poesia, tradução

Poetas e poemas Tang a partir de William Carlos Williams (pt. 2), por Danilo Augusto

2 - Liu-Zongyuan

II – Liu Chung-Yuan e Ho Chin-Chang
Trad. para o Inglês: William Carlos Williams (com David Rafael Wang) /Trad. para o português: Danilo Augusto

III
LIU CHUNG-YUAN, 723-819

Os passarinhos voaram pra longe das montanhas,
A marca do homem sumiu de todos os caminhos,
Mas sob uma vela solitária um velho se agacha,
Pescando em meio à tempestade de neve.

The birds have flown away from the mountains,
The sign of men has gone from all the paths,
But under a lone sail stoops an old fisherman,
Angling in the down-pouring snow.

IV
HO CHIH-CHANG, 659-744

Retornando após ter deixado meu lar na infância,
Mantive meu sotaque mas não a cor dos meus cabelos.
Confrontando as crianças sorridentes que me cercam,
Sou inquirido de onde vim.

Returning after I left my home in childhood,
I have kept my native accent but not the color of my hair.
Facing the smiling children who shyly approach me,
I am asked from where I come.

2 Ho Chih-Chang (simbolo taoista)

* * *

Liu Chung-Yuan, também conhecido como Liu Zongyuan , nasceu em 773 na, hoje, Yongji, província Shanxi. Foi um dos fundadores do Movimento de Prosa Clássica e é lembrado como um dos grandes mestres da prosa da Dinastia Tang e Song. Exilado devido à suas pretensões reformistas contra o império, deu inicio à sua atividade literária longe da sua terra natal. Escreveu famosos poemas, fábulas, ensaios e relatos de viagem que sintetizaram e sincretizaram aspectos do budismo, confucionismo e taoismo da época. Algumas de suas peculiaridades são o forte pessimismo presente na maior parte de seus escritos assim como um caráter teórico que o distancia dos poetas anteriores.

 

Ho Chih-Chang, nasceu em 659 na atual Jinhua, província de Zhejiang. Foi um poeta da Dinastia Tang e servidor do império Su Tsung que – apesar de ter poemas de Li Po dedicado a ele – obteve reconhecimento tardiamente. Após se aposentar, Ho Chih-Chang se formou como sacerdote taoista e passou a vagar em reclusão e despender tardes em uma “pesca sem isca”, tendo o próprio barco como moradia. Sobre ele há pouquíssimas informações online. Fora a edição “The Making of an Immortal: The Exaltation of Ho Chih-chang” de Russel Kirkland (indisponível para acesso), parece que seu percurso nas letras ocidentais foi diminuto. Em uma das suas enxutas biografias consta que uma vez seu amigo ofereceu a própria casa para que Ho Chin-Chang abandonasse sua pobre morada em um bote, mas que ele, famosamente, respondeu: “prefiro passar com as gaivotas em suas casas de nuvens do que enterrar meu eu etéreo sob o pó”.

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