poesia

Ana Carolina Figueiredo de Assis

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Ana Carolina Assis é poeta e educadora. Mora em São Gonçalo desde que nasceu, em 1991, e ainda investiga esse trânsito mato-asfalto ao ir pro Rio. Cursa o mestrado na UFF, pesquisando poesia, corpo e esquizofrenia em Adília Lopes e Stela do Patrocínio. Tem poemas publicados na Revista Garupa. Constrói a muitas mãos a Oficina Experimental de Poesia desde 2015 e esse ano publicou com el_s o Almanaque Rebolado (2017, Açougue, Cozinha Experimental e Garupa).

* * *

aos 16 parou de tocar piano os pássaros e as geografias dos homens
(para a joana)

a luz laranja
atravessava a pedra
era impossível

sobre a rocha gigante
detrás do vidro
antes da fome

da rocha aparente
manchada laranja

não sei se musgo
líquen raiz

criavam liga
e uma pedrinha
equilibrada
era impossível

e seria preciso
derrapar o carro
perder o olho
a liga
e as pontas

você dizia dos pássaros e da geografia dos homens e que estudou piano com a vó embora tenha parado aos 16

uma pedra sobre
a rocha gigante
sustentava a queda
d’água o abrigo dos
pássaros lentes

que só funcionariam
caso parássemos
o carro

coisa que não fizemos
pela mínima fome
que nós acometia

você dizia da acidez extrema entre as coxas e das vitórias-régias e do pincel mergulhado na sopa de cores trocadas e que viveu aqui desde os 11

a pedrinha sobre
o fundo laranja
nos olhava
fundo

e dizia eu não sou daqui
como disseram muitas vezes
aquelas mulheres

§

pássaro morto não é guerra, eu te dizia
e por isso não se pode
suspendê-lo como um
boi
ou proteger a carne
das carapaças

e rangiam teus pés na escada
já são muitos vermes
roendo o corpinho

sim, a fuligem das penas
dos olhos minúsculos
pretos
tinta aos besouros
que pronto chegaram
mas já eram toco a carambola
a fruta do conde
e os restos da feira

eu que nunca troquei de casa
agradeço por não cair do ninho

§

ponte presidente costa e silva

agora sabíamos
cidade de Ilhabela
aquele cargueiro
pro qual correr
caso rasgassem contratos

suas crostas
crustáceos agora sabíamos
feito cascos de tartaruga
guardavam – casa
de corpos –
segredos

vigas guardavam
dos corpos a maior parte
agora sabíamos
caldo de caranguejos
e areia lavada

corpos que cuspiram
como caroços de ameixa
seu gosto por trocas
agora sabíamos

eu te dizia dos
corpos secretos
sob a frágil pele
da ponte

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