tradução

De Rerum Natura (vv. 824-1023, III), de Lucrécio, por Rodrigo Gonçalves

lucretius_drawn_by_michael_burghers

há quase um ano eu trouxe aqui um trecho do canto terceiro do poema épico “de rerum natura” (da natureza das coisas), do poeta romano lucrécio, na tradução de rodrigo tadeu gonçalves (clique aqui). hoje, vem à luz o trecho final deste canto e o desejo de ver logo a tradução publicada na íntegra.

sergio maciel

* * *

 

Pois, além de adoecer com doenças do corpo,
acontece de a atormentarem as coisas futuras,
e que sofra com preocupações, com o medo, ansiedade;
e, já passados os feitos e os males, os erros remordem.
Some-se a isso o furor, a loucura, o esquecer-se das coisas,
some-se a letargia que a imerge nas ondas escuras.
Nada, portanto, é a morte pra nós, nem a nós diz respeito……….830
uma vez que é mortal o ânimo por natureza.
Como nos tempos pregressos nada sofremos dos males
dos avanços guerreiros púnicos de todo lado,
todos sofrendo com trépido estrondo causado da guerra,
horrificados, tremendo sob o éter sublime,
sem saber a qual lado viria a vitória e o império
sobre todos humanos e sobre os mares e terras,
dessa maneira, quando não existirmos e quando
o discídio de ânimo e corpo nos obliterarem,
nós, que então não mais seremos, não mais sofreremos,……….840
nada, também, poderá comover sensações em nós mesmos,
mesmo se terra e mar, ou mar e céu se fundirem.
Mas, se, acaso, depois de afastada do nosso corpo
a natureza do ânimo e a ânima ainda tiverem
sensação, isso não nos importa, pois nós consistimos
da conjunção da ânima e corpo que o ser unifica.
Nem se as eras trouxessem de volta a nossa matéria
muito tempo depois de morrermos, criando de novo
como é agora e a nós novamente as luzes da vida
se restaurassem, a nós nada disso faria sentido……….850
já que as lembranças passadas a nós estariam perdidas.
E agora nada daquilo que fomos importa
nem nos afeta a angústia sofrida de outrora.
Quando contemplas o imenso espaço de tempo passado
e os inúmeros modos e conformações da matéria
fácil será acreditar que as sementes das coisas, outrora,
estas que formam agora aquilo que somos, já foram
colocadas em ordem idêntica à forma que temos.…………….[865]
Nem isso tudo podemos, porém, trazer à memória:………….[858]
entre se rompe uma pausa de vida e erraram vagando……[859] 860
os movimentos dos sentidos por toda parte.………………………[860]
E se acaso houver no futuro dor ou tristeza……………………….[861]
deve também haver alguém nesse mesmo período…………..[862]
para sofrê-los. Como a morte o proíbe, eximindo………………[863]
da existência o que concentraria os incômodos, dores,…….[864]
nós já podemos saber que nada é temível na morte
e que não pode ser mísero quem já não é, e até mesmo
nada difere se ainda não tivesse nascido
pois a vida mortal pela morte imortal foi tolhida.
Por conseguinte se vires um homem sofrer indignado……….870
por no pós morte apodrecer-lhe o cadáver deixado
ou consumir-se nas chamas, ou pelos dentes das feras,
podes saber que ele não é sincero e que estímulo cego
pende por sobre seu peito, ainda que negue que creia
que haverá qualquer sensação para si no pós morte.
Pois, como eu penso, não garante o que foi prometido
nem as razões: não se arranca da vida pelas raízes
mas, sem saber, supõe que algo de si ainda sobra.
Quando, contudo, cada ser vivo antepõe sua morte
já prevendo que as aves e feras laceram seu corpo,………880
ele de si se apieda; mas sem separar-se do morto
nem afastar-se o bastante do cadáver prostrado,
como se estivesse a seu lado e ainda sentisse.
O ter sido criado mortal o faz indignado
e ele não vê que na morte real não terá outro ele
que poderá, ainda vivo, de pé, ao seu lado, de luto,
condoer-se de si a queimar ou ser dilacerado.
Pois se é um mal que na morte a mordida ou molares das feras
nos estraçalhe, não sei como pode não ser-nos terrível
sermos cremados com o corpo lançado em tórridas chamas,……..890
ou sufocados imersos em mel ou no frio congelados
quando nos deitam no plano topo da gélida rocha,
ou esmagados pelo grave peso da terra.
“Já não mais casa alegre te acolherá, nem esposa
ótima, nem verás os teus filhos correndo a roubar-te
beijos, ternura tácita, doce, que toca teu peito.
Não verás mais florescerem com prósperos feitos
os cuidados com os teus. Ó, pobre,” dirão, “um nefasto e
único dia arrancou-te os frutos todos da vida.”
Isto, contudo, não acrescentam: “nem dessas coisas………….900
tu sentirás jamais nenhuma saudade ou desejo.”
Se isso bem entendessem e a cabeça seguisse as palavras,
afastariam do ânimo todo medo e angústia.
“Tu, de fato, assim como dormes o sono da morte,
sempre estarás, privado de toda dor e doença.
Nós, ao redor do terrífico busto pulverizado
te velamos insaciáveis, e nosso eterno
sofrimento dia algum tirará destes peitos.”
Deve-se lhe perguntar para que tanto amargor se
toda a questão se reduz ao sono e à quietude perene:………..910
quem poderia, assim, em luto eterno agastar-se?
Isto dizem também alguns, quando, deitados,
segurando copos, coroas umbrando suas faces,
ditos do ânimo: “breve é tal fruição para os pobres
homens: logo se vai, jamais a teremos de novo”.
Como se na morte tal fosse o pior de seus males:
sede queimando-os, e árida carestia os secando,
ou que os assaltaria o desejo de alguma outra coisa.
Nem a si nem à vida ninguém reclama, de fato,
quando igualmente o corpo e a mente repousam no sono.……….920
Quanto a nós, poderá o sono, assim, ser eterno
pois nenhum desejo a nós nos afeta na morte.
Mas, durante o sono, os primórdios de forma nenhuma
vagam pra longe demais dos sensíferos motos nos membros,
pois, arrancado do sono, o homem recobra a si mesmo.
Deve-se considerar que, pra nós, a morte é ainda menos
se é que pode existir algo a menos daquilo que é nada,
pois maior dispersão de matéria se segue na morte
do que no sono e ninguém desperta e levanta
uma vez que o tocou a gélida pausa da vida.…………….930
Se, de repente, a natureza das coisas lançasse
sua voz e ela mesma a qualquer um de nós censurasse:
“Ó, mortal, por que sofres tanto com a morte e indulges
tanto em lamentos e lutos, por que tanta lágrima e grito?
Pois, se a vida que levaste te foi agradável
se as alegrias não se te escaparam tal como num vaso
cheio de furos e pereceram não aproveitadas,
como um conviva feliz, satisfeito, por que não te vais da
vida e, tranquilo, abraças a calma segura, idiota?
Mas, se as coisas de que desfrutaste se desperdiçaram,…………940
se a vida é uma ofensa, pra que querer mais um pouco,
já que tudo acaba mal e se vai, e perece,
não é melhor pores fim aos labores, às penas, à vida?
Pois o que mais eu possa inventar, maquinar, que te agrade
não existe: tudo é agora tal como foi sempre.
Se teu corpo ainda não pesa dos anos, se os membros
inda não minguam exaustos, tudo está como era antes,
mesmo se vivesses mais tempo que todas as vidas,
tudo daria no mesmo, até mesmo se nunca morresses.”
Que responder, senão que o processo é justo e a causa…………….950
da natureza é exposta com veras e fortes palavras?
Se, por acaso, alguém já muito mais velho deplora……………..[955]
e, miserável, lamenta sua morte bem mais que devia……………..[952]
não terá mais direito de censurar com voz acre?”……………………[953]
Leva daqui as tuas lágrimas, frouxo, e deixa de queixas,………..[954]
tendo fruído de todos prazeres da vida definhas,
mas como sempre desejas o ausente, e o presente desprezas,
imperfeita gastou-se pra ti, e ingrata, tua vida,
e sem que queiras, a morte se põe a teu lado e te afaga
antes que saias da vida feliz, satisfeito com as coisas.…………….960
Vai, abandona todas as coisas alheias à idade
tua, e concede, com ânimo calmo, o lugar aos que ficam.”
Com justiça, penso, agiria, justas censuras.
Pois a velhice sempre cede, assolada do novo,
sempre, e uma coisa se reconstrói a partir de uma outra.
Não se desce ao profundo do tártaro atroz, aos infernos.
Pois é preciso matéria para que os pósteros cresçam;
estes, também, a ti seguirão, ao fim de suas vidas,
Logo cairão, não menos que os de antes de ti já caíram:
algo nunca deixará de nascer de outra coisa…………….970
Nunca ninguém tem posse da vida, somente usufruto.
Veja, também, como as eras passadas do tempo infindável
de antes de nós foram nada – de antes de termos nascido,
essas também a natura nos mostra tal como um espelho
que nos revela o tempo vindouro depois de morrermos.
Mas o que tem de horrível nisso, o que de tão triste,
não é mais calmo morrer do que todo tipo de sono?
Não nos admiremos: tudo que é dito que habita
o Aqueronte profundo estão todos, de fato, conosco.
Nem a enorme pedra teme pendente nos ares…………….980
mísero Tântalo, paralisado de medo, tal dizem:
mas é na vida que o medo dos deuses aos homens fulmina,
esses que temem da fortuna sua queda, seus golpes.
Nem no Aqueronte os abutres achegam-se a Títio jazendo
nem o que encontrar por sobre o peito tão vasto
podem achar por todos os tempos com que se alimentem;
não importa qual seja a extensão enorme do corpo
mesmo que com os membros cubra não só nove jeiras
mas até mesmo cubrisse o orbe inteiro da terra,
nem assim dor eterna ele poderia sofrer, nem…………….990
oferecer para sempre alimento de seu próprio corpo.
Títio, porém, para nós é aquele jazente de amores
que dilaceram abutres, ou seja, a angústia ansiosa,
ou qualquer coisa que rasgue com dores, desejos perenes.
Sísifo, em vida, diante dos olhos também é aquele
que do povo procura beber os cetros selvagens
mas amiúde retira-se sempre triste e vencido.
Pois a busca do império inane que nunca se mostra
a nenhuma pessoa e por isso sofrer os labores
incessantes é o mesmo que o monte escalar com a rocha……….1000
que, quando quase chegando no vértice, mais uma vez se
precipita rolando de volta até o plano terreno.
E nutrir a ingrata natura do ânimo sempre,
para preenchê-la com bens mas sem nunca alcançar saciedade
tal como as estações do ano fazem conosco
quando sempre retornam e trazem os frutos e agrados,
sem que jamais satisfaçam-nos com as benesses da vida,
isto, tal penso, é o que fazem as moças de idade florente
que, dizem, tentam encher um vaso furado com água
o que, contudo, de modo nenhum jamais realizam.…………….1010
Cérbero e Fúrias, bem como a carência completa das luzes,
Tártaro em erupção, com suas fauces horríveis, de chamas,
estes não há, nem jamais, de modo nenhum, são possíveis.
Mas na vida os medos imensos de imensos castigos
por nossas faltas, para expiar nossos crimes e males:
cárcere, horrível queda forçada do alto da rocha,
vergas, algozes, tronco, piche, tochas, fogueira;
mesmo se ausentes, a mente, contudo, ciente dos feitos,
terrificada se exibe os estímulos: fogo, flagelos,
sem perceber qual seria o possível termo pros males…………….1020
nem qual seria por fim o limite das penas, e ainda
mais angustia-se achando que agravam depois de sua morte.
Tal é a vida infernal que se plasmam pra si os idiotas.

praeter enim quam quod morbis cum corporis aegret,
advenit id quod eam de rebus saepe futuris
macerat inque metu male habet curisque fatigat,
praeteritisque male admissis peccata remordent.
adde furorem animi proprium atque oblivia rerum,
adde quod in nigras lethargi mergitur undas.
Nil igitur mors est ad nos neque pertinet hilum,
quandoquidem natura animi mortalis habetur.
et vel ut ante acto nihil tempore sensimus aegri,
ad confligendum venientibus undique Poenis,
omnia cum belli trepido concussa tumultu
horrida contremuere sub altis aetheris auris,
in dubioque fuere utrorum ad regna cadendum
omnibus humanis esset terraque marique,
sic, ubi non erimus, cum corporis atque animai
discidium fuerit, quibus e sumus uniter apti,
scilicet haud nobis quicquam, qui non erimus tum,
accidere omnino poterit sensumque movere,
non si terra mari miscebitur et mare caelo.
et si iam nostro sentit de corpore postquam
distractast animi natura animaeque potestas,
nil tamen est ad nos, qui comptu coniugioque
corporis atque animae consistimus uniter apti.
nec, si materiem nostram collegerit aetas
post obitum rursumque redegerit ut sita nunc est,
atque iterum nobis fuerint data lumina vitae,
pertineat quicquam tamen ad nos id quoque factum,
interrupta semel cum sit repetentia nostri.
et nunc nil ad nos de nobis attinet, ante
qui fuimus, [neque] iam de illis nos adficit angor.
nam cum respicias inmensi temporis omne
praeteritum spatium, tum motus materiai
multimodi quam sint, facile hoc adcredere possis,
semina saepe in eodem, ut nunc sunt, ordine posta
haec eadem, quibus e nunc nos sumus, ante fuisse.
nec memori tamen id quimus reprehendere mente;
inter enim iectast vitai pausa vageque
deerrarunt passim motus ab sensibus omnes.
debet enim, misere si forte aegreque futurumst;
ipse quoque esse in eo tum tempore, cui male possit
accidere. id quoniam mors eximit, esseque prohibet
illum cui possint incommoda conciliari,
scire licet nobis nihil esse in morte timendum
nec miserum fieri qui non est posse, neque hilum
differre an nullo fuerit iam tempore natus,
mortalem vitam mors cum inmortalis ademit.
Proinde ubi se videas hominem indignarier ipsum,
post mortem fore ut aut putescat corpore posto
aut flammis interfiat malisve ferarum,
scire licet non sincerum sonere atque subesse
caecum aliquem cordi stimulum, quamvis neget ipse
credere se quemquam sibi sensum in morte futurum;
non, ut opinor, enim dat quod promittit et unde
nec radicitus e vita se tollit et eicit,
sed facit esse sui quiddam super inscius ipse.
vivus enim sibi cum proponit quisque futurum,
corpus uti volucres lacerent in morte feraeque,
ipse sui miseret; neque enim se dividit illim
nec removet satis a proiecto corpore et illum
se fingit sensuque suo contaminat astans.
hinc indignatur se mortalem esse creatum
nec videt in vera nullum fore morte alium se,
qui possit vivus sibi se lugere peremptum
stansque iacentem [se] lacerari urive dolere.
nam si in morte malumst malis morsuque ferarum
tractari, non invenio qui non sit acerbum
ignibus inpositum calidis torrescere flammis
aut in melle situm suffocari atque rigere
frigore, cum summo gelidi cubat aequore saxi,
urgerive superne obrutum pondere terrae.
‘Iam iam non domus accipiet te laeta neque uxor
optima, nec dulces occurrent oscula nati
praeripere et tacita pectus dulcedine tangent.
non poteris factis florentibus esse tuisque
praesidium. misero misere’ aiunt ‘omnia ademit
una dies infesta tibi tot praemia vitae.’
illud in his rebus non addunt ‘nec tibi earum
iam desiderium rerum super insidet una.’
quod bene si videant animo dictisque sequantur,
dissoluant animi magno se angore metuque.
‘tu quidem ut es leto sopitus, sic eris aevi
quod super est cunctis privatus doloribus aegris;
at nos horrifico cinefactum te prope busto
insatiabiliter deflevimus, aeternumque
nulla dies nobis maerorem e pectore demet.’
illud ab hoc igitur quaerendum est, quid sit amari
tanto opere, ad somnum si res redit atque quietem,
cur quisquam aeterno possit tabescere luctu.
Hoc etiam faciunt ubi discubuere tenentque
pocula saepe homines et inumbrant ora coronis,
ex animo ut dicant: ‘brevis hic est fructus homullis;
iam fuerit neque post umquam revocare licebit.’
tam quam in morte mali cum primis hoc sit eorum,
quod sitis exurat miseros atque arida torrat,
aut aliae cuius desiderium insideat rei.
nec sibi enim quisquam tum se vitamque requiret,
cum pariter mens et corpus sopita quiescunt;
nam licet aeternum per nos sic esse soporem,
nec desiderium nostri nos adficit ullum,
et tamen haud quaquam nostros tunc illa per artus
longe ab sensiferis primordia motibus errant,
cum correptus homo ex somno se colligit ipse.
multo igitur mortem minus ad nos esse putandumst,
si minus esse potest quam quod nihil esse videmus;
maior enim turbae disiectus materiai
consequitur leto nec quisquam expergitus extat,
frigida quem semel est vitai pausa secuta.
Denique si vocem rerum natura repente.
mittat et hoc alicui nostrum sic increpet ipsa:
‘quid tibi tanto operest, mortalis, quod nimis aegris
luctibus indulges? quid mortem congemis ac fles?
nam [si] grata fuit tibi vita ante acta priorque
et non omnia pertusum congesta quasi in vas
commoda perfluxere atque ingrata interiere;
cur non ut plenus vitae conviva recedis
aequo animoque capis securam, stulte, quietem?
sin ea quae fructus cumque es periere profusa
vitaque in offensost, cur amplius addere quaeris,
rursum quod pereat male et ingratum occidat omne,
non potius vitae finem facis atque laboris?
nam tibi praeterea quod machiner inveniamque,
quod placeat, nihil est; eadem sunt omnia semper.
si tibi non annis corpus iam marcet et artus
confecti languent, eadem tamen omnia restant,
omnia si perges vivendo vincere saecla,
atque etiam potius, si numquam sis moriturus’,
quid respondemus, nisi iustam intendere litem
naturam et veram verbis exponere causam?
grandior hic vero si iam seniorque queratur
atque obitum lamentetur miser amplius aequo,
non merito inclamet magis et voce increpet acri:
‘aufer abhinc lacrimas, baratre, et compesce querellas.
omnia perfunctus vitai praemia marces;
sed quia semper aves quod abest, praesentia temnis,
inperfecta tibi elapsast ingrataque vita,
et nec opinanti mors ad caput adstitit ante
quam satur ac plenus possis discedere rerum.
nunc aliena tua tamen aetate omnia mitte
aequo animoque, age dum, magnis concede necessis?’
iure, ut opinor, agat, iure increpet inciletque;
cedit enim rerum novitate extrusa vetustas
semper, et ex aliis aliud reparare necessest.
Nec quisquam in baratrum nec Tartara deditur atra;
materies opus est, ut crescant postera saecla;
quae tamen omnia te vita perfuncta sequentur;
nec minus ergo ante haec quam tu cecidere cadentque.
sic alid ex alio numquam desistet oriri
vitaque mancipio nulli datur, omnibus usu.
respice item quam nil ad nos ante acta vetustas
temporis aeterni fuerit, quam nascimur ante.
hoc igitur speculum nobis natura futuri
temporis exponit post mortem denique nostram.
numquid ibi horribile apparet, num triste videtur
quicquam, non omni somno securius exstat?
Atque ea ni mirum quae cumque Acherunte profundo
prodita sunt esse, in vita sunt omnia nobis.
nec miser inpendens magnum timet aëre saxum
Tantalus, ut famast, cassa formidine torpens;
sed magis in vita divom metus urget inanis
mortalis casumque timent quem cuique ferat fors.
nec Tityon volucres ineunt Acherunte iacentem
nec quod sub magno scrutentur pectore quicquam
perpetuam aetatem possunt reperire profecto.
quam libet immani proiectu corporis exstet,
qui non sola novem dispessis iugera membris
optineat, sed qui terrai totius orbem,
non tamen aeternum poterit perferre dolorem
nec praebere cibum proprio de corpore semper.
sed Tityos nobis hic est, in amore iacentem
quem volucres lacerant atque exest anxius angor
aut alia quavis scindunt cuppedine curae.
Sisyphus in vita quoque nobis ante oculos est,
qui petere a populo fasces saevasque secures
imbibit et semper victus tristisque recedit.
nam petere imperium, quod inanest nec datur umquam,
atque in eo semper durum sufferre laborem,
hoc est adverso nixantem trudere monte
saxum, quod tamen [e] summo iam vertice rusum
volvitur et plani raptim petit aequora campi.
deinde animi ingratam naturam pascere semper
atque explere bonis rebus satiareque numquam,
quod faciunt nobis annorum tempora, circum
cum redeunt fetusque ferunt variosque lepores,
nec tamen explemur vitai fructibus umquam,
hoc, ut opinor, id est, aevo florente puellas
quod memorant laticem pertusum congerere in vas,
quod tamen expleri nulla ratione potestur.
Cerberus et Furiae iam vero et lucis egestas,
Tartarus horriferos eructans faucibus aestus!
qui neque sunt usquam nec possunt esse profecto;
sed metus in vita poenarum pro male factis
est insignibus insignis scelerisque luela,
carcer et horribilis de saxo iactus deorsum,
verbera carnifices robur pix lammina taedae;
quae tamen etsi absunt, at mens sibi conscia factis
praemetuens adhibet stimulos torretque flagellis,
nec videt interea qui terminus esse malorum
possit nec quae sit poenarum denique finis,
atque eadem metuit magis haec ne in morte gravescant.
hic Acherusia fit stultorum denique vita.

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