poesia

Ramilla Souza

ramilla

Ramilla Souza é escritora, atriz, fotógrafa e migrante. Natalense moradora de São Paulo, atualmente, ela tenta não ser consumida pelo ritmo da cidade. E tem conseguido.

***

Eu não sei nada sobre o amor
Além dos poemas que li
Das declarações dos amigos
Sobre como deveria ser
Sobre como eles amam
Tanto e com tanta intensidade
Como se o amor preenchesse
Cada canto escuro de suas vidas
Cada beco
Do inconsciente
Cada comportamento sombrio
Cada obsessão sem sentido
Mas eu
Eu não sei nada sobre o amor
Além dos planos de fuga
Que traço
Enquanto me agarro
Na barra da sua calça
Abraçando suas pernas
O rosto na pélvis
E penso
Em como seria pular as janelas
Dos banheiros
Dos restaurantes que frequentamos
Em como direi
Firmemente
Que não é isso
Não é nada disso
Não era amor
Não assim do jeito que dizem
De verdade
Mas, eu nem acho que eu seja mesmo
Capaz deste amor
Do jeito que eu venho
Me escondendo até então
Fingindo grandes paixões
E arrebatamentos
Corações em chamas
Sozinha no escuro pensando em cair fora
Em escapar pela estrada
Mais próxima
Pra aninhar mais uma vez
A ideia de ser uma outsider
Porque o que eu gosto mesmo
É da ideia de ser uma outsider
Uma praticante do amor livre
Quando na verdade
Eu só quero ser importante
E ter a história mais engraçada
Mais interessante
Para contar

§

 

Minha mãe é uma árvore de raízes-varizes
Caminha nas minhas veias esta insanidade
Minha mãe é um mar que me afoga
Passei a vida inteira tentando respirar
A lembrança do que me mantem no mundo
Uma mão me segurando
Os erros repetidos outra e outra vez
O poder de uma oração
Ancestral
Uma criança
Perdida no Alecrim
No sol de meio dia
Em Natal

£

 

Coloco você na conta das minhas dores
Junto com minha mãe, meu passado, Natal
Estou aumentando a conta das minhas dores
Estou guardando cada uma no meu estômago, no meu ventre
Tenho fé e deixo doer
Espero
Amputo membros imaginários
Estou só

£

 

Eu me quebraria inteira na sua casa
Os cacos espalhados na sala
Você me varre embaixo da geladeira
Enquanto eu procuro minha calcinha no chão

£

 

A pele flutua
Acima da carne
Meus braços longos
Alcançam o outro lado
Do quarto
(Do seu
coração?)
Meus braços
Longos
Foram feitos para voar

Bato asas
Em pé na janela
Meus braços longos
Perfuram
Todos os caminhos
(Aqueles que devem
ser abertos)

Deslocam nuvens
São um impacto
Para o meio-ambiente

Não voam
Meus braços longos
Foram feitos
Para cair

(Toda fé, toda areia do chão, todos os raios do sol. Eu absorvo)

£

 

No meu peito
Uma roda gigante
De olhos abertos e fechados

***

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