poesia, tradução

Ilíada de Homero, por Leonardo Antunes

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Há muito tempo brinco com a ideia de traduzir a Ilíada. Foi por onde comecei meu trajeto nos Estudos Clássicos, numa longa e extremamente profícua Iniciação Científica sob a orientação do Prof. Christian Werner (de 2002 a 2004).

Àquela época, traduzi metade do Canto II usando um hexâmetro dactílico aos moldes de Carlos Alberto Nunes, cuja tradução sempre foi uma grande inspiração para mim.

Mais recentemente, há uns quatro anos, tentei um verso bárbaro de 14 sílabas, mas sem muito sucesso.

Em seguida, no final de 2017, fiz um experimento com o hexâmetro dactílico conforme Guilherme Gontijo Flores, Rodrigo Gonçalves e Marcelo Tápia o usam, permitindo a permuta de dáctilos por troqueus/espondeus. Apesar de o resultado ser excelente para a performance cantada, notei que a maioria das pessoas não consegue perceber o ritmo do texto ao lê-lo escrito. Com isso, perde-se muito da sonoridade do verso. Como é improvável a performance do texto inteiro, fiquei um pouco desmotivado de seguir por esse caminho (até porque já temos a tradução do Nunes, que serve para a performance).

Por conta disso, decidi que faria uma tradução em algum metro vernáculo canônico, mais propício à leitura. Escolhi o decassílabo por ser, por tradição, o metro mais solene em nossa língua. Para dar conta do conteúdo semântico e estético do hexâmetro grego, muito mais longo, decidi que faria dois decassílabos para cada hexâmetro. Com isso, mantém-se uma equivalência, que permite a fácil consulta entre o texto de partida e o texto de chegada (o que seria mais difícil se eu fosse traduzindo cada hexâmetro por quantos decassílabos julgasse necessários).

Usando essa solução, tenho buscado fazer uma tradução que seja fluente, clara e com boa estruturação formal e sonora dentro do verso. Ainda que já tenhamos excelentes traduções, considero que nenhuma possua sozinha esse conjunto de qualidades. (Penso que a de Haroldo de Campos é a mais bela e inventiva, ainda que à custa de um distanciamento do texto grego; a de Nunes é um pouco mais próxima, bastante sonora, mas cheia de hipérbatos, vocabulário antigo e formulações pouco fluentes para o leitor contemporâneo; a de Odorico Mendes tem as mesmas qualidades e problemas da de Nunes, mas em graus ainda superiores; a de Lourenço é muito fluente e clara, mas tem pouca preocupação formal; a de Werner é a mais atenta ao texto grego, mas tem pouca fluência e preocupação formal; etc.)

Enfim, a convite do gentilíssimo Sergio Maciel, apresento dois trechos de minha tradução.

Primeiro, o proêmio e os versos seguintes (vv. 1-52), até a cena em que Apolo lança suas flechas no exército aqueu, uma passagem que conto entre as mais poeticamente marcantes do poema. Depois, o trecho em que Odisseu chega em Crisa levando Criseida de volta a Crises (vv. 439-474). O churrasco após o sacrifício foi inesperadamente difícil de pôr em verso.

 

Leonardo Antunes

* * *

 

Ira de Aquiles, filho de Peleu,
deusa, concede que eu celebre em canto,
ira fatal que aos acaios impôs
uma miríade de sofrimentos;
muitas almas de força e valentia
fez descender para a casa de Hades;
almas de heróis cujos corpos sem vida
relegou como espólio para os cães
e de banquete às aves de rapina.
Assim cumpria-se o plano de Zeus
desde o primeiro momento em que os dois
por força da discórdia se apartaram,
o Atrida, soberano de varões,
e o filho de Peleu, divino Aquiles.
Quem dentre os deuses incitou os dois,
por meio da discórdia, a contenderem?
Foi o nascido de Leto e de Zeus,
que, movido por raiva contra o rei,
fez com que sobre o exército avançasse
terrível peste – o povo perecia –
por motivo de o sacerdote Crises
ter sido desonrado pelo Atrida.
Isso ocorreu no dia em que ele fora
até as rápidas naves aqueias
a fim de libertar a sua filha,
carregando um resgate imensurável
e tendo em suas mãos sinais divinos,
lauréis de Apolo, flecheiro infalível,
entrelaçados em seu cetro de ouro.
Pedia para todos os aqueus,
mas sobretudo para os dois Atridas,
comandantes de povos e varões:
“Filhos de Atreu e vós outros aquivos,
guerreiros de cnêmides bem-feitas,
que para vós concedam os divinos,
possuidores de olímpicas moradas,
saquear a priâmea cidadela
e ter um bom retorno para casa.
Mas libertai minha filha querida,
aceitando os resgates que vos trago.
Sede tementes ao filho de Zeus,
o arqueiro de infalível mira, Apolo.”
Nisso, os outros acaios aclamaram
com jubilosos gritos o discurso:
que o sacerdote fosse respeitado
e que se recebessem os resgates.
Somente ao filho de Atreu, Agamêmnon,
isso não alegrava o coração.
Terrivelmente rechaça o ancião
e o manda embora com grave discurso:
“Que eu não te encontre novamente, velho,
junto das côncavas naves aqueias,
nem agora tardando em retirar-te
nem mais tarde voltando para cá.
De nada poderão te auxiliar
esse teu cetro e as insígnias do deus,
pois eu não a libertarei jamais
antes de lhe sobrevir a velhice
dentro do meu palácio, lá em Argos,
muito longe da terra de seu pai,
frequentando o tear a cada dia
e me encontrando ao leito a cada noite.
Agora parte! Não me encolerizes,
que assim talvez tu salves tua vida.”
Assim falou. O velho, amedrontado,
obedeceu às ordens recebidas.
Partiu calado, caminhando só
junto das dunas do mar murmurante.
Depois que se afastou do acampamento,
o velho então rezou com grande empenho:
“Apolo, meu senhor, tu que nasceste
de Leto, de belíssimas madeixas,
escuta minha prece, do arco argênteo,
tu que zelas solícito por Crisa
e por Cila, terreno consagrado,
e que em Tênedo reges com poder.
Esminteão, se alguma vez outrora
ergui um belo templo para ti,
ou se acaso eu alguma vez outrora
queimei ossadas de coxas com banha,
ossos de coxas de touro ou de bode,
concede para mim o que desejo:
faz com que os dânaos me paguem todas
as minhas lágrimas com tuas flechas!”
Assim ele falou em sua prece
e Febo Apolo logo o escutou.
Ele baixa dos píncaros do Olimpo,
enraivecido desde o coração,
trazendo junto aos ombros o seu arco
e a aljava de feitura primorosa.
Junto às espáduas do deus furioso,
retiniam agudos os projéteis
à medida que se movimentava
avançando semelho à própria noite.
Logo senta distante dos navios
e então dispara a primeira das flechas.
Um terrível clangor ressoa ao longe
espraiando-se do arco prateado.
Acometeu primeiro contra os mulos
e logo após contra os fúlgidos cães.
Na sequência, contudo, pondo a mira
de seu dardo aguçado contra os homens,
ele atirou. Sem pausa, dia e noite,
as piras de cadáveres queimavam.

μῆνιν ἄειδε θεὰ Πηληϊάδεω Ἀχιλῆος
οὐλομένην, ἣ μυρί᾽ Ἀχαιοῖς ἄλγε᾽ ἔθηκε,
πολλὰς δ᾽ ἰφθίμους ψυχὰς Ἄϊδι προΐαψεν
ἡρώων, αὐτοὺς δὲ ἑλώρια τεῦχε κύνεσσιν
οἰωνοῖσί τε πᾶσι, Διὸς δ᾽ ἐτελείετο βουλή,
ἐξ οὗ δὴ τὰ πρῶτα διαστήτην ἐρίσαντε
Ἀτρεΐδης τε ἄναξ ἀνδρῶν καὶ δῖος Ἀχιλλεύς.
τίς τ᾽ ἄρ σφωε θεῶν ἔριδι ξυνέηκε μάχεσθαι;
Λητοῦς καὶ Διὸς υἱός: ὃ γὰρ βασιλῆϊ χολωθεὶς
νοῦσον ἀνὰ στρατὸν ὄρσε κακήν, ὀλέκοντο δὲ λαοί,
οὕνεκα τὸν Χρύσην ἠτίμασεν ἀρητῆρα
Ἀτρεΐδης: ὃ γὰρ ἦλθε θοὰς ἐπὶ νῆας Ἀχαιῶν
λυσόμενός τε θύγατρα φέρων τ᾽ ἀπερείσι᾽ ἄποινα,
στέμματ᾽ ἔχων ἐν χερσὶν ἑκηβόλου Ἀπόλλωνος
χρυσέῳ ἀνὰ σκήπτρῳ, καὶ λίσσετο πάντας Ἀχαιούς,
Ἀτρεΐδα δὲ μάλιστα δύω, κοσμήτορε λαῶν:
Ἀτρεΐδαι τε καὶ ἄλλοι ἐϋκνήμιδες Ἀχαιοί,
ὑμῖν μὲν θεοὶ δοῖεν Ὀλύμπια δώματ᾽ ἔχοντες
ἐκπέρσαι Πριάμοιο πόλιν, εὖ δ᾽ οἴκαδ᾽ ἱκέσθαι:
παῖδα δ᾽ ἐμοὶ λύσαιτε φίλην, τὰ δ᾽ ἄποινα δέχεσθαι,
ἁζόμενοι Διὸς υἱὸν ἑκηβόλον Ἀπόλλωνα.
ἔνθ᾽ ἄλλοι μὲν πάντες ἐπευφήμησαν Ἀχαιοὶ
αἰδεῖσθαί θ᾽ ἱερῆα καὶ ἀγλαὰ δέχθαι ἄποινα:
ἀλλ᾽ οὐκ Ἀτρεΐδῃ Ἀγαμέμνονι ἥνδανε θυμῷ,
ἀλλὰ κακῶς ἀφίει, κρατερὸν δ᾽ ἐπὶ μῦθον ἔτελλε:
μή σε γέρον κοίλῃσιν ἐγὼ παρὰ νηυσὶ κιχείω
ἢ νῦν δηθύνοντ᾽ ἢ ὕστερον αὖτις ἰόντα,
μή νύ τοι οὐ χραίσμῃ σκῆπτρον καὶ στέμμα θεοῖο:
τὴν δ᾽ ἐγὼ οὐ λύσω: πρίν μιν καὶ γῆρας ἔπεισιν
ἡμετέρῳ ἐνὶ οἴκῳ ἐν Ἄργεϊ τηλόθι πάτρης
ἱστὸν ἐποιχομένην καὶ ἐμὸν λέχος ἀντιόωσαν:
ἀλλ᾽ ἴθι μή μ᾽ ἐρέθιζε σαώτερος ὥς κε νέηαι.
ὣς ἔφατ᾽, ἔδεισεν δ᾽ ὃ γέρων καὶ ἐπείθετο μύθῳ:
βῆ δ᾽ ἀκέων παρὰ θῖνα πολυφλοίσβοιο θαλάσσης:
πολλὰ δ᾽ ἔπειτ᾽ ἀπάνευθε κιὼν ἠρᾶθ᾽ ὃ γεραιὸς
Ἀπόλλωνι ἄνακτι, τὸν ἠΰκομος τέκε Λητώ:
κλῦθί μευ ἀργυρότοξ᾽, ὃς Χρύσην ἀμφιβέβηκας
Κίλλάν τε ζαθέην Τενέδοιό τε ἶφι ἀνάσσεις,
Σμινθεῦ εἴ ποτέ τοι χαρίεντ᾽ ἐπὶ νηὸν ἔρεψα,
40ἢ εἰ δή ποτέ τοι κατὰ πίονα μηρί᾽ ἔκηα
ταύρων ἠδ᾽ αἰγῶν, τὸ δέ μοι κρήηνον ἐέλδωρ:
τίσειαν Δαναοὶ ἐμὰ δάκρυα σοῖσι βέλεσσιν.
ὣς ἔφατ᾽ εὐχόμενος, τοῦ δ᾽ ἔκλυε Φοῖβος Ἀπόλλων,
βῆ δὲ κατ᾽ Οὐλύμποιο καρήνων χωόμενος κῆρ,
τόξ᾽ ὤμοισιν ἔχων ἀμφηρεφέα τε φαρέτρην:
ἔκλαγξαν δ᾽ ἄρ᾽ ὀϊστοὶ ἐπ᾽ ὤμων χωομένοιο,
αὐτοῦ κινηθέντος: ὃ δ᾽ ἤϊε νυκτὶ ἐοικώς.
ἕζετ᾽ ἔπειτ᾽ ἀπάνευθε νεῶν, μετὰ δ᾽ ἰὸν ἕηκε:
δεινὴ δὲ κλαγγὴ γένετ᾽ ἀργυρέοιο βιοῖο:
50οὐρῆας μὲν πρῶτον ἐπῴχετο καὶ κύνας ἀργούς,
αὐτὰρ ἔπειτ᾽ αὐτοῖσι βέλος ἐχεπευκὲς ἐφιεὶς
βάλλ᾽: αἰεὶ δὲ πυραὶ νεκύων καίοντο θαμειαί.

§

 

Por fim, da nau singradora de mares,
desce a garota nascida de Crises.
Ela é levada em seguida ao altar
por Odisseu de muitíssima astúcia,
que a põe nos braços do querido pai
e a ele se dirige desta forma:
“Crises, eu venho enviado até ti
por Agamêmnon, senhor de varões,
no intuito de trazer-te tua filha
e para Febo a hecatombe sagrada
que eu irei perfazer em prol dos dânaos
a fim de que alegremos o senhor
que agora sobre os guerreiros argivos
envia dardos muitíssimo amargos.”
Assim falou enquanto a colocava
nos braços dele, que recebe alegre
sua filha querida. De imediato
a sagrada hecatombe para o deus
eles dispõem de maneira ordenada
em todo o entorno do altar bem-lavrado.
Depois lavam as mãos com água limpa
e polvilham cevada sobre o altar.
No meio deles, com as mãos erguidas,
Crises então entoa grande prece:
“Escuta minha prece, do arco argênteo,
tu que zelas solícito por Crisa
e por Cila, terreno consagrado,
e que em Tênedo reges com poder.
Há poucos dias no passado ouviste
a prece que te fiz em súplica
e tu me honraste, causando uma enorme
destruição ao exército acaio.
Da mesma forma, novamente agora
concede para mim o que desejo:
afasta agora dos guerreiros dânaos
o fado impróprio da destruição.”
Assim ele falou em sua prece
e Febo Apolo logo o escutou.
Quando todos haviam feito preces
e polvilhado cevada no altar,
pondo as vítimas prontas para o abate
degolaram-nas e esfolaram todas.
Desmembraram depois as suas coxas,
que recobriram então com gordura
perfazendo uma dúplice camada,
e em cima delas puseram mais cortes.
O velho assou as carnes sobre espetos
e espargiu vinho rútilo por cima.
Os jovens se juntaram perto dele,
tendo em mãos garfos de quíntuplas pontas.
Quando as coxas estavam bem assadas
e as vísceras provadas já por todos,
eles cortaram o resto das carnes
e as espetaram então nos espetos.
Assaram tudo com calma e cuidado
e depois removeram dos espetos.
Quando findaram os preparativos
e terminaram de armar o banquete,
banquetearam-se. Não houve nada
que ficasse faltando ao coração.
Depois, quando já tinham saciado
a gana por bebida e por comida,
os mais jovens encheram as crateras
até que as coroassem com bebida.
Então distribuíram cálices
a todos com primeiras libações.
Diuturnos, o dia todo os jovens
apaziguam o deus com o seu canto.
Entoando belíssimos peãs,
os guerreiros mais jovens dos aqueus
louvam o deus que trabalha de longe.
Seu coração se alegra por ouvi-los.

ἐκ δὲ Χρυσηῒς νηὸς βῆ ποντοπόροιο.
τὴν μὲν ἔπειτ᾽ ἐπὶ βωμὸν ἄγων πολύμητις Ὀδυσσεὺς
πατρὶ φίλῳ ἐν χερσὶ τίθει καί μιν προσέειπεν:
ὦ Χρύση, πρό μ᾽ ἔπεμψεν ἄναξ ἀνδρῶν Ἀγαμέμνων
παῖδά τε σοὶ ἀγέμεν, Φοίβῳ θ᾽ ἱερὴν ἑκατόμβην
ῥέξαι ὑπὲρ Δαναῶν ὄφρ᾽ ἱλασόμεσθα ἄνακτα,
ὃς νῦν Ἀργείοισι πολύστονα κήδε᾽ ἐφῆκεν.
ὣς εἰπὼν ἐν χερσὶ τίθει, ὃ δὲ δέξατο χαίρων
παῖδα φίλην: τοὶ δ᾽ ὦκα θεῷ ἱερὴν ἑκατόμβην
ἑξείης ἔστησαν ἐΰδμητον περὶ βωμόν,
χερνίψαντο δ᾽ ἔπειτα καὶ οὐλοχύτας ἀνέλοντο.
τοῖσιν δὲ Χρύσης μεγάλ᾽ εὔχετο χεῖρας ἀνασχών:
κλῦθί μευ ἀργυρότοξ᾽, ὃς Χρύσην ἀμφιβέβηκας
Κίλλαν τε ζαθέην Τενέδοιό τε ἶφι ἀνάσσεις:
ἦ μὲν δή ποτ᾽ ἐμεῦ πάρος ἔκλυες εὐξαμένοιο,
τίμησας μὲν ἐμέ, μέγα δ᾽ ἴψαο λαὸν Ἀχαιῶν:
ἠδ᾽ ἔτι καὶ νῦν μοι τόδ᾽ ἐπικρήηνον ἐέλδωρ:
ἤδη νῦν Δαναοῖσιν ἀεικέα λοιγὸν ἄμυνον.
ὣς ἔφατ᾽ εὐχόμενος, τοῦ δ᾽ ἔκλυε Φοῖβος Ἀπόλλων.
‘‘ αὐτὰρ ἐπεί ῥ᾽ εὔξαντο καὶ οὐλοχύτας προβάλοντο,
αὐέρυσαν μὲν πρῶτα καὶ ἔσφαξαν καὶ ἔδειραν,
μηρούς τ᾽ ἐξέταμον κατά τε κνίσῃ ἐκάλυψαν
δίπτυχα ποιήσαντες, ἐπ᾽ αὐτῶν δ᾽ ὠμοθέτησαν:
καῖε δ᾽ ἐπὶ σχίζῃς ὁ γέρων, ἐπὶ δ᾽ αἴθοπα οἶνον
λεῖβε: νέοι δὲ παρ᾽ αὐτὸν ἔχον πεμπώβολα χερσίν.
αὐτὰρ ἐπεὶ κατὰ μῆρε κάη καὶ σπλάγχνα πάσαντο,
μίστυλλόν τ᾽ ἄρα τἆλλα καὶ ἀμφ᾽ ὀβελοῖσιν ἔπειραν,
ὤπτησάν τε περιφραδέως, ἐρύσαντό τε πάντα.
αὐτὰρ ἐπεὶ παύσαντο πόνου τετύκοντό τε δαῖτα
δαίνυντ᾽, οὐδέ τι θυμὸς ἐδεύετο δαιτὸς ἐΐσης.
αὐτὰρ ἐπεὶ πόσιος καὶ ἐδητύος ἐξ ἔρον ἕντο,
κοῦροι μὲν κρητῆρας ἐπεστέψαντο ποτοῖο,
νώμησαν δ᾽ ἄρα πᾶσιν ἐπαρξάμενοι δεπάεσσιν:
οἳ δὲ πανημέριοι μολπῇ θεὸν ἱλάσκοντο
καλὸν ἀείδοντες παιήονα κοῦροι Ἀχαιῶν
μέλποντες ἑκάεργον: ὃ δὲ φρένα τέρπετ᾽ ἀκούων.

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