poesia

Diego Pansani

Diego_sorrindo

Fotografia de Thais de Araujo Jorge

Diego Pansani é de Campinas. Publicou em algumas revistas eletrônicas e seu primeiro livro sairá esse ano pela editora Urutau. Foi selecionado para participar do Programa CLIPE – Curso Livre de Preparação do Escritor – da Casa das Rosas, São Paulo. Você pode encontrá-lo no facebook, no bar de vidro ou na praça da paz.
Os poemas abaixo são todos inéditos.

*

Os olhos, você pode ver que tá fresco pelos olhos

Apertei seu corpo com meu dedo na esperança sincera de que sua vida pudesse renascer e te fizesse salto da gôndola e espanto e estranhas formas de narrar o ocorrido para os parentes que não acreditariam mas recontariam a história nos bares, nos grupos de oração, nos ônibus, no intervalo do curso de excel avançado, e talvez impediria, assim, ou ao menos protelaria, se pá, essa infestação de tatuagens de carpa.

§

 

Definições atualizadas acerca do fio dental

1. Há uma espécie de perversidade na natureza de sua cor uma vez que o roçar entre as vielas do Cáucaso modifica seu tom cadavérico e o róseo característicos das gengivites arranca beleza ao genocídio dos Tártaros auxiliado pela incompetência dos Mongóis, evidentemente.

2. Os restos de ontens calcificados em claustros, os fósseis de beijos dados e os jamais dados grafitados na arcada são geralmente alavancados ainda mais fundo com o serpentear de sua lâmina ordinariamente imaculada. Uma vez ou outra consegue anexar pedaços generosos de porcos.

3. É patológico o seu minimalismo auditivo ainda mais se comparado aos outros histéricos que lhe auxiliam na tortura diária da assepsia contemporânea. Oculta os gritos dos bacilos como um militar na boca. Seu fardo também é paranoico e, óbvio, desfia-se magnânimo.

4. Traveste-se de anel de indicadores indiferente à oleosidade de falanges alheias: repete feito um serrote que o coeficiente de atrito já estava contido na teoria da relatividade.

5. Sonha chegar ao céu, mesmo sabendo que não teria nada pra fazer ali.

§

 

Penas, bicos e unhas

Exceto um cego açougueiro que ainda fareja
os coágulos fervendo no molho pardo
da infância é dado a poucos a epifania
dança canibalística entre a suposição e os nervos.

§

 

Caso

“O contato contínuo do pano e da epiderme produz escaras”
Nathalie Quintane

Caso não existisse o mar, caso
Não existissem ondas, a praia
O barulho das ondas, a praia,
Caso não existissem moscas,
A praia, os cigarros e as tesouras
Não existiriam cabelos,
Portanto, nem o cheiro do amor.

§

 

Segunda aula sobre a anatomia dos moluscos

Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria
Fernando Pessoa

Treinadas a cuspirem madrepérolas
diante de invasões – o professor olhou pro teto
enquanto fazia força para abrir o tempo endurecido da ostra
e um dos estudantes se apaixonava
pelo cheiro que um outro exalava
e rapidamente os dois estavam numa praia
molhados, na areia, exaustos, rindo
com muita vontade de comer chocolate.

*

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