poesia, tradução

Primeira Ode Olímpica de Píndaro, por Mário Faustino (1930-1962)

BenQ Digital Camera

Zeus flanqueado por Enomau e Pélops.

Píndaro (522 a.C. — 443 a.C.) costuma ser o terror de todo tradutor, inclusive pra quem nem é da área de clássica. Não é difícil ouvir um maluco do grego falar que é impossível traduzir Píndaro, porque a sonoridade de Píndaro, porque a sintaxe de Píndaro, porque, porque, porque…. Questão é: o rapaz era, realmente, virtuose. Sua questão musical resultou até mesmo num trabalho de Abby Williams que tentou jogar a melodia do poeta grego em alguns trabalhos de Beethoven, Bach e Wagner. Vejam só quanto refinamento. Para ler mais sobre a questão musical de Píndaro, recomenda-se a tese de doutorado de Leonardo Antunes (clique aqui).

Mas esse post não é bem pra falar da virtuose ou do quão incrível era o Píndaro. É pra falar de quão incrível era Mário Faustino, cabra arretado.

Estava eu ano passado num encontro de classicistas (que mais parecia uma guerra de foice no escuro), quando um sujeito veio com essa coisa da impossibilidade de se traduzir Píndaro e apresentou a tentativa “bonitinha, engraçadinha, graciosa, mas diletante” de Mário Faustino – para depois ler a dele, que, em termos de poesia, dava um sono danado. Filólogos: poetas de final de semana.

Mário Faustino, que não sabia grego, fez a tradução abaixo a partir de duas traduções: da francesa de Aimé Pucch (em prosa) e da de Richmond Lattimore (em verso livre) para o inglês. Fico pensando como o amadorismo, às vezes, pode ser algo muito mais bonito. Penso no Cathay do Pound. Nas traduções, ainda inéditas, que o Guilherme Gontijo vem fazendo dos poemas amorosos egípcios. Penso que aquilo que Faustino opera é justamente um turvamento da noção identitária do original. Sua tradução é um cavalo de Tróia (cf. as páginas 85-86 do livro Algo infiel: corpo performance tradução). Recuperando, talvez, um imaginário poético clássico no qual as noções de original não importavam, Faustino assinala que as relações entre “imitação” e “original” são bem mais complicadas do que supõe nossa mente crítica moderna.

Não vou me alongar. Deixo aqui algumas traduções para o mesmo poema, caso o leitor queira comparar as versões. Tradução de Antônio Medina Rodrigues (clique aqui). Dissertação de mestrado de Sérgio Luiz Gusmão (clique aqui). Raphael Pappa Lautenschlager traduz alguns versos e comenta brevemente esta Ode de Píndaro em sua dissertação de mestrado (clique aqui). Por fim, uma tradução em prosa que consta no site Perseus (clique aqui). A tradução de Mário Faustino para esta ode de Píndaro foi publicada no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, no dia 3 de novembro de 1957.

ps: a versão original da tradução pode ser acessada aqui. Mas este não é link direto para a tradução. Portanto, para facilitar sua vida, leitor, busque pela edição 00256 do ano de 1957. A tradução consta na página 69.

* * *

I

Água: primeiro dos bens.
………………………………………..Mas Ouro
(chama acesa na noite) ofusca os tesouros inteiros
da altiva opulência: queres,
alma minha, cantar os Jogos?
…………………………………………….De dia não busques
Além do sol no ar deserto estrêla
mais ardente nem liça mais gloriosa,
mais cantável que Olímpia:
de lá vem a canção que estica as cordas
nos corações peritos
em celebrar-te, filho de Cronos: e êles vêm
por todos os caminhos rumo à mesa
(repleta) de Hierão.

manejador do cetro da justiça
na Sicília fecunda
e ceifeiro de todas as virtudes
em seus caules mais altos
e que sabe crescer com sua fama
pelo esplendor da música
enquanto nos deleita em mesa amiga.
……………………………………………………………..Anda!
tira do gancho a lira dórica
se ainda tens o coração domado
pela Cáris de Pisa – glória de Ferênicos,
quando êste disparou (sem chicote!) nas margens
do Alfeu, rumo à vitória
do rei de Siracusa, amador de cavalos;
………………………………………………………seu renome
esplende nessa terra de homens fortes
onde Pélops, o Lídio, foi morar,
Pélops,
………….por quem se apaixonou Posêidon (o
que cinge, firme, a terra) quando Clôto
o retirou do vaso puro, o ombro
marfim luzindo.
…………………………Grandes maravilhas
(e verdadeiras) estas, porém quantas
Fábulas enfeitadas de mentira
encantam nossas mentes
…………………………………para lá da verdade…

II

Cáris,
Cáris o gênio a graça a quem devemos
Tudo o que nos encanta
devolvendo-lhe as honras, quantas vêzes
transforma em verdadeiro o que é incrível
O futuro é a melhor testemunha – e mais seguro
é dizer bem dos deuses. Pois direi
assim, filho de Tântalo (ao contrário
do que dizem os velhos) direi que
quando teu pai retribuindo aos deuses
os convidou para impecável festa
sôbre o Sipilo – monte que êles amam –
nesse dia o senhor do luminoso
tridente arrebatou-te

o coração partido de paixão. Cavalos, carros de ouro,
levou-te ao céu de Zeus aonde mais
tarde iria Ganimedes
prestar ao próprio Zeus igual serviço.
Ao desapareceres, procurando-te
os homens de tua mãe sem descobrir-te
e voltando sem ti, alguém, vizinhos
inventaram – despeito – que, cortados
a faca, tuas pernas, braços (em
água fervendo) foram já no fim
do banquete servidos e comidos.

Chamar um deus de canibal? Eu nunca!
Quem escapa ao castigo da blasfêmia?
Se mortal houve honrado pelos donos
do Olimpo, êsse foi Tântalo; só que
lambuzou-se de mel, com tanta sorte; insaciável,
provocou monstruosa punição: a pedra
enorme que lhe ergueu o pai dos deuses
sobre a cabeça, êle esperando a queda
que nunca vem e o deixa um tanto triste …

III

Quarto suplício, junto a mais três, é acima
de suas fôrças: só por ter roubado
o nétar, a ambrosia (com que os deuses
o fizeram imortal) para dar aos amigos!

Como se engana aquêle que procura
esconder algo aos deuses…
…………………………………………Foi por isso
que resolveram devolver-lhe o filho
à desgraçada sorte humana. E quando
à flor da idade descobriu que o buço
o queixo começava a escurecer-lhe,
sonhou ganhar a noiva mais à mão,

Hipodaméia (filha ilustre de um
soberano de Pisa): a sós à noite ao pé
do mar grisalho o deus chamou que faz
rugir o abismo, o do tridente: e face
a face êste surgiu-lhe
…………………………………E disse Pélops:
“Escuta aqui, Posêidon, se tiveste
algum prazer com meu amor (presentes
deleitosos de Cípris), prende a lança
de bronze de Oinomáos, e cinge-me de fôrça
e leva-me à terra do Élis em teu carro mais rápido.
O homem já matou treze heróis, treze
pretendentes, para adiar o casamento

da filha! Quem é fraco nunca enfrenta
grande perigo: mas, se a morte é certa,
por que ficar sentado à sombra, à espera
duma velhice inglória? A mim correr
o risco; a ti dar-me o triunfo”.
Falou e não perdeu seu tempo: o deus
por sua glória deu-lhe um carro de ouro
e cavalos alados incansáveis.

IV

Tendo quebrado a fôrça de Oinomáos, levou a virgem
para o leito e houve dela seis
príncipes ardorosos.
……………………………….Ao pé do Alfeu, agora
com os mortos potentes se mistura
lá onde as multidões cercam seu túmulo
perto do altar acima
de todos venerado; mas a glória
de Pélops olha de longe lá de Olímpia
sôbre as arenas onde a ligeireza
disputa a ligeireza, a fòrça a fôrça.
(E o vencedor a vida inteira saboreia
alegria mais doce do que o mel

– pelo menos os jogos não traíram seus votos –
alegria que o dia passa ao dia
bem supremo de um homem…)

……………………………………………Quero eu
coroar esse rei no tom eqüestre
e no compasso eólio. Pois meu canto
em seu panejamento glorioso
jamais vestirá outro que reúna
o gôsto pelo belo
e a fôrça irresistível.
Hierão, algum deus por teus desígnios
vela: fique sempre a teu lado, que mais doce
a vitória te seja em carro agílimo.
Na colina de Cronos luminosa
irei buscar o veio de louvores
dignos de celebrá-la:
………………………………….pois a musa
para mim forja o dardo mais potente
Há grandezas de várias excelências,
a mais alta é dos reis. Não busques mais.
Pisem teus pés os cimos sempre, enquanto
a teu lado farei brilhar meu gênio
por toda parte, na vanguarda helênica.

 

ΙΕΡΩΝΙ ΣΥΡΑΚΟΥΣΙΩι ΚΕΛΗΤΙ

ἄριστον μὲν ὕδωρ, ὁ δὲ χρυσὸς αἰθόμενον πῦρ
ἅτε διαπρέπει νυκτὶ μεγάνορος ἔξοχα πλούτου:
εἰ δ᾽ ἄεθλα γαρύεν
ἔλδεαι, φίλον ἦτορ,
5μηκέθ᾽ ἁλίου σκόπει
[10] ἄλλο θαλπνότερον ἐν ἁμέρᾳ φαεννὸν ἄστρον ἐρήμας δι᾽ αἰθέρος,
μηδ᾽ Ὀλυμπίας ἀγῶνα φέρτερον αὐδάσομεν:
ὅθεν ὁ πολύφατος ὕμνος ἀμφιβάλλεται
σοφῶν μητίεσσι, κελαδεῖν
10Κρόνου παῖδ᾽ ἐς ἀφνεὰν ἱκομένους
μάκαιραν Ἱέρωνος ἑστίαν,
θεμιστεῖον ὃς ἀμφέπει σκᾶπτον ἐν πολυμάλῳ
[20] Σικελίᾳ, δρέπων μὲν κορυφὰς ἀρετᾶν ἄπο πασᾶν,
ἀγλαΐζεται δὲ καὶ
15μουσικᾶς ἐν ἀώτῳ,
οἷα παίζομεν φίλαν
ἄνδρες ἀμφὶ θαμὰ τράπεζαν. ἀλλὰ Δωρίαν ἀπὸ φόρμιγγα πασσάλου
λάμβαν᾽, εἴ τί τοι Πίσας τε καὶ Φερενίκου χάρις
[30] νόον ὑπὸ γλυκυτάταις ἔθηκε φροντίσιν,
20ὅτε παρ᾽ Ἀλφεῷ σύτο, δέμας
ἀκέντητον ἐν δρόμοισι παρέχων,
κράτει δὲ προσέμιξε δεσπόταν,
Συρακόσιον ἱπποχάρμαν βασιλῆα. λάμπει δέ οἱ κλέος
ἐν εὐάνορι Λυδοῦ Πέλοπος ἀποικίᾳ:
25τοῦ μεγασθενὴς ἐράσσατο γαιάοχος
[40] Ποσειδᾶν, ἐπεί νιν καθαροῦ λέβητος ἔξελε Κλωθὼ
ἐλέφαντι φαίδιμον ὦμον κεκαδμένον.
ἦ θαυματὰ πολλά, καί πού τι καὶ βροτῶν φάτις ὑπὲρ τὸν ἀλαθῆ λόγον
δεδαιδαλμένοι ψεύδεσι ποικίλοις ἐξαπατῶντι μῦθοι
30Χάρις δ᾽, ἅπερ ἅπαντα τεύχει τὰ μείλιχα θνατοῖς,
[50] ἐπιφέροισα τιμὰν καὶ ἄπιστον ἐμήσατο πιστὸν
ἔμμεναι τὸ πολλάκις:
ἁμέραι δ᾽ ἐπίλοιποι
μάρτυρες σοφώτατοι.
35ἔστι δ᾽ ἀνδρὶ φάμεν ἐοικὸς ἀμφὶ δαιμόνων καλά: μείων γὰρ αἰτία.
υἱὲ Ταντάλου, σὲ δ᾽, ἀντία προτέρων, φθέγξομαι,
[60] ὁπότ᾽ ἐκάλεσε πατὴρ τὸν εὐνομώτατον
ἐς ἔρανον φίλαν τε Σίπυλον,
ἀμοιβαῖα θεοῖσι δεῖπνα παρέχων,
40τότ᾽ Ἀγλαοτρίαιναν ἁρπάσαι
δαμέντα φρένας ἱμέρῳ χρυσέαισί τ᾽ ἀν᾽ ἵπποις
ὕπατον εὐρυτίμου ποτὶ δῶμα Διὸς μεταβᾶσαι,
ἔνθα δευτέρῳ χρόνῳ
[70] ἦλθε καὶ Γανυμήδης
45Ζηνὶ τωὔτ᾽ ἐπὶ χρέος.
ὡς δ᾽ ἄφαντος ἔπελες, οὐδὲ ματρὶ πολλὰ μαιόμενοι φῶτες ἄγαγον,
ἔννεπε κρυφᾶ τις αὐτίκα φθονερῶν γειτόνων,
ὕδατος ὅτι σε πυρὶ ζέοισαν εἰς ἀκμὰν
μαχαίρᾳ τάμον κάτα μέλη,
50[80] τραπέζαισί τ᾽, ἀμφὶ δεύτατα, κρεῶν
σέθεν διεδάσαντο καὶ φάγον.
ἐμοὶ δ᾽ ἄπορα γαστρίμαργον μακάρων τιν᾽ εἰπεῖν. ἀφίσταμαι.
ἀκέρδεια λέλογχεν θαμινὰ κακαγόρους.
εἰ δὲ δή τιν᾽ ἄνδρα θνατὸν Ὀλύμπου σκοποὶ
55ἐτίμασαν, ἦν Τάνταλος οὗτος: ἀλλὰ γὰρ καταπέψαι
μέγαν ὄλβον οὐκ ἐδυνάσθη, κόρῳ δ᾽ ἕλεν
[90] ἄταν ὑπέροπλον, ἅν οἱ πατὴρ ὑπερκρέμασε καρτερὸν αὐτῷ λίθον,
τὸν αἰεὶ μενοινῶν κεφαλᾶς βαλεῖν εὐφροσύνας ἀλᾶται.
ἔχει δ᾽ ἀπάλαμον βίον τοῦτον ἐμπεδόμοχθον,
60μετὰ τριῶν τέταρτον πόνον, ἀθανάτων ὅτι κλέψαις
ἁλίκεσσι συμπόταις
[100] νέκταρ ἀμβροσίαν τε
δῶκεν, οἷσιν ἄφθιτον
θῆκαν. εἰ δὲ θεὸν ἀνήρ τις ἔλπεταί τι λαθέμεν ἔρδων, ἁμαρτάνει.
65τοὔνεκα προῆκαν υἱὸν ἀθάνατοί οἱ πάλιν
μετὰ τὸ ταχύποτμον αὖτις ἀνέρων ἔθνος.
πρὸς εὐάνθεμον δ᾽ ὅτε φυὰν
[110] λάχναι νιν μέλαν γένειον ἔρεφον.
ἑτοῖμον ἀνεφρόντισεν γάμον
70Πισάτα παρὰ πατρὸς εὔδοξον Ἱπποδάμειαν
σχεθέμεν. ἐγγὺς ἐλθὼν πολιᾶς ἁλὸς οἶος ἐν ὄρφνᾳ
ἄπυεν βαρύκτυπον
Εὐτρίαιναν: ὁ δ᾽ αὐτῷ
πὰρ ποδὶ σχεδὸν φάνη.
75[120] τῷ μὲν εἶπε: ‘φίλια δῶρα Κυπρίας ἄγ᾽ εἴ τι, Ποσείδαον, ἐς χάριν
τέλλεται, πέδασον ἔγχος Οἰνομάου χάλκεον,
ἐμὲ δ᾽ ἐπὶ ταχυτάτων πόρευσον ἁρμάτων
ἐς Ἆλιν, κράτει δὲ πέλασον.
ἐπεὶ τρεῖς τε καὶ δέκ᾽ ἄνδρας ὀλέσαις
80ἐρῶντας ἀναβάλλεται γάμον
[130] θυγατρός. ὁ μέγας δὲ κίνδυνος ἄναλκιν οὐ φῶτα λαμβάνει.
θανεῖν δ᾽ οἷσιν ἀνάγκα, τί κέ τις ἀνώνυμον
γῆρας ἐν σκότῳ καθήμενος ἕψοι μάταν,
ἁπάντων καλῶν ἄμμορος; ἀλλ᾽ ἐμοὶ μὲν οὗτος ἄεθλος
85ὑποκείσεται: τὺ δὲ πρᾶξιν φίλαν δίδοι.’
ὣς ἔννεπεν: οὐδ᾽ ἀκράντοις ἐφάψατ᾽ ὦν ἔπεσι. τὸν μὲν ἀγάλλων θεὸς
[140] ἔδωκεν δίφρον τε χρύσεον πτεροῖσίν τ᾽ ἀκάμαντας ἵππους.
ἕλεν δ᾽ Οἰνομάου βίαν παρθένον τε σύνευνον:
τέκε τε λαγέτας ἓξ ἀρεταῖσι μεμαότας υἱούς.
90νῦν δ᾽ ἐν αἱμακουρίαις
ἀγλααῖσι μέμικται,
Ἀλφεοῦ πόρῳ κλιθείς,
[150] τύμβον ἀμφίπολον ἔχων πολυξενωτάτῳ παρὰ βωμῷ. τὸ δὲ κλέος
τηλόθεν δέδορκε τᾶν Ὀλυμπιάδων ἐν δρόμοις
95Πέλοπος, ἵνα ταχυτὰς ποδῶν ἐρίζεται
ἀκμαί τ᾽ ἰσχύος θρασύπονοι:
ὁ νικῶν δὲ λοιπὸν ἀμφὶ βίοτον
ἔχει μελιτόεσσαν εὐδίαν
[160] ἀέθλων γ᾽ ἕνεκεν. τὸ δ᾽ αἰεὶ παράμερον ἐσλὸν
100ὕπατον ἔρχεται παντὶ βροτῶν. ἐμὲ δὲ στεφανῶσαι
κεῖνον ἱππίῳ νόμῳ
Αἰοληΐδι μολπᾷ
χρή: πέποιθα δὲ ξένον
μή τιν᾽, ἀμφότερα καλῶν τε ἴδριν ἁμᾷ καὶ δύναμιν κυριώτερον,
105τῶν γε νῦν κλυταῖσι δαιδαλωσέμεν ὕμνων πτυχαῖς.
[170] θεὸς ἐπίτροπος ἐὼν τεαῖσι μήδεται
ἔχων τοῦτο κᾶδος, Ἱέρων,
μερίμναισιν: εἰ δὲ μὴ ταχὺ λίποι,
ἔτι γλυκυτέραν κεν ἔλπομαι
110σὺν ἅρματι θοῷ κλεΐξειν, ἐπίκουρον εὑρὼν ὁδὸν λόγων
[180] παρ᾽ εὐδείελον ἐλθὼν Κρόνιον. ἐμοὶ μὲν ὦν
Μοῖσα καρτερώτατον βέλος ἀλκᾷ τρέφει:
ἐπ᾽ ἄλλοισι δ᾽ ἄλλοι μεγάλοι. τὸ δ᾽ ἔσχατον
κορυφοῦται βασιλεῦσι. μηκέτι πάπταινε πόρσιον.
115εἴη σέ τε τοῦτον ὑψοῦ χρόνον πατεῖν, ἐμέ τε τοσσάδε νικαφόροις
ὁμιλεῖν, πρόφαντον σοφίᾳ καθ᾽ Ἕλλανας ἐόντα παντᾷ.

Anúncios
Padrão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s