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Tuti Curani (1990-), por Priscilla Campos

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Tuti Curani nasceu na cidade de Buenos Aires, em 1990. Fotógrafa, estuda desenho de moda e organiza o ciclo de leitura e música Club del Quibre. Descobri os seus poemas por acaso, enquanto visitava pela primeira vez a Feira Plana, evento de publicações independentes que acontece anualmente em São Paulo. Os poemas aqui selecionados fazem parte do livro El futuro ya no es lo que queria, da editora argentina Fadel & Fadel.

 

* * *

 

En el aire hay ruído

Hola corazón
milagro mi hora temprana
acá estoy
despierta en el aplauso
vos cómo estás allá
yo sigo latiendo en otro ritmo
tengo un poco tengo pegado
lo que absorbí anoche
es cierto ahora que en el aire hay ruído
pero igual no importa
yo tampoco entendí esos grafittis
que le hablan al que passa
creo que pierden el mensaje
ayer tiré una bomba y escondí la mano
creo que también te vinculás com eso
no me quiero seguir escapando del sentimento
¿como continua el estalle?
acá me llegó algo
junto las partículas
y te las mando por correo.

No ar há ruído

Olá coração
milagre minha hora antecipada
aqui estou
desperta no aplauso
você como está lá
eu sigo batendo em outro ritmo
tenho pouco mas tenho pego
o que absorvi ontem à noite
é verdade agora que no ar há ruído
mas de todo jeito não importa
eu também não entendi essas pichações
que falam ao que passa
acho que perdem a mensagem
ontem joguei uma bomba e escondi a mão
acho que você também está vinculado a isso
não quero seguir fugindo do sentimento
como a explosão continua?
aqui me chegou algo
junto as partículas
e te mando pelo e-mail.

§

 

El deporte

En el fondo de la oscuridad
hay un toque de cielo.
(Capaz está bien que te cuente mis pesadillas ahora.)
Tengo ganas
de hacer algún truco con mi cuerpo,
como sostenerme en vertical
o praticar la posición bollito.
Apelaría
al deporte de lo seguro.
Era suave ser dos y no estar ahogados
entre tanto estratega del tacto.
De él sí
guardo fotos en papel,
los archivos los borré
la misma noche en que firmamos el pacto
de no hacer eso que hacen todos
cuando extrañan el pasado.

O esporte

No fundo da escuridão
há um pouco de céu.
(Talvez seja bom que te conte meus pesadelos agora)
Tenho vontade
de fazer algum truque com meu corpo
como ficar na vertical
ou treinar a posição da bolinha
Apelaria
ao esporte da segurança.
Era suave ser dois e não estar afogados
entretanto estratega do tato.
Dele sim,
guardo fotos em papel,
os arquivos eu apaguei
na mesma noite em que firmamos o pacto
de não fazer isso que fazem todos
quando sentem saudade do passado.

§

 

Ahora vos

vos a los dieciséis
vos a los dieciocho
vos a los nueve
vos a los cinco viviendo algo horrible
yo a los diez
yo a los veinte
yo el año pasado llenándome la cabeza de sangre
ahora vos y tu abrazo
ahora el bar y tu abrazo
ahora las personas del fondo rellenan la escena
ahora tu abrazo lo mutea todo
ahora tu abrazo me da vergüenza
ahora tu abrazo es un sweater nuevo que emociona
vos a los veintinueve hablando conmigo
yo a los veinticinco hablando con vos
– no pensé que fuera a vivir estos años
no te lo digo –
ahora caminamos por el bar
yo te cuento historias sobre cada una de las personas que rellenan el fondo
los hacemos mierda
nos miran
al final del paseo me robás un beso
a mí me da vergüenza
a mí todo me da vergüenza
pero te lo devuelvo
ahora nos cruzamos com alguien que conocés
nos ecapamos de la conversación
ahora yo te agarro de la mano
nos metemos sin pagar en una fiesta
adonde pasan cumbia y bailamos
alguien te molesta y me pedís un beso
– vos a los veintinueve sacando uma vieja carta
no importa –
ahora bailamos como si conociéramos la banda
ahora nos besamos como si estuviéramos hace um montón en esto

Agora você

você aos dezesseis
você aos dezoito
você aos nove
você aos cinco vivendo algo horrível
eu aos dez
eu aos vinte
eu no ano passado enchendo minha cabeça de sangue
agora você e seu abraço
agora o bar e seu abraço
agora as pessoas do fundo preenchem a cena
agora seu abraço emudece tudo
agora seu abraço me dá vergonha
agora seu abraço é um sweater novo que emociona
você aos vinte e nove falando comigo
eu aos vinte e cinco falando com você
– não pensei que fosse viver esses anos
não te digo –
agora caminhamos pelo bar
e eu te conto histórias sobre cada uma das pessoas que preenchem o fundo
xingamos eles
nos encaram
no fim do passeio você me rouba um beijo
me dá vergonha
tudo me dá vergonha
mas te devolvo
agora nós cruzamos com alguém que você conhece
nós fugimos da conversa
agora eu te puxo pela mão
entramos sem pagar em uma festa
onde toca cumbia e dançamos
alguém te incomoda e você me pede um beijo
– você aos vinte e nove pegando uma velha carta
não importa –
agora dançamos como se conhecêssemos a banda
agora nos beijamos como se estivéssemos nisso faz tempo

§

 

Te banqué la etiqueta

Te banqué la etiqueta
de navegadores de lo contemporáneo
cuando me dijiste que lo posmoderno era negativo
y yo te respondí que peor era neobarroco.
Te banqué la etiqueta
cuando me pediste que no pensara
ni qué era eso que estábamos haciendo
perdendo el tiempo juntos a medias.
Te banqué la etiqueta
cuando las calles del centro se abrieron
y la noche no fue para nada amable
escuchando el sonido de una ideia al romperse.
Te banqué la etiqueta
cuando llorando me decías no sé qué me passa
por qué me persigue esta niebla
o por qué no me sale estar tranquilo.
Te banqué la etiqueta
cuando se habían vaciado todas las botellas
y nuestros amigos ya se habían ido
y el frío que entraba por tres centímetros de una ventana aberta
se llevaba toda posibilidad de palabras.
Te banqué la etiqueta
cuando ya después de tanto años
no hubo maniobra que fuera a salvarnos
de no sentir más nada entre nosostros.

Banquei o seu estereótipo

Banquei o seu estereótipo
de navegadores do contemporâneo
quando você me disse que o pós-moderno era negativo
e eu te respondi o neobarroco era pior.
Banquei o seu estereótipo
quando você me pediu que não pensasse
nem o que era isso que estávamos fazendo
perdendo o tempo juntos de qualquer jeito
Banquei o seu estereótipo
quando as ruas do centro se abriram
e a noite não foi nada amável
escutando o som de uma ideia ao se quebrar
Banquei o seu estereótipo
quando chorando você me dizia não sei o que se passa comigo
por quê essa névoa me persegue
ou por quê não consigo ser tranquilo
Banquei o seu estereótipo
quando haviam esvaziado todas as garrafas
e nossos amigos já tinham ido embora
e o frio que entrava pelos três centímetros de uma janela aberta
levava toda a possibilidade de palavras.
Banquei o seu estereótipo
quando já depois de tantos anos
não houve manobra que fosse nos salvar
de não sentir mais nada entre nós.

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