poesia, tradução

Henri Michaux por Ricardo Corona

Retratos dos Meidosems: Henri Michaux

O poeta belga (naturalizado francês) Henri Michaux empenhou-se a criar realidades e a inventar seres em uma busca por um tanto do “outro lado”. Para isso, parte significativa da sua vida foi dedicada a experiências externas, anotações de um “bárbaro”, em viagens a Ásia, Europa, América, e experiências internas, com uso de haxixe e mescalina. Daí a sua radicalidade ao inventar países e povos como o País da Magia, Poddema, etc. Para Michaux, inventar seres e realidades era também um modo de elaborar distâncias e alargamentos, ética encontrada nos povos visionários, da qual o poeta aproximou sua escrita. 

Desta poética da viagem é que se potencializa o estranhamento provocado pelos Meidosems. Seres descolados da realidade, que se movem entre o sólido e o fluido, que estalam e se alargam, seres esquisitos que desestabilizam o referente e rebaixam a metáfora, que são muitos, uma população, num país Meidosem. Seres desconfigurados, elásticos, com rostos abrasados e esgotados. Seres que ferem e estão feridos. Um Meidosem jamais possui imagem definida e talvez nem pertença à imaginação.

Os vizinhos são os cronópios e famas de Cortázar, os marcianos de Ray Bradbury e o uapiti de Boris Vian. Mas vivem em realidades diferentes. Certamente os Meidosems têm algum grau de parentesco com o homem reduzido a fio de Ponge, as finas figuras de Giacometti e, claro, o Odradek de Kafka (que Michaux leu).

Já se disse que os Meidosems são “seres surreais”. Melhor não repetir isso. Apenas coincidem com a chegada do surrealismo. Michaux sempre relativizou essa associação, chegando a dizer que em seus textos (entenda-se toda sua obra) não havia sequer duas linhas de escrita automática. Por isso, quem sabe, tenha se negado a participar de importante antologia surrealista. Porém, Michaux manteve ligações com os surrealistas e isso Blanchot o disse muito bem. Mas é uma ligeireza cômoda assimilar essa poesia somente via surrealismo.

Há a relação destes fragmentos Meidosems com Marie-Louise, esposa do poeta. Chantal Maillard propôs recentemente essa leitura – sem reduzi-la a isso. O fato é que os fragmentos saíram publicados cinco anos após Marie-Louise sofrer um terrível acidente que marcou a vida do casal. Ao acender a lareira, a roupa de nylon de Marie-Louise pegou fogo e seu corpo sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus, levando-a ao óbito um mês depois, por causa de uma embolia pulmonar. Michaux: “É difícil caminhar assim”. Os Meidosems sofrem, estão feridos…

No entanto, das leituras dos Meidosems, talvez a mais interessante seja aquela que deixa os textos à sombra e no seu falar obscuro. “Um corpóreo-incorpóreo, um corpo-alma”, nas palavras de outro comentador, Raymond Bellour.

O livro Meidosems foi publicado inicialmente por uma pequena editora, Le Point Du Jour, em 1948. Em edição de luxo com 70 fragmentos e 13 litografias do autor, com tiragem de apenas 271 exemplares. Um ano depois, acrescido para 95 fragmentos, foi publicado sob o título definitivo de Retratos dos Meidosems, em edição comercial pela Editora Gallimard.

A seguir, 19 dos 95 fragmentos que compõem Retratos dos Meidosems. A  tradução tem por referência a edição La Vie dans les plis. Œuvres complètes, tomo II. Organização de Raymond Bellour em colaboração de Ysé Tran. Coleção Bibliothèque de la Pléiade (n°. 475), Paris: Gallimard, 2001.

Ricardo Corona

* * *

DesenhoHenriMichaux

C’est aujourd’hui l’après-midi du délassement des Meidosemmes. Elles montent dans les arbres. Pas les branches, mais par la sève.

Le peu de forme fixe qu’elles avaient, fatiguées à mort, elles vont la perdre dans les rameaux, dans les feuilles et les mousses et dans les pédoncules.

Ascension ivre, douce comme savon entrant dans la crasse. Vite dans l’herbette, lentement dans les vieux trembles. Suavement dans les fleurs. Sous l’infime mais forte aspiration des trompes de papillons, elles ne bougent plus.

Ensuite, elles descendent par les racines dans la terre amie, abondante en bien des choses, quand on sait la prendre.

Joie, joie qui envahit comme envahit la panique, joie comme sous une couverture.

Il faut ensuite remener à terre les petits des Meidosems qui, perdus, éperdus dans les arbres, ne peuvent s’en détacher.

Les menacer, ou encore les humilier. Ils s’en reviennent alors, on les détache sans peine et on les ramène, emplis de jus végétal et de ressentiment.

Hoje é a tarde de descanso das Meidosemeas. Elas sobem nas árvores. Não pelos galhos, mas pela seiva.

Mortas de cansaço, perderam nos galhos, nas folhas, os líquens e os pedúnculos da pouca forma estável que possuem.

Subida bêbada, suave como sabão penetrando na sujeira. Rapidamente na ervinha, lentamente nos velhos álamos. Suavemente nas flores. Sob a ínfima, porém, forte inalação das trombas de borboletas, elas deixam de se mover.

Em seguida elas descem pelas raízes para dentro da terra amiga, abundante em tantas coisas, quando se sabe colher. 

Alegria, alegria que invade como invade o pânico, alegria como ficar sob o cobertor.

Em seguida é preciso reconduzir ao chão as crias dos Meidosems que, perdidas, desvairadas nas árvores, não podem soltar-se delas.

Elas ameaçam as crias, ou, ainda, humilham-as. Ao passo que, caem em si, facilmente as soltam, trazendo-as de volta cheias de sumo vegetal e ressentimento.

§

Organes épars, courses rompues, intentions prises dans la pierre. Le solide vous a ainsi. En tessons de vous-même. Le solide tant désiré vous a enfin.

Disloqués, en morceaux, genoux de l’élan. Etrange palissade meidosemme.

Órgãos espalhados, corridas interrompidas, intenções retidas na pedra. Assim o sólido agarra você. Em cacos de você mesma. Ao final, o sólido tão desejado agarra você.

Desmembrados, em fragmentos, joelhos de elã. Estranha paliçada Meidosemea.   

Grand, grand Meidosem, mais pas si grand somme toute, à voir sa tête. Meidosem à la face calcinée.

Et qu’est-ce qui t’a brûlé ainsi, noiraud?

Est-ce hier? Non, c’est aujourd’hui. Chaque aujourd’hui.

Et elle en veut à tous.

Calcinée comme elle est, n’est-ce pas naturel?

Grande, grande Meidosem, mas não tão grande depois de tudo, a começar pela sua cabeça. Meidosem de rosto calcinado.

E o que te queimou assim, moreno?

Foi ontem? Não, hoje. Cada dia de hoje.

E está ressentido com todos.

Calcinada como ele está, não é natural?   

§

La grande lance diagonale qui, du haut en bas du Meidosem faiblissant, s’est implantée pour le retenir. Est-ce qu’elle va pour finir le retenir?

Du front au genou, grande béquille sans moelle. Traverse impérieuse, à la dureté militaire.

Tuteur féroce, tu veux tuer ou tu soutiens?

A principal lança diagonal, atravessada da cabeça aos pés do Meidosem debilitado, está ali para sustentá-lo. Será que o sustentará até o fim? 

Frente ao joelho, grande muleta sem medula. Atravessa imperioso, de rigidez militar.

Feroz tutor, você se sustenta ou quer se matar?

§

Pas seulement le Christ a été crucifié. Celui-ci aussi l’a été, Meidosem inscrit dans le polygone barbelé du Présent sans issue.

Bien au-delà d’une sentence de juge, bien au-delà d’un écroulement de villes.

La plénitude de sa plaie l’isole de l’accident.

Il pâtit comme on règne.

Cristo não foi o único crucificado. Esse Meidosem foi também, inscrito no polígono farpado do Presente sem saída.

Mais que a sentença de um juiz, que o aniquilamento de cidades.

A plenitude da sua chaga o isola de qualquer acidente.

Ele padece como se reina.

§

Très peu soutenus, toujours très peu soutenus, les voilà encore, leur colonne de vertèbres (sont-ce même des vertèbres?) transparaissant sous l’ectoplasme de leur être.

Ils ne devraient pas aller loin.

Si, ils iront loin, vissés à leur faible, en quelque sorte forts par là et même presque invincibles…

Muito pouco sustentada, sempre muito pouco sustentada, eis mais uma vez, sua coluna de vértebras (são mesmo vértebras?) transparecendo sob o ectoplasma do seu ser.

Elas não devem ir muito longe.

Sim, elas irão longe, parafusadas à sua debilidade, com alguma sorte grande e apesar de tudo, quase invencíveis.

§

DesenhoHenriMichaux2

Sur un corps mou, une tête de proie et de prise, de domination passée, comme un tracteur arrêté un après-midi sur les sillons d’un champ pas fini d’être labouré.

Macle de tessons, de cristaux, de blocs.

La lumière y arrive droite, en repart droite, n’est entrée nulle part.

La farouche noyau pétré attend, sur un corps vague, étranger, hétérogène, le clivage salutaire qui l’ouvre et le soulage enfin.

Sobre um corpo mole, uma cabeça de presa e de tomada, de dominação passada, como um trator parado uma tarde nos sulcos de um campo que não terminou de arar.

Macla de cacos, de cristais, de blocos.

A luz aí chegou reta, voltou reta, não entrou em nenhuma parte.

O esquivo caroço pétreo espera, sobre um corpo vago, estranho, heterogêneo, a clivagem salutar que o abra e por fim o alivie.

§

Bovin Bouddha de sa bête…

Le monde inférieur se médite en lui sans défaire ses courbes, et paît le Meidosem, l’herbe invisible des douleurs remises en place.

Il domine? Non; seulement il n’est pas égalé.

Bovino Buddha de seu bicho…

O mundo inferior nele medita sem desfazer suas curvas, e o Meidosem pasta-lhe a grama invisível das dores entregues no lugar.

Ele domina? Não; mas niguém é igual a ele.

§

Un nuage ici fait un nez, un large nez tout répandu, comme l’odeur autour de lui, fait un oeil aussi, qui est comme un paysage, son paysage devant lui, et maintenant en lui, dans la géante tête, qui grandit, grandit démesurément.

Uma nuvem aqui feito um nariz, um largo nariz todo alongado, como o odor em redor dele, feito um olho também, que é como uma paisagem, a paisagem em sua frente, e agora nele, dentro da cabeça gigante, que cresce, cresce desmedidamente.

§

Profils en forme de reproches, profils en forme d’espoirs déçus de jeunes filles, voilà ces profils meidosems.

Concaves par-dessus tout, concaves attristés, mais pas larmoyants.

Pas d’accord pour le dur, pas d’accord pour les larmes. Pas d’accord.

On ne les a jamais qu’entr’aperçus, les Meidosems.

Perfis em forma de censuras, perfis em forma de ilusões frustradas de jovens filhas, eis os perfis Meidosems.

Côncavos, acima de tudo, côncavos entristecidos, mas não lacrimosos.

Não aceitam birras nem lágrimas. Não concordam.

Nunca são vistos mais do que fugazmente, os Meidosems.

§

Meidosem qui s’envole par un rideau, revient par une citerne.

Meidosem qui se jette dans un ruisseau, se retrouve dans un étang. Oh étrange, étrange naturel des Meidosems.

Meidosem que levanta voo por uma cortina, voltando por uma cisterna.

Meidosem que se joga num córrego e se retorna num tanque. Oh, estranha, estranha natureza dos Meidosems. 

§

DesenhoHenriMichaux3

Et voici quelques-uns des lieux où vivent les Meidosems, étranges en vérité; étrange qu’ils acceptent d’y vivre…

E aqui alguns dos lugares onde vivem os Meidosems, realmente estranhos; estranho é que aceitem viver neles…

§

Il faut le dire, ils vivent surtout dans des camps de concentration.

Les camps de concentration où vivent ces Meidosems, ils pourraient n’y pas vivre. Mais ils sont inquiets comment ils vivraient s’ils n’y étaient plus. Ils ont peur de s’ennuyer dehors. On les bat, on les brutalise, on les supplicie. Mais ils ont peur de s’ennuyer dehors.

É preciso dizer, eles vivem, sobretudo, em campos de concentração.

Os Meidosems que vivem nos campos de concentração poderiam escolher em não viver ali. Mas se inquietam sobre como seria viver em outra situação. Eles têm medo de entediar-se fora dali. Ali são espancados, maltratados, torturados. Fora dali eles têm medo de se entediar.

§

Ici une plaine mamelonne éperdue vers le Meidosem qui s’arrête stupéfait, lâchant son travail, auquel il était pourtant fort oecupé, lâchant tout pour obéir à la fatale fascination.

Les élastiques de son être se tendent, se gonflent.

Ce n’est peut-être pas si dangereux qu’on pourrait croire.

Aqui uma planície mamilosa desvaira em direção ao Meidosem que se deteve, estupefato, largando seu trabalho, no qual estava bastante empenhado, deixando tudo para obedecer à fatal fascinação.

Os elásticos do seu ser se tensionam, se dilatam.

Talvez não seja tão perigoso quanto se poderia imaginar. 

§

Une corde dans une tour, il s’enroule dans la corde. Fait! Il se rend compte qu’il y a erreur. Il s’enroule dans la tour. Il se rend compte qu’il y a erreur. Elle fléchit, elle se tord. Il faut la redresser. Il reçoit trois singes et elur fait les honneurs de la tour. Les singes s’agitent et la réception n’est pas parfaite. Cependant la tour est là, il faut monter, il faut descendre, il faut remonter avec deux singes sur les bras et un troisième qui en veut à ses cheveux. Mais le Meidosem est bien plus distrait que le singe. Le Meidosem songe toujours à autre chose.

Ce frêle songe à plus frêle encore, quand, arrivé au bout de l’agitation de ses quelques fils, après un temps pas tellement long, il sera comme s’il n’avait jamais été.

En attendant, il faut d’autres tours. Pour voir plus loin. Pour pouvoir s’inquiéter de plus loin.

Uma corda dentro de uma torre se enrola em corda. Feito! Ela se dá conta de que há erro. Enrola-se na torre. Cai na real de que há erro. A torre dobra, inclina-se. Tem que reerguer-se. Acolhe três macacos e lhes faz as honras da torre. Os macacos estão agitados e o acolhimento não está perfeito. Entretanto a torre está lá, ele tem que subir, tem que descer, tem que voltar a subir com dois macacos nos braços e um terceiro que se apega ao seu cabelo. Mas o Meidosem é bem mais distraído que o macaco. O Meidosem sempre sonha com outra coisa.

Esse débil sonha em ser mais débil ainda, quando, por fim, domada a agitação de seus poucos fios, após um tempo não muito longo, ele será como se nunca tivesse sido.

Enquanto isso, outras torres fazem falta. Para ver mais longe. Para poder se agitar de mais longe.   

§

Ici est le vieux palais aux longs couloirs où picorent les poules, où l’âne vient passer la tête. Tel est le vieux palais. C’est à plus de mille que les Meidosems s’y tiennent, à bien plus de mille.

Tout est à l’abandon. Personne n’est servi. Personne n’a ce qu’il lui faudrait. Le toit est mauvais. Ils ont seulement, qu’ils tiennent en commum, qu’ils ne lâchent jamais, quatre mauvaises cordes.

Sans elles, même dans le palais, ils ne seraient pas à l’aise. Quant à sortir sans, pas question. Ils seraient épouvantés. Et déjà ils sont épouvantés quand ils les ont dans la main, épouvantés qu’on ne les leur coupe. Et on les leur coupe. Aussitôt tous ensemble se jettent à renouer les morceaux coupés, s’embrouillent, tombent, se font menaçants.

Il y a bien d’autres cordes. Mais avec d’autres, ils auraient peur de s’étrangler par mégarde.

Aqui está o velho palácio com longos corredores onde ciscam as galinhas, onde o asno vem mostrar a cabeça. Tal é o velho palácio. São mais de mil os Meidosems que nele estão, bem mais de mil.

Está tudo degradado. Ninguém é cuidadoso. Ninguém tem o que lhe é necessário. O telhado está péssimo. Ao menos eles têm em comum quatro cordas ruins que não afrouxam nunca.

Sem elas, mesmo dentro do palácio, não estariam à vontade. Quanto à sair sem elas, está fora de questão. Eles ficariam horrorizados. E já estão horrorizados com elas nas mãos, horrorizados com a ideia de que se partam. E se as cortam. Logo, todos juntos se jogam para reatar os pedaços cortados, embrulhando-se, caindo, fazendo-se ameaçadores.

Existem muitas outras cordas. Mas com outras, eles teriam receio de se estrangularem por descuido.      

§

DesenhoHenriMichaux4

Quel paysage meidosem est sans échelles? De toutes parts, jusqu’au bout de l’horizon, échelles, échelles… et de toutes parts têtes de Meidosems qui y sont montés.

Satisfaites, vexées, ardentes, inquiètes, avides, braves, graves, mécontentes.

Le Meidosems d’en bas qui circulent entre les échelles travaillent, entretiennent famille, paient, paient à des encaisseurs de toute tenue qui arrivent constamment. On dit d’eux qu’ils ne subissent pas l’appel de l’échelle.

Qual paisagem Meidosem está sem escadas? Por todos os lados, até a linha do horizonte, escadas, escadas… e em todo lugar, cabeças de Meidosems trepados nelas.

Satisfeitas, vexadas, ardentes, inquietas, ávidas, bravas, sérias, descontentes.

Os Meidosems embaixo, que circulam entre as escadas, trabalham, sustentam família, pagam, pagam para uns cobradores de toda ordem que chegam sem parar. Destes se ouve dizer que não suportam ao apelo da escada.

§

Il étend la surface de son corps pour se retrouver.

Il renie la présence de lui-même pour se retrouver.

Il vêt d’une chemise quelques vides pour, avant l’autre Vide, un petit semblant de plein.

Ele expande a superfície do seu corpo para se reencontrar.

Ele renega sua própria presença para se reencontrar.

Ele cobre com a camisa alguns vazios para, antes de outro Vazio, obter uma breve aparência de plenitude. 

§

Sur un toit, il y a toujours un Meidosem. Sur un promontoire, il y a toujours des Meidosems.

Ils ne peuvent rester à terre. Ils ne peuvent s’y plaire.

Dès que nourris, ils repartent vers la hauteur, vers la vaine hauteur.

Em cima de um telhado, sempre há um Meidosem. Sobre um promontório, sempre há Meidosems.

Eles não podem ficar no chão. Não se sentem à vontade.

Desde que alimentados, voltam às alturas, às vãs alturas.

* * *

Ricardo Corona é autor de vários livros e publicações de artista, dos quais, destaca-se: Mandrágora (Brasil-Paraguai, YiYi Jambo Cartonera, 2016), Cuerpo sutil (México, Calygrama, 2014), ¿Ahn? (Madri, Poetas de Cabra, 2012), Curare (SP, Iluminuras, 2011 – Prêmio Petrobras e finalista do Jabuti/2012), Amphibia (Portugal, Cosmorama, 2009). Traduziu, entre outros, Livro deserto (2013), de Ceciia Vicuña e, com Joca Wolff, Momento de simetria (2005) e Máscara âmbar (2008), de Arturo Carrera.

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