terei uma perspectiva do Brasil?
Nem madeira de construção e nem feixes de fósforos: espécies de folhas empilhadas no chão que um velho rum molha.
Brotando em ramos de breve pulso, essas virgens prodigiosas sem tutores:  uma vasta embriaguez de palmas que perderam todo controle e escondem cada qual dois terços de céu.

(Francis Ponge, “Rhum des fougères”. Le parti pris des choses, Gallimard,1942.)

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RHUM DES FOUGERES

De sous les fougères et leurs belles fillettes ai-je la perspective du Brésil?
Ni bois pour construction, ni stères d’allumettes : des espèces de feuilles entassées par terre qu’un vieux rhum mouille.
En pousse, des tiges à pulsations brèves, des vierges prodiges sans tuteurs : une vaste saoulerie de palmes ayant perdu tout contrôle qui cachent deux tiers chacune du ciel.

(tradução & fotos de adalberto müller)

 * * *

Adalberto Müller nasceu em Ponta Porã/MT em 1966. Traduziu, com Carlos Loria, parte de O Partido das Coisas , de Ponge  (Ed. Iluminuras, 2000) e poemas de E.E. Cummings (O Tigre de Veludo e outros poemas, Ed. da UnB), poemas de Paul Celan em revistas. Publicou os livros de poesia Enquanto velo teu sono (7Letras, 2003) e Silêncio do fogo, escrita das cinzas (Ed. Raquel, 2011). É professor de Teoria da Literatura e Cinema na UFF. Dirigiu, com Ricardo Carvalho, o curta Wenceslau e a árvore do gramofone, baseado em poemas de Manoel de Barros.

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