tradução

Édipo de Sófocles, por Leonardo Antunes

oedipus

Louis Bouwmeester como Édipo numa produção holandesa de Édipo Rei, c. 1896.

“Qual é o propósito de traduzir de novo essa obra? Já não há traduções o bastante? Você acha que as outras traduções não são boas o bastante? Você acha que a sua é tão melhor assim?”

Essas são algumas coisas que todos ouvimos ao retraduzir um texto clássico. Tentarei oferecer algumas respostas mais ou menos objetivas para essas questões, mas a razão mais honesta e sincera para se traduzir um texto é simplesmente porque se ama.

Deixando de lado as paixões e tentando ser um pouco mais racional, o principal motivo pelo qual quis traduzir o Édipo Rei é de caráter musical. Temos excelentes traduções já, tanto em prosa quanto em verso, para a obra de Sófocles, mas desconheço, em Português, uma tradução que tenha se preocupado em recriar a musicalidade do texto grego nos trechos corais a partir de uma aproximação rítmica. A equivalência métrica já foi tentada amiúde para as falas das personagens, mas os trechos corais são comumente tratados de modo mais livre, pela dificuldade de reproduzir, em Português, a essência variegada dos ritmos gregos.

A partir de uma abordagem musical, em que se espera que uma melodia criada para o texto grego possa ser aplicada também à tradução, é possível, como tem se visto de modo admirável no trabalho do Pecora Loca (clique aqui, aqui & aqui. ufa!), fazer com que o texto português adquira um andamento novo.

Esta tradução ainda é um trabalho em andamento e pode sofrer algumas mudanças até sua versão final. Por ora, não irei apresentar o trecho coral em música pois estou usando melodias provisórias para a tradução. Para o trabalho acabado e visando uma performance encenada, com canto coral e dança, espero contar com a ajuda de mentes mais habilidosas para essas outras artes.

Leonardo B. Antunes é poeta, tradutor e professor de Língua e Literatura Grega na UFRGS. Seu trabalho de reconstrução musical da poesia grega pode ser ouvido aqui.

 

* * *

CORO

Doce mensagem de Zeus, quem és tu que da pluridourada
Pitó vieste à esplêndida
Tebas? Tremo em temor: coração pelo medo agitado.
Iéio Délio Peã!
Pasmo diante de ti, sem saber se me é
nova ou de mais estações que enfim tu me cobras a dívida.
Diz-me, ambrosíaca voz que nasceste à dourada Esperança!

Chamo-te, filha de Zeus, por primeiro, ambrosíaca Atena
com tua irmã, a sísmica
Ártemis sobre seu cíclico trono na praça
e Febo certeiro também. Oh!
Tríplice abrigo da morte, revinde-me!
Caso num dia anterior em prol da cidade, solícitos,
vós afastastes o fogo da peste, de novo mostrai-vos!

Ai! Incontáveis são os males que eu
trago. A cidade toda enferma está. Nem na mente eu encontro uma arma
para a defesa; nem vejo crescerem mais
os frutos da terra famosa; nem filhos
da dor do parto, gritante, às mulheres resultam.
Tu podes ver vida após vida, qual pássaro alado,
mais do que fogo invencível ir rápido
pro cais do deus ocidental.

É incontável na cidade a dor.
Jazem seus filhos sem lamento ao chão, exalando insepultos a morte.
Jovens esposas e mães já grisalhas se
dispersam com gritos em torno aos altares
gemendo em súplica à custa de lúgubres penas.
Lampeja o peã junto à voz dolorífera.
Nisso a áurea filha de Zeus encaminha-nos
a bela face do vigor.

Ares furibundo, que sem seu brônzeo escudo agora vem
queimar-me envolvido em gritos, te suplico
de novo longe desta pátria rápido
partires ou para o grande leito de Anfitrite
ou para as inóspitas ondas
lá dos mares trácios,
pois, se algo a noite não findar,
logo o dia vem e o faz.
Ó tu, que tens poder
sobre os raios rútilos,
Zeus pai, sob o teu relâmpago o aniquila!

Senhor Liceu, das auritrançadas cordas do arco teu
quero ver voarem as indomáveis flechas,
dispostas para a ajuda junto às rútilas
chamas que Ártemis lança sobre as montanhas lícias.
Invoco o de áureas láureas,
que dá nome à terra,
purpúreo Baco de evoé,
misto às suas mênades,
para aliar-se a nós
com brilhante tocha a arder
na luta ao deus sem honra dentre deuses!

(vv. 151-215)

Χορός

ὦ Διὸς ἁδυεπὲς φάτι, τίς ποτε τᾶς πολυχρύσου
Πυθῶνος ἀγλαὰς ἔβας
Θήβας; ἐκτέταμαι φοβερὰν φρένα, δείματι πάλλων,
ἰήιε Δάλιε Παιάν,
ἀμφὶ σοὶ ἁζόμενος τί μοι ἢ νέον
ἢ περιτελλομέναις ὥραις πάλιν ἐξανύσεις χρέος.
εἰπέ μοι, ὦ χρυσέας τέκνον Ἐλπίδος, ἄμβροτε Φάμα.
πρῶτα σὲ κεκλόμενος, θύγατερ Διός, ἄμβροτ᾽ Ἀθάνα
γαιάοχόν τ᾽ ἀδελφεὰν
Ἄρτεμιν, ἃ κυκλόεντ᾽ ἀγορᾶς θρόνον εὐκλέα
θάσσει,
καὶ Φοῖβον ἑκαβόλον, ἰὼ
τρισσοὶ ἀλεξίμοροι προφάνητέ μοι,
εἴ ποτε καὶ προτέρας ἄτας ὕπερ ὀρνυμένας πόλει
ἠνύσατ᾽ ἐκτοπίαν φλόγα πήματος, ἔλθετε καὶ νῦν.
ὦ πόποι, ἀνάριθμα γὰρ φέρω
πήματα: νοσεῖ δέ μοι πρόπας στόλος, οὐδ᾽ ἔνι φροντίδος ἔγχος
ᾧ τις ἀλέξεται. οὔτε γὰρ ἔκγονα
κλυτᾶς χθονὸς αὔξεται οὔτε τόκοισιν
ἰηίων καμάτων ἀνέχουσι γυναῖκες:
ἄλλον δ᾽ ἂν ἄλλῳ προσίδοις ἅπερ εὔπτερον ὄρνιν
κρεῖσσον ἀμαιμακέτου πυρὸς ὄρμενον
ἀκτὰν πρὸς ἑσπέρου θεοῦ.
ὧν πόλις ἀνάριθμος ὄλλυται:
νηλέα δὲ γένεθλα πρὸς πέδῳ θαναταφόρα κεῖται ἀνοίκτως:
ἐν δ᾽ ἄλοχοι πολιαί τ᾽ ἔπι ματέρες
ἀχὰν παραβώμιον ἄλλοθεν ἄλλαν
λυγρῶν πόνων ἱκετῆρες ἐπιστενάχουσιν.
παιὰν δὲ λάμπει στονόεσσά τε γῆρυς ὅμαυλος
ὧν ὕπερ, ὦ χρυσέα θύγατερ Διός,
εὐῶπα πέμψον ἀλκάν.
Ἄρεά τε τὸν μαλερόν, ὃς νῦν ἄχαλκος ἀσπίδων
φλέγει με περιβόατον, ἀντιάζω
παλίσσυτον δράμημα νωτίσαι πάτρας
ἔπουρον, εἴτ᾽ ἐς μέγαν θάλαμον Ἀμφιτρίτας
εἴτ᾽ ἐς τὸν ἀπόξενον ὅρμων
Θρῄκιον κλύδωνα:
τελεῖν γὰρ εἴ τι νὺξ ἀφῇ,
τοῦτ᾽ ἐπ᾽ ἦμαρ ἔρχεται:
τόν, ὦ τᾶν πυρφόρων
ἀστραπᾶν κράτη νέμων,
ὦ Ζεῦ πάτερ, ὑπὸ σῷ φθίσον κεραυνῷ,
Λύκει᾽ ἄναξ, τά τε σὰ χρυσοστρόφων ἀπ᾽ ἀγκυλᾶν
βέλεα θέλοιμ᾽ ἂν ἀδάματ᾽ ἐνδατεῖσθαι
ἀρωγὰ προσταχθέντα τάς τε πυρφόρους
Ἀρτέμιδος αἴγλας, ξὺν αἷς Λύκι᾽ ὄρεα διᾴσσει:
τὸν χρυσομίτραν τε κικλήσκω,
τᾶσδ᾽ ἐπώνυμον γᾶς,
οἰνῶπα Βάκχον εὔιον,
Μαινάδων ὁμόστολον,
πελασθῆναι φλέγοντ᾽
ἀγλαῶπι ¯ ˘ ¯
πεύκᾳ ‘πὶ τὸν ἀπότιμον ἐν θεοῖς θεόν.

 

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2 comentários sobre “Édipo de Sófocles, por Leonardo Antunes

  1. Pingback: Édipo de Sófocles, por Leonardo Antunes — escamandro | O LADO ESCURO DA LUA

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