poesia

Carlos Orfeu

Carlos Orfeu, nasceu em Queimados, Rio de Janeiro. Publicou Invisíveis cotidianos em 2017 pela editora paraense Literacidade; Nervura em 2019, pela editora Patuá. Participou da antologia organizada pelo poeta Floriano Martins: Sob a Pele Da língua, onde reúne jovens poetas com referências surrealistas. Têm poemas publicados em revistas e sites literários.

* * *

salamandra

o sol
salamandra
           selvagem

fareja o pão
gênese de gestos
cortejo de luz

veloz manhã
faca partindo
sombras

§

cortinas

cortinas dançam
como medusas
luzentes

os cílios
giram entre
luz
e sombra

dançam
como
cabelos

presos
no limite
da janela

§

óxido

oxidada água
ser-
penteia
pelo diafragma

                     dos canos

viagem labiríntica
calcária
voz da caixa
                 d’água

viagem pela res-
piração da casa

até deitar-se
em outra língua
dente: sabor cloro
barro abrindo-se
na insônia da garganta

§

círculo

atrás das roupas
inquietas no varal

a asa
na mudez do pouso

círculo da
             luz
             suspensa

na água
trêmula do balde

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