poesia

Marcus Groza

Marcus Groza (2)

Plumas de Cacto

hoje eu não lhe amo
por nada
nem se você matar uma família inteira
dessa gente da máfia dos ônibus
morreria de orgulho
mas nem por isso nem por nada
hoje nem se você me contasse
que da mesma forma que
estamos aqui vendo o nascer
do sol poderíamos ter nascido
chineses da china assistindo
ao pôr-do-sol num telão de led
tendo ao fundo o céu envenenado
nem por isso eu choraria nem por
isso me aninharia em seus braços
aliás hoje lhe digo que nem se você
lavasse os pés dos desvalidos
com a água que usa pra lavar cristais
nem se aquele raro travesseiro
de plumas de cacto você trouxesse
hoje eu não lhe amo
por nada

§

Composição Sentítulo

aprendo
a tática
dos gravetos

me aninho
em labirintos
e territórios alheios

se perco
quebro inflamo
ou falo sozinho

não é porque
a febre dos sinais
me galope a esmo

cego
aceno o diálogo de poucos
porcos especialistas em pérolas

mudo
de discursos e sílabas
ora teimosia de um barco a velas

ora colossal
qual monstro ou surdo
ritmando mínimos tremores de terra

cajado inimigo
tacape em punho
invisíveis cirurgias nas vértebras

* * *

Marcus Groza é palavrero e devoto do céu violado. Autor do livro Sossego Abutre (Ed. Patuá), donde foram tirados os poemas acima, e coeditor da Revista Saúva e da Revista Abate.

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