sessão vagalume

Sessão Vagalume|Antonella Anedda, por Prisca Agustoni

Antonella Anedda nasceu em Roma, em 1955. Formou-se em História. É doutora em Filosofia pela Universidade de Oxford. Foi professora na Universidade de Siena, na Itália, atualmente leciona literatura italiana contemporânea na Universidade da Suíça italiana, em Lugano. É tradutora e ensaísta.

Uma das vozes mais importantes e reconhecidas da poesia italiana contemporânea, publicou inúmeros livros de ensaios críticos e de tradução, além das coletâneas de poesia Residenze invernali (1992), Notti di pace occidentale (1999), Il catalogo della gioia (2003), Dal balcone del corpo (2007),Salva con nome (2012) e o mais recente Historiae (2018). Com sua poesia recebeu os mais importantes prêmios literários italianos.

Sua obra foi traduzida por prestigiosos tradutores como Jean-Baptiste Para na França e Jamie McKendrick na Inglaterra, entre outros.

Os poemas que escolhi revelam o mergulho do olhar da poeta dentro da história de um ocidente estarrecido diante da sequência dos conflitos dos anos noventa, isto é, a guerra do Golfo e o conflito no Kosovo.

* * *

1.

Vedo dal buio
come dal piú radioso dei balconi.
Il corpo è la scure: si abbatte sulla luce
scostandola in silenzio
fino al varco più nudo – al nero
di un tempo che compone
nello spazio battuto dai miei piedi
una terra lentissima
-promessa.


1.

Vejo desde o escuro
como desde o mais radiante dos balcões.
O corpo é o machado: abate-se sobre a luz
afastando-a em silêncio
até a fenda mais nua – ao breu
de um tempo que compõe
no espaço batido por meus pés
uma terra lentíssima
prometida.

§

2.
Non volevo nomi per morti sconosciuti
eppure volevo che esistessero
volevo che una lingua anonima
-la mia –
parlasse di molte morti anonime.
Ciò che chiamiamo pace
ha solo il breve sollievo della tregua.
Se nome è anche raggiungere se stessi
nessuno di questi morti ha raggiunto il suo destino.


Non ci sono che luoghi, quelli di un’isola
da cui scrutare il Continente
-l’oriente- le sue guerre
la polvere che gettano a confondere
il verdetto: noi non siamo salvi
noi non salviamo
se non con un coraggio obliquo
con un gesto
di minima luce.


2.

Não queria nomes para mortos desconhecidos
porém queria que existissem
queria que uma língua anônima
a minha-
falasse de muitas mortes anônimas.
O que chamamos de paz
tem apenas o breve alívio da trégua.
Se nome também é alcançar a si mesmos
nenhum desses mortos alcançou seu destino.

Existem somente lugares, os de uma ilha
de onde olhar o Continente
o oriente – suas guerras
a poeira que lançam confundindo
o veredito: nós não estamos a salvo
nós não salvamos
a não ser com uma coragem oblíqua
com um gesto
de mínima luz.

§

3.

Luglio, notte

Perché il male si scomponga come il criceto sepolto in una scatola
di scarpe nella terra dell’orto

Perché arrivi a me stanotte lo spavento destinato ad altri

La vedo, questa donna che per ore ha fissato il televisore
acceso e ora grida contro un altro corpo in penombra
immobile sulla poltrona senza colore.


3.

Julho, noite

Para que o mal se decomponha como o hamster sepultado numa caixa
de sapatos na terra da horta

Para que chegue até mim essa noite o susto destinado a outros

Vejo-a, essa mulher que durante horas fixou a televisão
ligada e agora grita contra outro corpo na penumbra
imóvel na poltrona sem cor.

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