poesia

2 poemas inéditos de Valeska Torres

valeska 2

Fotografia de Fernando Targino

Valeska Torres nasceu no Rio de Janeiro, Marechal Hermes em 1996. Mora em Irajá. Publicou poemas em Do rio ao mar, coletânea de poemas, crônicas e contos, nas revistas Mulheres que Escrevem Mallamargens, finalista do Slam das Minas RJ 2017 e vai publicar um livro em 2018 pela editora Kza1. Já apareceu aqui no escamandro com outros 2 poemas.

***

(Insira uma frase de Eva Perón)

do bico do peito

os que mamam em grandes tetas

o pingo de leite
branco
sobre a hispano américa amedrontada

sobra-nos:
1. os farelos,
2. o chupar de dedos,
3. pedaços de alfajor caídos sob o tapete do vizinho.

aos que não tomam leite
– esses que infestam a cidade com cartazes de desaparecidos –
restam-lhe
o café preto amargo

trepamos sobre essa cama, mas não nos lambemos
tampouco
partilhamos nossas línguas
falta-nos salivas

a cerveja o matte dividimos no poema após um pancho entre Catarmaca y Sarmiento

da goela
o pollo descendo abaixo
até o engasgo
yo soy soy yo
a balsa que atraca no Rio Paraná
a faca que corta o pão massudo
dentro
salsicha temperada de salsa crioulla

§

 

Nós dois cantando Sidney Magal no karaokê da Feira de São Cristóvão
Para o Fernando

Estação da Penha
desemboco perdida na linha de fuga, percebo
– como se percebem os furos de tatuí na areia de Grumari –
o grão de purpurina no fim do carnaval,
são quatro por dois isso que inflama o meu peito.
Não chupo a espinha do peixe,
não como mocotó,
mas ainda sonho em me bronzear sob o sol de Ramos
me banhar no piscinão
ao seu lado
com as mãos entrelaçadas as suas
bebendo itaipava.

Sou mulher de gostos caros, digo a você enquanto
rasga meu sutiã
gasto
por amaciantes.

Picho na murada do prédio
seu nome ❤ o meu
para que você saiba o quão merda eu sou
quando apaixonada.

Meus pais me apontam dedos disseram para não me perder demais
¡perigo águas profundas, correnteza e redemoinho!
É tarde,
depois de meia noite
nossos horários são verões.
É tarde e estou fudida
porque a foda tem o gosto do meu homem
e disso
os meus lábios não cansam.

*

 

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