tradução

Wladyslaw Szlengel (1912-1943), por Piotr Kilanowski

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Wladyslaw Szlengel foi um poeta judeu-polonês nascido em Łódź. Suas canções escritas em polonês eram muito populares no Gueto, expressavam seus pensamento e estados de espírito. Eram recitados em diferentes apresentações de serões de diversões, circulavam em cópias de máquina de escrever ou hectográficas. Apesar de sua pouca qualidade artística, gozavam de popularidade, comoviam até às lágrimas, pois expressavam aqueles tempos, falavam de coisas com as quais o Gueto vivia e que apaixonadamente comentava.

O poema intitulado Coisas, coisas descreve o processo que afetou as posses judias nos tempos da ocupação alemã. O poeta enumera a longa lista de coisas, menciona até utensílios levados pelos judeus na mudança da parte sul de Varsóvia para o bairro norte, saindo das zonas mistas para a zona puramente judaica, o gueto. Do Gueto pequeno ao Gueto grande já levaram poucas coisas. E quando passavam do Gueto para os “szopy” particulares, sobrava muito pouca coisa da riqueza ou das posses: somente um embornal e um cantil com água. Nos apartamentos abandonados pelos judeus, resta apenas um comprimido como corpus delicti:

Ante o tribunal, contudo,
(se acaso veritas victi (!)…)
restará um comprimido
expondo o corpus delicti.

O poema A despedida dos três quepes conta a despedida do jovem poeta com três quepes: de estudante, de militar e de policial judaico. O autor relata sua participação na defesa de Varsóvia e a despedida com o quepe de militar. Mais para o fim do poema, descreve a ação de deportação dos judeus de Varsóvia, da qual teria que participar como policial. O poeta, não querendo ajudar aos alemães na ação do extermínio, despede-se do quepe policial. Poucos foram os judeus policiais que fizeram escolha semelhante. Cito aqui duas estrofes do poema:

Você é o quepe em que te vê a humanidade,
que a avó ariana, ele é mais importante.
Não checam o que tens nas calças ou na identidade,
o quepe teu valor declara antes…

Despedida com o quepe policial:

O mundo é todo fechado para mim,
cada portão é uma cilada sem fim,
se me darei melhor ou pior não sei
meu quepe – chegou a hora do adeus…

Seria difícil superestimar a especificidade de tal perspectiva, considerados o alcance, a minúcia e a nitidez da visão que ela proporciona. Em grande medida, no entanto, o legado criativo de Szlengel continua desconhecido: na Polônia inclusive, sob certos aspectos , e que dizer então fora dela!

* * *

O MONUMENTO

Aos heróis – epopeias e rapsódias!!!
Aos heróis honrará a prole,
os seus nomes em pedestais gravados,
e os seus monumentos em mármore.

Aos soldados valentes – as medalhas!
Uma cruz – à morte do soldado!
As glórias e os sofrimentos em aço,
bronze e granito encantados.

Ficarão dos Grandes as Lendas,
de que eram Enormes, o testamento,
o mito consolidará e restará
o Monumento.

Quem pra vós vai contar, ó Futuros,
a história – nem de mito que resiste,
nem de bronze – que a levaram, mataram…
e que ELA não existe…

Se ela era boa? Nem isso –
brigava e as portas batia,
resmungava, vociferava…
mas – existia.

Bela? Nem antes dos cabelos prateados,
ninguém de uma beldade a chamaria
Sábia? Eh, comum, simplesmente não foi
burra…
E no entanto…existia.

Entendes: Ela estava e agora não está,
em cada canto algo ruim, coisa má,
e dá para ver logo que Ela não está.

Nada de grande palavra: O Lar,
Deus meu, que casa era essa?!
………….(não eram de Varsóvia)
O marido o dia todo na oficina,
o filho – sempre correndo com pressa,
o quarto raramente arrumado,
………….(pois de baixo água trazia),
os móveis de algum jeito ordenados,
o relógio parecia sorrir animado,
pois – Ela existia.
Existia.

E daí? Ser humano? Não importa –
em estatística não vai constar,
para o mundo, a Europa – é um nada,
grandes coisas esta Sua labuta suada,
mas quando se chegava à porta do lar,
mesmo antes de tocar na maçaneta, abrir,
no ar algum cheiro bom havia,
ou sopa quente, ou toalha macia,
um calor familiar te envolvia,
pois…
………….Ela existia.

E a levaram,
Foi do jeito que estava.
Do fogão.
Da sopa não provaram…
carregaram, foi-se, não está,
mataram.

O marido voltará da oficina,
sentará na banqueta chocado,
as mãos fracas cairão pros lados,
olhará com a cabeça meneando.

No fogão não há fogo –
no chão, pano caído,
prato na mesa – sujeira demais.
Não levanta, curva-se, pensa.
Nada a fazer.
………….………….Não está mais.

A sopa rala e estranha da oficina
da fábrica, e o pão – vai pôr na goela,
Come e olha:
………….………….na prateleira em silêncio
fria e morta a Sua panela.

Não retornará à oficina,
o filho vai voltar faminto,
na desfeita cama amarela,
sem tirar o sapato barrento,
deitado, não dormirá.
Vai olhar, não esquecerá um só momento…
………….Ali, da Mãe, a esfriada p a n e l a –
………….O SEU MONUMENTO.

P O M N I K

Bohaterom – poematy, rapsody!!!
Bohaterów uczczą potomni
na cokołach nazwiska ryte
i marmurowy pomnik.

Walecznym żołnierzom – medal!
Śmierci żołnierskiej krzyż!
Zakląć chwałę i mękę
w stal, granit i spiż.

Zostaną po Wielkich Legendy
że tacy byli ogromni.
Mit zakrzepnie i – będzie
POMNIK.

A kto wam opowie, Przyszli,
nie spiż i nie mitu temat –
że Ją zabrali – zabili,
i że jej nie ma…

Czy była dobra? Nawet nie –
często się przecież kłóciła,
stuknęła drzwiami, burknęła…
ale była.

Ładna? nie była nigdy ładna,
nawet nim głowa się posrebrzyła.
Mądra? Ot, zwyczajnie nie głupia…
No, ale… była.
Rozumiesz – była a gdy jej nie ma,
to każdy kąt tu oczy złe ma
i zaraz widać że jej nie ma.

Nie żeby wielkie słowo – DOM –
mój Boże, cóż to za gospodarstwo!
(nie byli z Warszawy)
mąż cały dzień w warsztacie
syn także miał gdzieś swoje sprawy,
pokoik często nie sprzątnięty
(bo wodę z dołu przynosiła)
tak jakoś stały wszystkie sprzęty
tak jakoś zegar uśmiechnięty
no – była.
Była.

I cóż? Człowiek? – Nie – Nieważne –
statystyka żadna jej nie wymieni –
dla świata, Europy, mniej niż pyłek –
ważna to rzecz ten jej wysiłek!
ale gdyś zbliżył się do sieni,
nim klamkę wziąłeś, – nim drzwi pchnąłeś,
jakoś w powietrzu zapachniały
ni ciepła zupa, ni ręcznik biały,
tak jakoś ciepłość cię owiła
no…
była.

I wzięli.
Poszła jak stała.
Od ognia.
Zupy nie zdążyła…
Zabrakli, poszła – nie ma –
zabili.

Wróci z warsztatu mąż,
usiądzie ciężko na stołku –
ręce opadną na podołku,
głową wodzi i patrzy.

Ognia nie ma pod blachą –
ścierka spadła i leży
talerz na stole – brudno.
Nie wstaje. Pochyla się. Myśli.
Trudno.
Nie ma.

Zje chleba i zupy z warsztatu
fabrycznej – obcej i marnej.
Je i patrzy: –
na półce… milczący
zimny i martwy jej garnek.

Nie pójdzie już do warsztatu –
Syn wróci z miasta zgłodzony
w łóżko niezaścielane
rzuci się w butach zbłoconych –
Nie uśnie.
Będzie patrzył (i nie zapomni…)
Tam – Matki wystygły g a r n ek
J E J P O M N I K..

§

 

A JANELA PARA O OUTRO LADO

Minha janela é para o outro lado,
uma janela judia descarada
para o belo parque dos Krasiński
e as folhas outonais molhadas…
No anoitecer cinza-arroxeado
as frondes se curvam, inclinadas
e as árvores arianas espreitam
a janela judia fechada…
Não posso ficar na janela
(resolução mui correta),
aos vermes judeus…toupeiras…
a cegueira melhor se adequa.
Que fiquem nas tocas e covas,
absorto no trabalho o olhar
e pelas janelas judias
sejam proibidos de mirar…
E eu… quando vem a noite…
para tudo apagar e igualar,
no escuro pra janela corro
com a sede enorme de olhar…
e roubo Varsóvia apagada,
os silvos, chiados distantes,
as formas das casas e ruas,
os tocos das torres cortantes…
Eu roubo a silhueta do Teatro,
aos pés tenho o Paço Municipal,
O luar – wachmeister
– permite
o contrabando sentimental…
Os olhos famintos se cravam
no peito da noite – dois gumes,
na noite de Varsóvia calada,
cidade querida em negrume…
E quando já estou suprido
para um dia, talvez mais…
me despeço da cidade calada,
com as mãos faço gestos rituais,
cicio e os olhos cerro:
– Varsóvia…diz algo!…espero

E pianos pela cidade
levantam os tampos calados
levantam sozinhos, ao comando,
pesados, tristonhos, cansados…
e flui da centena de pianos
na noite… a polonaise de Chopin…
Me chamam os clavicordes,
no silêncio sofrido vêm
pela cidade os acordes
das teclas de branco mortal…
Baixo as mãos…é o final…
volta a polonaise pros pianos…
Volto e penso calado
que na verdade é ruim
ter a janela pro outro lado…

Okno na tamtą stronę

Mam okno na tamtą stronę,
bezczelne żydowskie okno
na piękny park Krasińskiego,
gdzie liście jesienne mokną…
Pod wieczór szaroliliowy
składają gałęzie pokłon
i patrzą się drzewa aryjskie
w to moje żydowskie okno…
A mnie w oknie stanąć nie wolno
(bardzo to słuszny przepis),
żydowskie robaki… krety…
powinni i muszą być ślepi.
Niech siedzą w barłogach, norach
w robotę z utkwionym okiem
i wara im od patrzenia
i od żydowskich okien…
A ja… kiedy noc zapada…
by wszystko wyrównać i zatrzeć,
dopadam do okna w ciemności
i patrzę… żarłocznie patrzę…
i kradnę zgaszoną Warszawę,
szumy i gwizdy dalekie,
zarysy domów i ulic,
kikuty wieżyc kalekie…
Kradnę sylwetkę Ratusza,
u stóp mam plac Teatralny,
pozwala księżyc Wachmeister
na szmugiel sentymentalny…
Wbijają się oczy żarłocznie,
jak ostrza w pierś nocy utkwione,
w warszawski wieczór milczący,
w miasto me zaciemnione…
A kiedy mam dosyć zapasu
na jutro, a może i więcej…
żegnam milczące miasto,
magicznie podnoszę ręce…
zamykam oczy i szepcę:
– Warszawo… odezwij się… czekam…

Wnet fortepiany w mieście
podnoszą milczące wieka…
podnoszą się same na rozkaz
ciężkie, smutne, zmęczone…
i płynie ze stu fortepianów
w noc… Szopenowski polonez…
Wzywają mnie klawikordy,
w męką nabrzmiałej ciszy
płyną nad miastem akordy
spod trupio białych klawiszy…
Koniec… opuszczam ręce…
wraca do pudeł polonez…
Wracam i myślę, że źle jest
mieć okno na tamtą stronę…

§

 

As duas mortes

A sua morte e a nossa morte
são duas mortes bem diferentes.
A sua morte é a morte forte
rasga as almas, faz ranger os dentes.
A sua morte é morte por balas,
atirando, entre campos gris
fertilizados com suor e sangue
por algo – …pelo pátrio País.
A nossa morte – é morte estúpida
no sótão ou no porão,
a nossa morte de trás da esquina
chega – uma morte de cão.
A sua morte, a medalha condecora,
menciona-a o comunicado,
a nossa morte – pra terra e adeus –
um depósito de atacado.
A sua morte – é cara a cara,
no meio do caminho saudada.
A nossa morte – é em segredo
na máscara do medo cavada.
A sua morte – é costumeira,
humana e fácil se apresenta,
a nossa morte – é a morte lixeira,
judia e nojenta.
A nossa morte da sua morte
é pobre, longínqua parente.
Quando a sua encontra a nossa
não a cumprimenta, certamente.
Na noite negra entre névoas,
se maldizem as duas mortes,
sobre a cidade – um mar de trevas,
se insultam com verbos fortes.
Sobre a mureta, vendo os dois lados,
espia as brigas escondida,
a mesma esperta, má, gananciosa
e igualzinha Vida.

Dwie Śmierci

Wasza śmierć i nasza śmierć
to dwie inne śmierci.
Wasza śmierć – to mocna śmierć,
szarpiąca na ćwierci.
Wasza śmierć śród szarych pól
od krwi i potu żyznych.
Wasza śmierć – to śmierć od kul
dla czegoś – …dla Ojczyzny.
Nasza śmierć – to głupia śmierć,
na strychu lub w piwnicy,
nasza śmierć przychodzi psia
zza węgła ulicy.
Waszą śmierć odznaczy krzyż,
komunikat ja wymienia,
naszą śmierć – hurtowy skład,
zakopią – do widzenia.
Wasza śmierć – wy twarzą w twarz
witacie się w pół drogi,
nasza śmierć – to skryta śmierć
kopana w masce trwogi.
Wasza śmierć – zwyczajna śmierć,
człowiecza i nietrudna,
nasza śmierć – śmietnicza śmierć,
żydowska i – paskudna.
Nasza śmierć jest waszej śmierci
daleką biedną krewną.
Gdy spotka wasza – naszą śmierć,
nie wita jej na pewno.
I w czarną noc przez smugi mgieł
nad miastem – w mroków piekle,
dwie śmierci przeklinają się,
złorzecząc sobie wściekle.
Na murku – patrząc w strony dwie,
podgląda kłótnię skrycie
to samo chciwe, sprytne, złe
i jednakowe Życie.

 

* * *

Uma coletânea dos poema de Wladyslaw Szlengel foi publicada pela editora Dybbuk (clique aqui) este ano. Os poemas publicados aqui, bem como o texto introdutório, foram retirados de lá.

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