poesia, tradução

Tsering Wangmo Dhompa, por Luci Collin

Tsering Wangmo Dhompa, nascida em 1969, é uma poeta tibetana, exilada nos EUA. Educada em comunidades tibetanas na Índia e no Nepal, graduou-se em Nova Delhi e seguiu os estudos de Mestrado e Doutorado nos EUA. Fluente em diversas línguas e dialetos, incluindo tibetano, hindi e nepali, Dhompa escreve em inglês. Seu primeiro livro de poems Rules of the House foi finalista do Asian American Literary Awards em 2003. Também publicou outros livros de poesia, como My Rice Tastes Like the Lake In the Absent Everyday, além do livro de memórias A Home in Tibet. 

Luci Collin, poeta, ficcionista e tradutora curitibana, já traduziu Gertrude Stein, E E Cummings, Gary Synder, Jerome Rothenberg, Vachel Lindsay entre muitos outros. Realizou dois estágios de pós-doutoramento na USP sobre tradução de poesia. É professora de Literaturas de Língua Inglesa na UFPR.

* * *

Bardo

A hundred and one butter lamps are offered to my uncle who
is no more.

Distraction proves fatal in death. A curtain of butter imprints
in air.

After the burning of bones, ashes are sent on pilgrimage. You are
dead, go into life, we pray. My uncle was a man given to giggles
in solemn moments.

Memory springs like crocuses in bloom. Self conscious and
precise.

Without blurring the cornea, details are resuscitated. Dried yak
meat between teeth. Semblance of what is.

Do not be distracted, Uncle who is no more.

He does not see his reflection in the river. The arching of speech
over “s” as he is becoming.

Curvature of spine as it cracked on a misty morning. A shadow
evades the wall.

You are no more, Uncle who is no more.

Every seven days he must relive his moment of expiration.
The living pray frequently amid burning juniper.

Communication efforts require the right initiative.

Somewhere along the line matters of motion and rest are resolved.

Crows pick the last offerings. You are someone else, uncle no
more.

Bardo

Cento e uma lamparinas de manteiga são oferecidas ao meu tio que
não é mais.

A distração se revela fatal na morte. Uma cortina de manteiga é impressa
no ar.

Após a queima dos ossos, as cinzas são enviadas em peregrinação. Você está
morto, entra na vida, nós oramos. Meu tio era um homem dado a risadas
em momentos solenes.

A memória brota como açafrões em flor. Autoconsciente e
precisa.

Sem desfocar a córnea, detalhes são ressuscitados. Carne seca
de iaque entre os dentes. Semelhança do que é.

Não se distraia, Tio que não é mais.

Ele não vê seu reflexo no rio. A inflexão do discurso
em “s” à medida que ele está se tornando.

A curvatura da espinha ao estalar numa manhã enevoada. Uma sombra
evade da parede.

Você não é mais, Tio que não é mais.

A cada sete dias ele deve reviver seu momento de expiração.
Amiúde os vivos oram no meio do zimbro que queima.

Os esforços de comunicação exigem a iniciativa correta.

Nalgum lugar ao longo da linha questões de ação e repouso são resolvidas.

Corvos escolhem as últimas oferendas. Você é outra pessoa, tio não
mais.

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