poesia

Thiago Soeiro

soeiro2

Fotografia de Jhenni Quaresma

Thiago Soeiro nasceu em Belém do Pará em 1989. Jornalista atua na cena literária do Amapá desde 2010, é cocriador do grupo literomusical Poetas Azuis, que divulga a poesia por meio da palavra dita e cantada. Integrou a coletânea Poesia na Boca da Noite com poetas amapaenses e a exposição Poesia Agora que reuniu mais de 500 poetas do Brasil no Museu da Língua Portuguesa em 2017. Publica seus poemas no blog: pordentrodopoema.blogspot.com e em seu canal no youtube. Escreveu e editou o Livro dos Ipês, belíssimo volume que envia aos amigos por e-mail.

*

Macapá não tem mapa

[Para Tani]

encontrei a palavra saudade hoje
em um caderno de cartografia
ela se estende inteira
por essa cidade
desde o seu ponto mais seco
as margens do rio

parece mesmo que estamos
morando na saudade

no mapa
esta é
uma cidade inteira
feita de pontes
ligando as faltas
que as pessoas fazem

imagino que quando anoitece
do alto podemos
ver as luzes
que cada saudade
faz brilhar.
§

Tenho um mar

quando a gente segura um choro
é como se segurasse o mar inteiro
e é tão difícil segurar o mar
às vezes sinto ele agitado
revolto em meus pensamentos
fazendo ondas em minha cabeça
já me afoguei nele algumas vezes
e deixei naufragar alguns problemas
tenho um mar em meu peito
e convivo com ele
e todos os seus seres marinhos
criaturas que ainda desconheço
em uma vida repleta de mistérios e medos
seguro o mar em meus dedos
e toda fúria dos dias de tempestade
e toda a calmaria dos dias de sol
e sei que ninguém nunca desconfiou disso
que eu era feito de mar
que tenho corais em meus pés
peixes em minhas costas
que tenho o mar inteiro
preso em meus olhos
prestes a transbordar.
§

Um poema não sobre gatos

este poema se espreguiça devagar
pela página branca
se esticando de comprido
até a borda
depois ele deita de mansinho
meio quieto
de orelhas em pé

este poema
brinca na areia
dorme nos pés da cama
ronrona com cafuné

este poema não é felino
ele não fala do bichano
que escapou das minhas mãos

este poema
não é sobre gatos

este poema é sobre
a saudade
que eles arranham na gente.

*

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