sessão vagalume

Sessão Vagalume|Andrea de Alberti, por Prisca Agustoni

Andrea de Alberti nasceu em Pavia em 1974. Trabalha num restaurante da cidade, onde realiza também recitais de poesia : a Osteria alle Carceri. Publicou Solo buone notizie (2007), Basta che io non ci sia (2010), Litalía (2011), Dall’interno della specie (2017) e La cospirazione dei tarli (2019).
Os poemas aqui traduzidos foram extraídos do livro Dall’interno della specie, Torino, Einaudi, 2017.

Prisca Agustoni

* * *

SOTTO IL REGNO DELLA FINZIONE

Sotto il regno della finzione i segnali
avevano un flusso ordinato dal talamo alla corteccia,
aurore celesti, azzurre virate in un cielo invernale,
pensieri, ricordi, ciò che distingue una specie,
ciò che ci ha consentito di sopravvivere per anni.
Sarebbero state le prove del tempo che avanza con niente.
Dentro a ogni uomo rimane un futuro da riciclare,
paesaggi intravisti a un passo dal nulla,
traguardi pensati la notte, scintille d’infinito,
il corpo sconnesso dell’animale.
Bisogna pensare all’evoluzione della specie
come a una ramificazione cerebrale
che lotta sottoterra per difendersi dal tempo.


SOB O REINO DA FICÇÃO

Sob o reino da ficção os sinais
tinham um fluxo ordenado do tálamo até a casca,
auroras celestes, viragens azuis num céu de inverno,
pensamentos, lembranças, o que diferencia uma espécie,
o que nos permitiu que sobrevivêssemos por anos.
Seriam as provas do tempo que avança com nada.
Dentro de cada homem há um futuro reciclável,
paisagens vislumbradas a um passo do nada,
metas pensadas de noite, faíscas do infinito,
o corpo desconectado do animal.
É preciso pensar na evolução da espécie
como numa ramificação cerebral
que luta sob a terra para se defender do tempo.

§

NON LASCIATE I FIGLI A CASA

Non lasciate i figli a casa a smussare l’ironia degli spigoli,
a relazionarsi con la tranquillità degli angoli,
a impossessarsi del buio,
a scegliere sul divano le pietre di paragone,
a fare la guardia alle frontiere del giardino,
a terrorizzare le facce dentro gli specchi dei bagni,
a lavarsi le mani per ogni giorno che passa,
non lasciate i figli a casa a ordinare i cassetti
dove sistemare i cattivi maestri,
a chiamarti papà quando sono stanchi,
a muoversi in equilibrio sopra un filo di vento,
quando le foglie si staccano
e pesano sulla loro immaginazione.
Non lasciate i figli a casa a capire da soli
il perché di questo cadere naturale,
senza una spiegazione.


NÃO DEIXEM OS FILHOS EM CASA

Não deixem os filhos em casa lixando a ironia das bordas,
relacionando-se com a quietude dos cantos,
apropriando-se do breu,
escolhendo no sofá as pedras de toque,
vigiando as fronteiras do jardim,
aterrorizando os rostos dentro dos espelhos dos banheiros,
lavando-se as mãos por cada dia que passa,
não deixem os filhos em casa ordenando gavetas
onde guardar maus professores,
chamando-te pai quando estão cansados,
movendo-se em equilíbrio sobre um fio de vento,
quando soltam-se as folhas
e pesam sobre sua imaginação.
Não deixem os filhos em casa descobrindo sozinhos
o porquê desse cair natural,
sem uma explicação.

§

TANA

La volontà di immaginare il pericolo
questa sconfinata quantità di persone
indirizzate a una tana.
Sarà stato come nel primo conflitto mondiale
un’illusione indiretta
un’organizzata sensazione di morire
che non può trovare esito in nessun cuore.


COVIL

A vontade de imaginar o perigo
essa infinita quantidade de pessoas
dirigidas rumo ao covil.
Terá sido como no primeiro conflito mundial
uma ilusão indireta
uma organizada sensação de morte
que não pode encontrar desfecho em coração nenhum.

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