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Sessão Vagalume|Eleonora Rimolo, por Prisca Agustoni

Eleonora Rimolo (Salerno, 1991) é doutora em Estudos Literários na Universidade de Salerno. Entre suas publicações: La resa dei giorni (Alter Ego, 2015 – Prêmio Giovani Europa in Versi), Temeraria gioia (Ladolfi 2017 – Prêmio Pascoli, Prêmio Civetta di Minerva, Finalista Prêmio Fogazzaro e Prêmio Fiumicino) e La terra originale (Pordenonelegge-Lietocolle, 2018- Prêmio Achille Marazza, Prêmio Pordenonelegge Poesia, Prêmio Minturnae). Seus inéditos foram publicados em diversas revistas italianas e traduzidos em diversas línguas (espanhol, árabo, russo, francês, inglês, romeno). É diretora da Sessão online da revista literária Atelier.

Prisca Agustoni

* * *

Poemas de La terra originale, Pordenonelegge-lietocolle, 2018.

1.

Ci hanno detto di uscire il meno possibile,
solamente se urgente: polveri sottili,
smog, troppe sirene moleste. Mi difendo
così dai batteri, dalle spore, dai sorrisi
che non avrei incontrato. Trascorro i giorni
della malattia respirando la stessa aria
di sempre, osservo la sua caparbietà
la comparo alla mia penso a chi andrà via
per prima. Intanto la plastica fonde
cerca asilo nei polmoni dei superstiti,
con la pioggia non si può deglutire, brucia
l’ipotesi della resistenza, acre carità.


1.

Nos disseram para sair o menos possível,
só se fosse urgente: pó fino,
poluição, muitas sirenes irritantes. Desse modo
defendo-me das bactérias, dos esporos, dos sorrisos
que não teria encontrado. Passo os dias
da doença respirando o mesmo ar
de sempre, observo sua teimosia
comparo-a com a minha penso em quem irá
embora primeiro. Enquanto isso, o plástico derrete
procura asilo nos pulmões dos sobreviventes,
com a chuva não dá para engolir, queima
a hipótese da resistência, áspera caridade.

§

2.

A mani nude gli studiosi scavano le fondamenta
piegati sul fossato: dicono vi siano tracce
di una civiltà antichissima, credono a quanto c’è
dietro la superficie, pure se la pioggia impasta la pietra,
li sporca di melma, complica l’esercizio della ricostruzione.
È triste questo nostro bisogno di ordine,
lo strappare la radice e non trovare il seme:
è un franare senza poter bloccare la discesa,
precipitare a brandelli privi del termine di caduta.


2.

De mãos vazias os estudiosos cavam os alicerces
dobrados sobre o fosso: dizem que há rastros
de uma civilização antiquíssima, acreditam no que há
atrás da superfície, mesmo que a chuva amasse a pedra,
sujando-os de lama, complicando o exercício da reconstrução.
É triste nossa necessidade de ordem,
o rasgar a raiz e não achar a semente:
é um ruir sem poder impedir a descida,
precipitar em pedaços sem o prazo da queda.

§

3.

Con i muscoli rotti dall’umido passo
trasciniamo le settimane, pronunciamo
distintamente tre parole sole. Essere
stanco significa soffocare dentro a un letto,
spendere meno sangue possibile per non
replicare il dolore: in questo modo
non ricrescono le voglie, si eradicano
tutti i contagi e in me non resta
che il deserto asettico dove ci siamo
contaminati, in cui siamo stati lasciati.


3.

Com os músculos rompidos pelo passo úmido
arrastamos as semanas, pronunciamos
distintamente três palavras solitárias. Estar
cansado significa sufocar dentro de uma cama,
gastar menos sangue possível para não
replicar a dor: dessa forma
as vontades não voltam a crescer, erradicam-se
todos os contágios e em mim resta apenas
o deserto asséptico onde
nos contaminamos, onde fomos largados.

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