poesia, tradução

Irit Amiel (1931), por Luciano R. Mendes

Irit Amiel

Irit Amiel nasceu em Częstochowa, na Polônia, em 1931, sua origem judaica (a família de seu pai, Leon Librowicz, provavelmente consistia de judeus fugidos de Portugal e estabelecidos em terras alemãs cerca de 400 anos antes, de onde foram para a Polônia). Durante a Segunda Guerra Mundial ficou algum tempo no Gueto de Częstochowa, de onde escapou. Com documentos falsos e a ajuda de poloneses católicos, sobreviveu à Shoah. Depois da guerra conheceu Itzak Cukierman, uniu-se à Bricha e emigrou para Israel. Lá viveu inicialmente em um Kibutz e, depois, em Tel Aviv.

Sua carreira literária começou bastante tarde, apenas em 1994, com a coletânea de poemas de língua hebraica, ‘Exame do Holocausto’. Nos anos seguintes passaria a escrever poesia e prosa em língua polonesa, sempre a respeito dos temas da Shoah e da sua condição de sobrevivente.

Luciano R. Mendes

* * *

Starość

Z ciekawością i przerażeniem
jak w dziką knieję
wchodzę w starość

Stroma ścieżka
bezpowrotnie prowadzi
w dół

Nic nie powróci
Niczego nie da się naprawić
Co krok czyha zasadzka
W cieniu każdej paproci przepaść

Czy to już wyrok ostateczny?
Zniknę i wszystko potoczy się
jak gdyby nigdy nic

Beze mnie

Velhice

Com interesse e medo
como numa mata virgem
entro na velhice.

Um caminho íngreme
que inevitavelmente leva
para baixo.

Não tem volta.
Nada pode ser corrigido.
Em cada esquina espreita uma emboscada
Na sombra de cada samambaia – um abismo.

Já é o juízo final?
Eu desapareço e tudo continua
como se nada acontecesse

sem mim

Soir de Paris

Moja pachnąca paryskim wieczorem matka
pozostawiła na świecie szarą smugę dymu,
plik pożółkłych listów żydowskiej dziewczyny,
u progu szczęścia i nieszczęścia,
i moje stare żylaste dłonie muskające
o szarej godzinie głowy jej sześciu
izraelskich prawnuków.

Soir de Paris

Minha mãe de cheiro de anoitecer em Paris
deixou no mundo um rastro de fumaça cinza,
uma pilha de cartas amareladas de moças judias,
no limiar entre felicidade e tristeza
minhas velhas mãos musculosas acariciando,
à hora cinzenta, as cabeças de seus seis
netos israelenses.

Nie zdążyłam

Nie zdążyłam do Treblinki na czas
przyjechałam spóźniona o pięćdziesiąt lat
drzewa stały nago bo była jesień
chciałam uciec natychmiast
bo jak rekwizyt stał tam rdzewiejący pociąg
i cicho szumiał las.
Było pięknie szaro spokojnie pusto
i tylko wiatr muskał ziemię drzewa
kamienie i nas
gasząc naszą świeczkę
raz po raz.

A Dita powiedziała – widzisz dobrze że nie zdążyłaś
i teraz jesteś moją starą mamą i objęła mnie mocno
i zaśmiała się smutno

Não cheguei a tempo

Não cheguei a tempo em Treblinka
atrasei-me uns cinquenta anos
as árvores nuas pois era outono
e eu queria fugir de uma vez
pois lá estava, como uma réplica, o trem enferrujado
e os murmúrios quietos da floresta.
Era o vazio: belo, cinzento e plácido
só o vento tocava a terra e as árvores
as pedras e nós
apagando as velas
uma a uma.

E Dita disse – veja só, que coisa boa que você se atrasou
e agora é a minha velha mãezinha e me abraçou com força
e sorriu com tristeza.

Ukraińska Akwarela

Na górze jest modre niebo
Popstrzone białymi chmurkami

Na dole jest beżowy dół
wysypany różowymi cukierkami

Na krawędzi dołu stoją szare
żydowskie dzieci z żółtą łatą

Dwaj zielonkawo-szarzy Niemcy
stoją na seledynowej murawie

Popielate dzieci skaczą do dołu
po porozrzucane cukierki

Pierwszy Niemiec szkarłatnie strzela
do nich kiedy są jeszcze w powietrzu

Drugi obrzuca je różowymi cukierkami
jak na Bar-Mycwie w Synagodze

A na lśniącej klamrze pasa obaj mają
napisane Gott mit uns

Aquarela Ucraniana

Em cima, o céu cerúleo
Manchado com nuvens brancas

Em baixo o solo bege
polvilhado com doces cor-de-rosa

E na beirada de baixo estão cinzentas
crianças judias com faixas amarelas

Dois alemães cinza-esverdeados
contra um muro verde celadon

As crianças cinzentas saltam para baixo
atrás das balas espalhadas

O primeiro alemão dispara projéteis escarlates
enquanto eles ainda estão no ar

Os segundo os cobre com doces cor-de-rosa
como no Bar-Mitzva, na Sinagoga

E nas fivelas dos cintos os dois levam
a inscrição Gott mit uns.

(poemas de Irit Amiel, trad. de Luciano R. Mendes)

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