poesia

Vinícius Mahier (1994—)

Vinícius Mahier nasceu em Campo Belo, Minas Gerais, em novembro de 1994. É mestrando em Letras pela Universidade Federal de São João del-Rei. Publica seus poemas no blog ridiculus sum.

ULTRASSONOGRAFIA

que você trepe comigo como se eu fosse uma mulher
eu não sou uma mulher como se eu fosse ou fosse
uma mulher que você ama como se fosse uma mulher
que você nunca como se eu fosse uma buceta inteira
dentro deste esperma como se eu fosse o teu olhar
inteiro seminal prostático como se eu fosse a tua boca
inteira dentro desta língua como se eu fosse eu a tua língua
inteira como se eu fosse uma mulher ou duas
ou duas metades serradas ao meio
como se eu fosse uma mulher de quatro
como se eu fosse uma mulher de pé
uma mulher sintaxe lexical dos teus joelhos
à garganta no teu cu nos teus buracos
como se eu fosse essa mulher imprópria essa mulher
que cresce você é essa mulher que cresce como se eu fosse
uma mulher do mundo no fundo do fundo da falta
de nome do teu específico fosso o que fosse
fundo fundo vasto fundo se eu me chamasse vinícius
eu seria mulher não seria você fosse eu que fosso
tua virilha é alta como uma torre a minha torre
uma buceta russa dentro da tua virilha que você
me coma como se eu fosse uma mulher que você
me chupe como se eu fosse uma mulher que você
menstrue como se eu fosse uma mulher que você
me dá como se eu fosse uma mulher que dá falando-se
da fêmea vivípara quando expele do útero o ser que gerou
que você trepe comigo como se eu fosse essa mulher
não outra não essa como se eu fosse eu fosse
uma mulher que você não ama como se eu fosse
uma mulher que você enxerga como se eu fosse
uma mulher que você tateia como se eu fosse
uma mulher que você liquida como se eu fosse
uma mulher que eu nunca fui a não ser na última quarta
quando eu te disse eu te amo longe da minha boca
que você me quebra como se eu fosse o osso a cadela
que você não larga o tutano que você não vaza cria
como se eu fosse a tua imagem e semelhança
afastada exilada arrancada amputada adorada de mim
no membro que eu já perdi a dor do membro fantasma
como se eu dissesse que ela mesma iria comprar as flores
ao invés de ganir diante do nada e eu fodo contigo
como se eu fosse a mulher que você devora homens como ar
como se eu fosse outra corpo a corpo comigo mesma
como se eu fosse quase imaginária concreta ereta indivisível
e eu tivesse acordado com coceira no hímen
como se eu fosse a esfinge a teus pés mutáveis
a autobiografia de todo mundo em uma única manhã
como se eu fosse a jocasta do nosso incesto deliberado
como se eu fosse a antígona do que se ergue a céu aberto
como se eu fosse a medeia do que permito vivo
como se eu fosse a lisístrata na tua guerra do peloponeso
como se eu fosse a mulher da mulher de lot
como se eu fosse a virgem do teu cristo redentor
braços abertos sobre a guanabara como se eu fosse
o rio o terceiro rio na tua margem de erros
como se eu fosse nascer como se eu fosse mulher
como se eu fosse um homem.

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