poesia, sessão vagalume, tradução

Sessão Vagalume|Cristiano Poletti, por Prisca Agustoni

Cristiano Poletti (Treviglio, 1976) é autor de Porta a ognuno (poesia, L’arcolaio, 2012); do ensaio Trovandomi in inviti superflui, em L’attesa e l’ignoto – l’opera multiforme di Dino Buzzati (L’arcolaio, 2012); das prosas críticas recolhidas em Dei poeti (Carteggi letterari, 2019); do livro Libellula gentile, com o documentário de Francesco Ferri dedicado à figura e ao trabalho de Fabio Pusterla (Marcos y Marcos, 2019) e de Temporali (Marcos y Marcos, 2019). De 2007 a 2017 dirigiu Trevigliopoesia, festival de poesia e de videopoesia. Desde 2013 é redator do blog literário Poetarum Silva (poetarumsilva.com). Trabalha na Universidade de Bérgamo.

Prisca Agustoni

* * *

LA TORRE DEI NOSTRI OCCHI

Soltanto all’alba cedere, dormire.
In sogno eravamo
non lontano dagli spari.
Buchi sui muri, buchi di paesi.
Passavamo da Bihać
ai morti inchiodati a Srebrenica, a Vukovar.

Avete
sostanza di Babele, siete
la torre nei nostri occhi.
Né storia o intelligenza,
il sogno è solo un’ombra tra le dita.
Si ripete così la vita
e il tempo intanto regola
la sua barba di re. Così
mentre aspettiamo nuovi crolli
immaginate
voi quello che resta.

A TORRE DOS NOSSOS OLHOS

Ceder apenas ao amanhecer, dormir.
No sonho não estávamos
longe dos disparos.
Buracos nos muros, buracos de vilarejos.
Passávamos de Bihać
Para os mortos cravados em Srebrenica, em Vukovar.

Vocês têm
substância de Babel, são
a torre em nossos olhos.
Nem história ou inteligência,
o sonho é somente uma sombra entre os dedos.
Repete-se a vida
enquanto o tempo regula
sua barba de rei. Assim
enquanto esperamos por novas quedas
imaginem
vocês o que resta.

§

NEGLI ANNI UN NERVO

È stata una città e tutto un ritorno
verso casa, verso sera.
Era una strada, nel bianco del caldo
nell’impermanenza di due ore
diverse.
Dentro, l’immagine di un ragazzo.
Ed era
stringere negli anni un nervo, fissando
il fuori in fiamme col tremore
dei temporali negli occhi.


NOS ANOS UM NERVO

Foi uma cidade e uma grande volta
rumo à casa, rumo à noite.
Era uma estrada, no branco do calor
na impermanência de duas horas
distintas.
Dentro, a imagem de um rapaz.
E era
apertar nos anos um nervo, fixando
o fora em chamas com o tremor
dos temporais nos olhos.

§

QUADRO, LAGO

Sai dove
tra nuove altitudini e voci
si stacca carne dalle ossa.
Così e in dialetto si diceva
quando improvvisamente
ci si riconosceva in un limpido
tornato grigio, cenere.
In una lontananza
di ognuno e tutti in un confine. Il lago
adesso
supplica ogni voce
di tornare.
Nei fosfori di fuori,
pronto alla carne, alle ossa,
c’è il lupo delle parole.
Presto. Torna. Parla.
Parliamo, sono qui.


QUADRO, LAGO

Sabes onde
entre novas alturas e vozes
desprende-se a carne dos ossos.
Desse jeito e em dialeto dizia-se
quando subitamente
nos reconhecíamos num límpido
feito cinza, fuligem.
Numa distância
de todos num limite. O lago
agora
suplica para que cada voz
retorne.
Nos fósforos de fora,
pronto para a carne, os ossos,
está o lobo das palavras.
Cedo. Volta. Fala.
Falemos, estou aqui.

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