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Aleyda Quevedo (1972–), por Thiago Ponce de Moraes

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Foto de Anaís Madrid.

Aleyda Quevedo (Quito, 1972–) é uma poeta, jornalista, ensaísta literária e gestora cultural equatoriana. Publicou diversos livros, entre os quais se destacam Jardín de dagas (2014, México, 2016, Toulon, edição em castelhano e francês, 2017, La Habana) e Soy mi cuerpo (2006, Quito y 2016, Quito). Ao longo dos anos, tem participado de inúmeros encontros, feiras de livro e festivais internacionais de escritores. Sua poesia está traduzida a diversas línguas, como francês, inglês, hebraico e sueco. Na atividade de curadora literária, organizou antologias importantes, como 13 poetas ecuatorianos nacidos en los 70, 2008, Venezuela e De la ligereza o velocidad que también es perfume, 2012, Cuba. É colaboradora da revista de artes e literatura Vallejo&CO e coordena o selo independente Ediciones de la Línea Imaginaria.

 

thiago ponce de moraes

* * *

Corales

No importa la profundidad del descenso
o la imposible maleza derramada en el camino.
Es largo y frío el viaje sobre oscuros caballos.
Ejercicio de inmersión y belleza piadosa
hasta pisar altos jardines de coral negro.
Entre mi dolor –que conozco tanto desde el lodo-
y el universo poco explorado por la falta de tus palabras,
me queda flotando la impenetrabilidad de la música y la sal.
Las medusas atrapadas entre mis pestañas me jalan rápido.
Más no importa el precio del descenso.
Es necesario volver al camino consciente del miedo
y el aliento del océano golpeándome en la nuca. 

Corais

Não importa a profundidade da descida
ou a impossível mata espalhada no caminho.
É longa e fria a viagem sobre escuros cavalos.
Exercício de imersão e beleza piedosa
até pisar altos jardins de coral negro.
Entre minha dor – que conheço tanto desde a lama –
e o universo pouco explorado pela falta de tuas palavras,
me deixa flutuando a impenetrabilidade da música e do sal.
As medusas presas entre meus cílios me puxam rápido.
Mas não importa o preço da descida.
É necessário voltar ao caminho consciente do medo
e do alento do oceano a me bater na nuca.

§

Ámbar
a E. M.

Enjambre de agua, eterna en su no huella. Duda líquida y abierta al fluir. Profunda inmersión del goce. Arriba o abajo, el lugar de los dos, aunque nada de eso importe ahora que tomamos el baño perfumándonos con esta resina. Entrar en tu cuerpo y encontrar el ámbar, un ejercicio de buceo sin el equipo adecuado. Da igual si estás arriba y yo abajo, o los dos suspendidos en el agua tibia y azulada de la tina pulida. Lisura de mi piel. Relieves en tu cuerpo. Flemas transparentes de un árbol sin nombre. Espuma que torna sinuosos dos cuerpos que no saben de dónde vinieron para encontrarse. Romero y pétalos perfumando el agua ya casi fría del vidrio molido que lo torna todo de un verde que erecta. Norte en tus pulmones y el sur queda debajo de mis axilas. Porcelana y fibra de vidrio, líquenes blancos y algo de aire alcalino que llega desde otra profundidad. Dos cuerpos secan al sol incalculables gotas. Los dos se miran sabiendo del fulgor del ámbar. Teoría y práctica furiosa de un hallazgo sobre la piel que saca humores gélidos del corazón.

Âmbar
a E. M.

Enxame d’água, eterno em não ter rastro. Dúvida líquida e aberta ao fluir. Profunda imersão do gozo. Em cima ou embaixo, o lugar dos dois, ainda que nada disso importe agora que tomamos banho nos perfumando com esta resina. Entrar em teu corpo e encontrar o âmbar, um exercício de mergulho sem equipamento adequado. Dá no mesmo se estás em cima e eu embaixo, ou os dois suspensos na água quente e azulada da banheira polida. Lisura da minha pele. Relevos em teu corpo. Fleumas transparentes de uma árvore sem nome. Espuma que torna sinuosos dois corpos que não sabem de onde vieram para se encontrar. Alecrim e pétalas perfumando a água já quase fria de vidro moído que o torna todo de um verde que erige. Norte em teus pulmões e o sul fica embaixo das minhas axilas. Porcelana e fibra de vidro, líquens brancos e algo de ar alcalino que chega de outra profundidade. Dois corpos secam ao sol incalculáveis gotas. Os dois se olham sabendo do fulgor do âmbar. Teoria e prática furiosa de um achado sobre a pele que tira humores gélidos do coração.

§

Brazada

Curtida la piel, gastados los ojos, aprendí a bucear desnuda entre corales y piedras cortantes. Brazada abriendo el lenguaje: mantener el codo más alto que el brazo, las imágenes más brillantes son música.

Braçada

Curtida a pele, gastos os olhos, aprendi a mergulhar nua entre corais e pedras cortantes. Braçada abrindo a linguagem: manter o cotovelo mais alto que o braço, as imagens mais brilhantes são música.

§

Escribo de tu cuerpo para que no llegue el olvido
No sé otra manera de retenerte si no es escribiéndote
Desde luego, con cierta angustia de que se me escapen detalles.

Escrevo de teu corpo para que não chegue o esquecimento
Não sei outra maneira de prender-te que não seja te escrevendo
Desde já, com certa angústia de que se me escapem detalhes.

§

El granizo ha comenzado a disolverse
Hilos helados corren entre las piedras y las ramas amargas
Parecería que nada se quemó
Que nada fue despojado de su belleza
Tan solo las flores del arupo lucen crispadas
Cristalizadas por tanta pasión del agua
que ha comenzado a disolverse.

O granizo começou a se dissolver
Fios gelados correm entre as pedras e ramas amargas
Pode parecer que nada foi queimado
Que nada foi despojado de sua beleza
Tão só as flores de arupo luzem crispadas
Cristalizadas por tanta paixão d’água
Que começou a se dissolver.

§

Volutas de humo brotan de las piedras porosas
Volutas de humo salen del corazón esponja que ha sabido amarte
Humo transfigurado en dolor como si fuera escrito en agua.

Espirais de fumo brotam das pedras porosas
Espirais de fumo saem do coração-esponja que soube te amar
Fumo transfigurado em dor como se fosse escrito em água.

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