poesia, tradução

Edward Lear, por Cecilia Silva Furquim Marinho

Poemas nonsense para crianças (e adultos acriançados) em tempos de quarentena

Tradução de um poema autobiográfico e de sete exemplos de poesia e ilustração nonsense do viajante Edward Lear, feitos para serem cantados. Essas ‘canções’ estão presentes em dois dos quatro livros que o autor publicou em vida, e que depois foram agrupados num mesmo volume com a inserção do poema autobiográfico na apresentação[1]. Os três primeiros exemplos foram retirados de Nonsense songs and stories (1871), e os outros quatro de Laughable Lyrics. A Fourth Book of Nonsense Poems, Songs, Botany, Music, &c. (1886). Acompanham as duas únicas partituras preservadas de sua música e um link com a gravação de uma delas em português. O trabalho se fez a partir do paradigma tradutório de Haroldo de Campos e, em alguns exemplos, foi acompanhado da orientação do letrista Carlos Rennó no programa formativo de tradutores da Casa Guilherme de Almeida. Posteriormente esse trabalho pretende ser lançado em parceria com outros músicos, agregando novas melodias e gravações originais.

Edward Lear foi um poeta, desenhista e pintor inglês que viveu de 1812 a 1888. Ele começou a escrever, ilustrar e musicar versos para divertir filhos de amigos. Acabou publicando seus trabalhos e tornando-se muito famoso pelo estilo inovador e pela capacidade de multiplicar os admiradores de sua obra dentro do continente europeu e além mar. Foi ele quem cunhou o termo ‘nonsense’ ao nomear seus livros com esse adjetivo e é referência na produção e inspiração desse gênero cômico que trabalha com associações curiosas e com grande musicalidade e jogos de palavras.

Em tempos de quarentena, esse recorte de sua produção convida as crianças a conhecer um pouco desse escritor e dar sua opinião: esquisito ou encantador? A se identificar com o escape ousado de um quebra nozes e uma pinça de açúcar que não se conformavam com a chatice de uma existência confinada sobre a mesa de cozinha. Já que é preciso estar trancado, fujamos na ficção! A partilhar os cuidados de um casal de pardais que precisam se proteger dos perigos de uma gripe. A acompanhar a história de união e separação da família real dos pelicanos e do pequenino e cabeçudo Yonguy-Bonguy-Bo. A adivinhar quem é o soberano misterioso de um dos poemas. Quem será o Akondo de Suau?  Ele será parecido com algum desses soberanos que nos rodeiam aqui no Brasil, nos EUA ou outros países?  Por fim,  os pequenos são também convidados a testemunhar a sorte do Mango Bango que acolheu, em sua solitária morada, outros seres barulhentos. Divirtam-se!

Cecilia Furquim é professora, pesquisadora, poeta e tradutora de poesia. Pesquisa mulheres escritoras no doutorado em literatura brasileira na USP: Gilka Machado, Patrícia Galvão, Ruth Guimarães. Lançou um livro de arte para crianças contendo dois poemas musicados em parceria com Beto Furquim, um de sua autoria e outro traduzido de Edward Lear, chamado A coruja, o gato e os filhotes (Melhoramentos, 2014). Esse livro recebeu o selo ‘Altamente recomendável pela FNLIJ 2015. Alguns de seus poemas autorais foram publicados nas revistas Literatura e Fechadura, Ruído Manifesto, Gueto e na antologia: Um girassol nos seus cabelos – poemas para Marielle Franco (Quintal Edições: Belo Horizonte, 2018). O seu primeiro livro de poesia para adultos, Mulheres Salgadas (contendo poemas, uma canção e sumiês de Lúcia Hiratsuka) foi lançado em dezembro de 2019 pela Urutau.  

[1] LEAR, Edward. Nonsense Songs and Stories. Chancelor Press, 1984 (edição fac-simile)

* * *

Observação: para manter a diagramação espelhada e os desenhos de Lear, preferimos fazer o post na forma de um PDF, que pode ser consultado ou baixado.

escamandro

8 poemas de Edward Lear por Cecilia Silva Furquim Marinho

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