crítica

Abrilhantado email

Dizem que vida de editor é fácil, divertida. Temos dias de joias, verdade seja dita. Aqui vai uma, que recebemos no email da escamandro, endereçado à minha pessoa. Pérola de porco, que atipicamente decidi responder por email e por aqui.

Guilherme Gontijo Flores

* * *

“Olá  senhor Guilherme Gontijo flores, tendo diante dos olhos tanta MERDA que Vossa Excelencia publica no seu Blog, umas coisas esdrúxulas e cretinas que nem tem o direito de ser consideradas versos, poderia fazer o favorzinho de publicar os meus poemas. De certeza não são piores do que há no web site Escamando ( que  no quesito poemas não é o rio forte da Ilida que combateu Aquiles mas um riacho quase finado, não tem nada de divino como o Xanto de Homero mas é filho das alimárias mais toscas e brutas da terra.)

Os meus poemas, estou certo disso(não por serem meus pois possuo a autocrítica que mais se assemelha a pingue  autodesprezo),não piores do que há no Rscamadrozinho de Vossa Senhoria.

Se minhas palavras suscitarem interesse no senhor( asco sei que elas incitarão neste ponto não me iludo) posso enviar-lhe umas amostras da minha obra. Se quereis informações da minha filiação poética posso considerar-me adepto da prima geração de surrealistas franceses, mas posso escrever poesia quinhentista como a faziam Camões, Sá de Miranda ou tolices românticas e piegas dignas de Musset e Lamartine. O que nunca redigirei serão imbecilidades e porcarias  gigantescas como as maiores montanha da terra e mais mal cheirosas do que quinhentos mil lixões como Ezra Pound e T.S Eliot.

Sei Frances perfeitamente para traduzir Lautréamont e Paul Claudel em veros versos portugueses, mas não desejo ser conhecido como tradutor (ou melhor desconhecido que liga importância a tradutores) , pois possuo obra própria. Se o senhor estiver interessado ela está a vossa disposição. Foi para o prelo um pequeno livro de minha autoria chamado Odes muito Irrestritas( o titulo é abominável mas não ocorreu-me coisa melhor, pela Editoa Albatroz, se quiser posso mandar um exemplar para o senhor quando ele  estiver imnpresso

Att.

Nuno Azurara(este não é meu nome, apenas um pseudônimo; acho que não é de bom-tom para um sujeito da minha profissão ( sou farmacêutico) meter-se com literatura.

Adeus ou até breve depende de vossa excelência”

§

Prezadíssimo sr. Azuzara, não só eu como todo o corpo editoral da escamandro sente-se ofuscado pelo belíssimo email, muito bem ponderado e certeiro. Por ora, no entanto, furtar-nos-emos de abrilhantar tão parca revista com o peso do vosso imenso talento. Certamente ser-vos-ia uma mácula na carreira, e não queremos servir-vos de pecha futura.

Att.

Guilherme Gontijo Flores (este é o meu nome de cartório, pois julgo petulância e/ou covardia tola esconder-se atrás de pseudônimos de gosto palaciano e decadentista, mas pago as contas como professor e tradutor).

Fico (e daqui ficamos) com o adeus mesmo.

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