poesia

luís gomes (2000-)

23845325_1817608318269349_1725260702_nluís gomes, alagoano, de Maceió. 17 anos. poeta irresponsável. escreve no: luiszgomes.tumblr.com

***

dentro da fotografia

o comentário de um futuro
lá dentro
tudo
escuro

§

 

nona décima  e morta

1

primeiro nascer
o parto durou 8 horas meu amor o negócio é cesariana

2

chorar de dengo
motivo de conversa na vizinhança a manta é
azul demais ela é menina menina viada

3

mentir sobre
as consequências da festa

4

decepcionar-se com helena,
com  maria, com roberta, com  adalgisa
(mas pelo menos rir do nome adalgisa)

5

comprar acessórios cool
passar numa faculdade particular
ser cool falar que é cool mas
não saber falar inglês

6

esquecer de deus

7

abusar de alcaloides
quase morrer por isso

9

dormir no escuro entre
as unhas e os pelos do bigode

10

morrer
e o resto e o resto
pensa em deus chamar pra dançar de agonia
beijar a santinha

§

somente ou depois do almoço eu resolvo a vida
as mãos, as rugas, o sol no portão

o tempo entre a luz e a escuridão; o azul
da piscina imitando as ondas de um
mar de feriado. O coque, a miopia,
o desmonte. Os dedos trêmulos (físicos)
no frio da solidão. Não mais existe
um outro ventre, um outro ritmo de
sangue para sossegar o mundo:
deitar-se no chão, no chão de terra
parente, irmão mudo. Não mais existe
– mundo – existe o quintal, a chuva mansa
e sem perdão.

§
a luta diária
não é uma luta sem cor
a dor não é
simplesmente uma
de uma esquina prometo aos
homens que não puderam vir
a minha melhor roupa

§

 

piscinas áridos
quintais balas
perdidas
escombros
recolher-se aos cantos
silenciosos das festas

antes de qualquer explicação
já havia marcas na pele de
antes do nascimento

um nobre nome sobre os escombros
fantasmas de lençóis adormecem
sempre usar aquela camisa azul marinheiro

§

 

\ a cama silenciosa cobria a fuga da primeira luz
do dia \  são muitos os motivos a se definhar pelos veículos \
pelas correntes \ pelos córregos escrotos  \ pelos
vínculos desmoronados

#

\ sequestrar os segundos \ gastar todo o tempo
possível \ com calçadas e ventos de debaixo da \
pitangueira

#

\ não adianta sumir \ que tudo termina
assim mesmo \ o nosso cheiro preso \ é
impossível de se esquecer

#

\ às vezes é difícil acreditar \ em anjos \ quando
o precipício das mãos sequer toca \ a mucosa da
boca

§

 

o dia do morto

descer toda uma ladeira chorando ver
meu pai chorar ver minha mãe chorar ver
até o morto chorar

*

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