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Jota Mombaça (1991-)

jota2

“todas as cidades são inóspitas”, meu amor

soterram eu y tú y elx mombaça, ciborgue no i-mundo

em natown, cidade alagadiço fronteiriça; a pior cidade baldo desde drésden

elx atravessa o poema corpo-colônia

em hellcife, cidade alagadiço fronteiriça; a pior cidade baldo desde drésden

elx desrritorializa o poema  gordopass

em cempausycinzas, cidade alagadiço fronteiriça; a pior cidade baldo desde drésden

elx abre o poema 1 ku

em fodaleza, cidade alagadiço fronteiriça; a pior cidade baldo desde drésden

elx fode o poema essa cartografia do desterro

& em qinghai & anse-à-galets & novukuznetski & beira ou chimoio

em todo & qualquer lugar que pisa jorrajogaexplode:

um petardo nas consciências tranquilas,

 

“Eu não tinha onde fazer arte. Não tinha formação. Não tinha formatura. Fazer passar intensidades de artista por um [espaço vazio] se transformou em meu ofício. Faço isso desde que me entendo – incerto, variegado, cambiante. O que tenho para chamar de obra são resíduos dessas passagens intensivas que conduzem a territórios variados: políticas da cidade, políticas da subjetividade, da sexualidade, políticas poéticas, e algo sobre viver a vida como uma forma inacabada de arte.” // estamos a te verouvir, monstrx:

Jota Mombaça que é chamadx Monstrx, K-trina, Erratik. y lemos:
umx one hit artist pop guerrilheirx, bruxx políticx, performer e pesquisadorx del kuir em contextos sudakas, terceiro-mundistas, transfronteiriços e de mestiçagem estética, ética, visual, linguística, política, étnica, sexual e epistêmica.
y ouvimos:

K-trina Errátik a compor pop-guerrilhas como declaração de guerra das bichas do terceiro mundo. pode brechar 😉

nina rizzi

 ***

O ESTADO DA ARTE E O DESERTO DO COMUM

 

meia-palavra aos leitores hipócritas
(21/7/2011)

Críticos de arte, intelectuais, nobres, acadêmicos, políticos, pagãos e crentes, artistas, bobos da corte, produtores culturais, músicos, escribas servis, colunistas imbecis, cartunistas, detratores, cegos e videntes, libertários velhos e seus filhos publicitários, publicitários, todos os publicitários, empresários, donos de bares, bares, médicos e doentes, atores, fingidores, maquiadores, idiotas coroados, enterrados e expoentes.

 §

 

artistas do mercado de trabalho, uni-vos !
(24/9/2011)

dai-vos as mãos
agora.

depois silêncio nas antessalas,
passos em falso,
minas no quintal de casa –
acirradas competições para eleger a obra
mais bem paga.

dai-vos as mãos
depressa.

antes de desafinar a ópera,
narinas de platina,
veias desertas na cidade –
enormes zumbis de concreto
velho.

dai-vos as mãos
sem medo.

e fechem os olhos,
e rasguem a língua.
com a benção dos padres,
se encham de publicidade (!)
da felicidade
na publicidade.

  §

 

com carinho
(28/1/2014)

 onde está você, cachorro magro?

terá deslizado das prateleiras, escritor mal vendido,
soterrado sem vida no amontoado de livros de uma loja de departamentos,
onde outrora um outro fixou olhares num retrato de Anna Akhmátova?

ficou preso às elipses, encurralado nos armários,
triste e infame, passando da meia-idade,
com os olhos vidrados, numa sala secreta do prédio do governo?

resíduo de cidade, por onde você caminha agora?

de um confinamento a outro, miserável mas sadio, é verdade que anda gordo,
comendo os rabos mais fáceis, e se perguntando se teria sido grande
caso tivesse ousado escrever as coisas caladas em respeito ao pai?

pergunte ao pó, cachorro magro, da tua geração em frangalhos,
conte os cacos e as condecorações, faça a matemática.

quanto mais esperaremos para que tua memória, teus livros,
tuas aspirações de grandeza, tua carne cinza,
sequer se deduzam da geografia arruinada da terra natal?

ou você também procurará bumbas-meu-boi na night zombie da metrópole?
e forjará folclores, enquanto eu chupo tuas bolas e outros escuros?

  §

 

 o deserto do comum
(7/9/2016)

entre a luta e a estética
nos farão pagar com sangue todos os pedágios

em coquetéis, bienais,
eventos importantes,
pagaremos – e é incontornável que paguemos –
com sangue todos os pedágios

a dívida histórica, nós a pagaremos
com sangue, porra ou outra função da carne
e em vez de contê-la, prolongaremos
de modo que ainda por muito tempo
para contornar a extensão do império
e passear entre as gentes e mundos
tenhamos de pagar com nosso sangue
todos os pedágios

se equilibrar por pontes precárias
entre um penhasco e outro

cada dia mais longe de casa
e por tão pouco

“estamos vencendo!”

 ***

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Um comentário sobre “Jota Mombaça (1991-)

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