poesia

Heyk Pimenta

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foto de Náthaly Weber

Heyk Pimenta tem 28 anos, é mineiro de Manhuaçu e mora no Rio de Janeiro com a Marianna, e em breve com o Zoé. Participou das exposições S.O.S Poesia no Museu de Arte do Rio e Poesia Agora no Museu da Língua Portuguesa. Lançou os livros Sopro sopro (2010, Edições Maloqueiristas), Poemas“(2014, Cozinha Experimental) e escreveu A serpentina nunca se desenrola até o fim, no prelo pela editora 7letras. Toda quarta toca junto com um timaço a Oficina Experimental de Poesia, que acontece no Méier. http://heykpimenta.blogspot.com

* * *

Dois dias antes da conferência

Todas as pessoas que conheço
querem
ou vão querer
ser
incendiárias

quando sonham veem o lobo
umas veem o caçador
poucas se veem pastando
juntas
ao lado do lobo
que também pasta
sem conseguir
já não tem dentes

Todas as pessoas que conheço
querem
ou vão querer
ser
incendiárias

a cheia diz
barragem

atendem a fazem

mas cada litro seu tem placas de ferro nos ombros

dentro das casas
os moradores viram barragens
dos berços dos chiqueiros
mas a água acha pouco
o tutano deles
têm ossos moles
e os leva

a cheia diz
barragem

e lhe dão as costas

chumbam roldanas nas casas
enfeitam remos
ensaiam ladainha
de navegação

Todas as pessoas que conheço
querem
ou vão querer
ser
incendiárias

Não é por isso que os cavalos
aceitariam os ternos que lhes fazemos
e também não plantam hortas ou flores
guardam um pedaço do bruto puro
que por tanto tempo
vestiram
pensativos
ainda nos dão garupa
por cortesia e para nos
contar das assembleias
¿quantos pistões carrega o amor desses partidários?

Todas as pessoas que conheço
querem
ou vão querer
ser
incendiárias

Mesmo as que só querem
queimar o vizinho
têm como ninguém
um plano ideal
para o mundo

sei de quem junte dinheiro
e estoque querosene em casa

o lobo de cada uma
guarda
papéis dobrados
nos bolsos
sobre o que fazer
com o fogo

fico pensando o que
esses lobos de óculos que passam
as manhãs lendo nas padarias
pensam de nós ao dobrarem
pernas tão finas

são elegantes como ciganos
……………………………….vampiros
………………………..falsificadores
……………………………….de uísque

mas levam megafones
na valise

já vi mais de um
me olhar com doçura

ficamos mesmo para trás
amarramos o sapato antes
de vestir
não serviu

talvez consigam ainda
aprovar a escravidão

devolvo o olhar com condescendência

aos doces o dulcíssimo

Todas as pessoas que conheço
querem
ou vão querer
ser
incendiárias

a maioria quer
nisso
um jeito de quebrar
os relógios

§

Calcário

“Muitas cores tem o peito
por fora, uma
todas se revelam dentro”
Gabriel Rath Kolyniak

fechou o bar o túnel vai pouco
fica o grito dos meninos o de amor
o de dinheiro
passa
todos os dias com a caixa
mais vazia o jornaleiro

desci as escadas corri
o derrubei da bicicleta

de dentro dele antes das peles
lento eu o encurralei
ele que nunca fica

o ajudei a levantar
uma mão na sua

empurrei                calcário             seu peito fundo
no meu
peito
tem cavalos os preguiças e unhas
e verniz e brilho e abraços

a outra mão na cintura

dancei com o jornaleiro
pela calçada

o conduzi à rua

§

Mar ruim

o paraíba
de ferrugem
intestinal
aparece à janela
da poltrona 11
na dutra

agora
de espelhos
mineral
tem sono e me dá o braço               seguirmos juntos

ele
que vai sobre as barragens
as leva consigo
toma por sereias suas moças
faz marinhos seus cavalos
logo abre os dedos
não me pode acompanhar

baixou a guarda posso ver
as pedras redondas às beiras
suas praias meninas

as pontes
não levantam mais a saia
têm você nas solas
poça rasa                paraíba
por amor
queimaram com ferrete             no peito na cara
as ombradas que rugiu

sua testa caprina

o amarelo dos ipês e da mrs
é seu cortejo seus            batedores
encontro nas curvas esperam você

mas as casas agradecem
puderam furar os cascos
não flutuam mais

rio paraíba do sul
mãe do vale
perdeu o feminino alagadiço
não precisa mais parir
pode descansar

mas se chover
vejo você
Boi Aríete matando
a fome

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