poesia

Yasmin Nigri

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Yasmin Nigri (1990), carioca, é graduada em Filosofia pela Universidade Federal Fluminense, onde cursa atualmente o mestrado na linha de Estética e Filosofia da arte. É membro da Oficina Experimental de Poesia, que acontece toda quarta-feira, no Méier. Feminista, cofundadora e integrante do coletivo DISQUE MUSA, participa também de um cartel lacaniano vinculado à Escola Brasileira de Psicanálise. Teve poemas publicados já na revista Mallarmargens.

 

Antídoto para impossibilidades e paralisias

Estamos pisando sobre os restos
Única maneira de não esquecer

Irina bebe às vezes respira
Hoje é o último capítulo da novela

Rastreador ligado
Por livre e espontânea assinatura

Vai pro futuro, Olga,
Um carro de dois lugares

Quantos morreram na Liberdade
Em nome da Ordem

Macha não sabe aonde quer chegar
Andrei se entregou a um ponto fixo

Rompe uma luz perdida
Eles não sabem por onde pisam

Fios de sangue varridos
Massacres Esquecidos

Uma prisão chamada entretenimento
Uma prisão de classes

Subindo pela língua
Os rostos refletidos no asfalto

As lanternas da Liberdade estão
Queimadas afogadas sem vestígio

Como é o olhar dos motoristas
De caminhão pipa

Que não têm água em casa
Que não têm água em casa

 

Planos de fuga e outros assuntos

Hace mucho tiempo,
le dijimos adiós
a los nombres de las nueve musas
y vimos a la ecuación cuadrática empacar
su maleta.

Você me lembrou que os tatuís sumiram da praia de Copacabana
enquanto eu cavava a areia com os dedos

me bota pra pensar
me bota de quatro
me bota as calças e adeus
que é chegada a hora do lobo

Vamos viver de agricultura orgânica em Lumiar!
Também quero que o moço do telemarketing vá

um rapaz de 21 anos me saudou com
“alô você”
eu ri

ainda assim quero ir embora daqui
ainda assim quero ir embora daqui

em plena terça feira ele veio
me comeu e ainda pagou pelas pizzas
e refri que eu não tomei

como os pedaços de pizza
que sobraram
no café da manhã
enquanto leio Pedro Lage

sem café
café tem me tirado o sono
sabe como é
uma voz interna escarnece violenta
                  – tudo tem te tirado o sono
menos café

e essa irritação na língua
              , que insistem chamar de afta,
que não passa

 

                                              ________ resiste a qualquer operação racional

Jogaram fermento biológico em mim e cresci, depois solei

Por trás do olho o númeno

Em nome de quê você ficou assim?

todo ato é falho
todo gesto está fadado ao fracasso
toda imagem anula e conserva uma potência
toda estrutura é fragmentária_________

Sonhei que a veia
verde que pul-
                          sava
nas suas mãos

             sal
                   tava
sobre mim

de súbito ganhei asilo

 

 

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