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Jesuana Prado

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Jesuana Prado, nasceu na periferia de Fortaleza-CE, nordeste brasileiro. Ganhou na infância, de seu primo,  o apelido de passarinho, e como quem prevê o futuro, ama voar. Pedagoga por formação pela Universidade Federal do Ceará e poetisa da vida por puro prazer.  Em 2014 iniciou uma viagem mochilando por alguns estados Brasileiros  divulgando seu primeiro livro Cotidiano Poético, lançado em Agosto de 2014, de forma independente. Gostou tanto do ativismo artístico cultural  literário da zona sul de São Paulo que desde setembro de 2016 é moradora da região. Atualmente, está na conclusão de seu segundo livro intitulado Ruar, também de poesias.

***

Anagapesis

Com o tempo
O que antes era dolorido
Agora já esqueceu da dor.
O que era presença no caminhar
Lado a lado pela madrugada
Hoje dá espaço a um gostar de cada passo
Mesmo que sejam só os meus passos.
Viver não há de ser um estado
Constante de dor…
Eu rompi com o itinerário habitual e
Gostei do novo espaço de tempo
entre meus pés…
Viver há de ser
um estado indeciso de tudo.

§

Eternidade

Acalanto minha saudade
no abraço imaginário que dou em minha mãe.
Eu fui partida
mas no soluço das ausências
sou presença.
Regresso,
puxando meu cordão umbilical…
renasço para o que hoje decidi ser
e meu laço materno é minha fortaleza
e nada é em vão.
Sinto a ancestralidade de ser
filha, mãe e avó
e sei
no aconchego do abraço de mainha
o que é eternidade.

§  

 

JOÃO DE BARRO

Ele me diz que sou pássaro
E não mereço a condição
De prisão em uma gaiola.
Eu louca (por ele)
Aceitaria uma morada
Que não o mundo.
Ele me diz que sou bicho solto
E eu por ele fincaria raízes.
Ah mundo tão injusto
Que fez meus passos seguirem
E em ti não me prender.
É que passarinho sem bater asas, morre.
E eu, sou vento,
Quem sabe em uma revoada… eu volto.

§  

 

EuMulherSelvagem

A mulher selvagem
que há em mim ressurge…
Não se submete a domesticação
De uma sociedade patriarcal.
Ela ressurge das profundezas do inconsciente
Para mostrar quem eu sou.

§

 

Cotidiano

Colore esses dias cinzentos
Sempre que possível.
Põe mais vida no dia-a-dia
De tuas agonias.

Celebra com. Alegria
Cada nascer e pôr do sol.
E vibra a cada lua que surge linda e única.

Desenha a tua essência
No solo do caminho trilhado
Para que, quem venha depois,
Saiba de teu valor.

No mais, viva escandalosamente
Cada fração de segundo…
Para te encheres da Glória do que é mais simples: o cotidiano.

§  

 

Ruar

Por eu ser terra
Não queira me ver
Com raízes fincadas
Em um único solo
Minhas raízes já se espalharam.
O mundo é minha casa.
Já estou na copa de minha árvore
Sendo levada pelo vento
Para outras pairagens.
sou terra
e sonho acarinhar todos os solos
sem fronteiras, sem arames nem farpas.
Sou terra, sou água,
Sou fogo, mas sobretudo sou ar
Que corre sem rumo
Nas estradas do destino
A mando de ninguém.
E eu já não sei ser fútil
Essa vida aqui que pulsa
Não sabe ser vã.
eu sou meu destino
basta um sopro
e eu
deixo o ar me levar… A ruar…

***

 

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3 comentários sobre “Jesuana Prado

  1. Samara Rodrigues disse:

    A vida nós da oportunidades fantásticas por que só para de andar quem já morreu . Comtinue assim guerreira e brava.bjs

  2. Olá, Nina, me chamo Bernardo e gosto muito da página, sempre bom conhecer os contemporâneos.
    Faço um convite pra você conhecer a minha página também, o vozes do silêncio, onde publico poemas do meu livro homônimo e outros inéditos. Quem sabe pode ser material para o escamandro também. Grande abraço!

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