poesia

4 poemas inéditos de Matheus Guménin Barreto (1992—)

Foto do Jornal Cidadão Cultura

Matheus Guménin Barreto (1992- ) é poeta e tradutor mato-grossense. É autor dos livros de poemas A máquina de carregar nadas (7Letras, 2017) e Poemas em torno do chão & Primeiros poemas (Carlini & Caniato, 2018). Doutorando da Universidade de São Paulo (USP) na área de Língua e Literatura Alemãs – subárea tradução -, estudou também na Universidade de Heidelberg (Alemanha). Encontram-se textos seus no Brasil, na Espanha e em Portugal (Revista Cult, Escamandro, plaquete “Vozes, Versos”, Revista Escriva [PUC-RS], Revista Magma [USP], Revista Opiniães [USP], A Bacana, Diário de Cuiabá; entre outros), e integrou o Printemps Littéraire Brésilien 2018 na França e na Bélgica a convite da Universidade Sorbonne.

Por que ainda?

Porque um roxo azulado já ardeu
sobre um cemitério
Porque a libido dum gramado alto já se esfregou
entre umas pernas
Porque um cão já rendeu aquosa servidão
entre os dedos
Porque já se entrou numa sala em breu
acordada a sala aos sentidos acordada
Porque um homem já afiou um outro homem
– brasa os corpos.

§

Tremem maduras espigas
afiadas de sangue e de sonho
que é sangue e é sonho o corpo
sob outro.

§

O jovem recebia tudo o que quisesse levar
Este era o prazo para o tratamento de beleza: seis meses à base de óleo de mirra e outros seis meses com vários bálsamos e cremes. Quando chegava o tempo de apresentar-se ao rei, a jovem recebia tudo o que quisesse levar do harém para o palácio real.” – Ester 2:12-13

A mirra que passa da mão do amado à m
ão de seu amado passa
limpa a mirra limpa e limpo o amor
limpos os amados de carne apont
ada apontada carne dos amados
limpo o morno breu
limpo o morno breu
onde catalogam o corpo um do outro.

§

corpo: que coisa será essa
a que servirá ou a quem, computará quem
os beijos que deu e dará e quem os tons
de carmim que já viu aos domingos e quem                                   
os cachorros que lhe lamberam os dedos e quando
e quem computará as madrugadas e o branco que fazem
e quem
os sons que gestou na garganta e não disse e quem
o amor miúdo e bom que reina entre as paredes de um apartamento 
                                                                                           [e quem
dirá a esse corpo que tudo
cedo ou tarde
não vai ter existido
na garganta faminta do tempo?

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