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Sessão Vagalume|Maria Borio, por Prisca Agustoni & Francesca Cricelli

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Maria Borio nasceu em 1985, formou-se em Letras e é Doutora em Literatura italiana. Publicou as coletâneas Vite unite ( 2015), L’altro limite (2017) e Trasparenza (2018).Escreveu os livros de ensaios Satura. Da Montale alla lírica contemporanea (2013) e Poetiche e individui. La poesia italiana dal 1970 al 2000 (2018). É curadora da sessão de poesia da revista “Nuovi Argomenti”.

Seleção e tradução por Francesca Cricelli e Prisca Agustoni, extraídos da coletânea Trasparenza que, já em processo de produção, aporta em breve no Brasil.

* * *

Creature

I.

Nulla più fragile, nulla più facile:
il tempo si perde se credo che avremo tempo
per contare tutte le forme di felicità.

Sullo schermo seguo l’immagine dell’oceano: ci separa
È freddo, ad ogni virata degli uccelli
Il tuo corpo e il mio possono trasformarsi.

L’oceano stanotte ti ha toccato la pancia perché l’hai sognato,
una strana Europa mi ha accerezzato la schiena.

Premo la faccia, la figura della tua faccia
due emisferi.

II.

Creature, tracce del fuoco.
Sul muro segnavi le prime lettere.

Ti ho pensato una treccia nella fiamma
si apre viola, cade strato dopo strato.

Attraverseremo il tempo come le icone sopra il fondo
senza tempo del quadro: creature

che non si possono dire
che ti vincono.

Criaturas

I

Nada mais frágil, nada mais fácil:
o tempo se perde se creio termos tempo
para contar todas as formas de felicidade.

Na tela sigo a imagem do oceano: nos separa
faz frio, a cada revoada dos pássaros
teu corpo e o meu podem se transformar.

O oceano essa noite tocou-te o ventre porque o sonhaste,
uma estranha Europa roçou-me as costas.

Espremo o rosto, a figura do teu rosto
dois hemisférios.

II

Criaturas, vestígios de fogo.
No muro assinalavas as primeiras letras.

Pensei em ti uma trança na chama
abre-se violeta, cai camada sob camada.

Atravessaremos o tempo como ícones sobre o fundo
sem tempo do quadro: criaturas

que não podem se dizer
que te vencem.

 

§

Accoglienza

I.
Si raccontano, una faccia nell’altra.
C’è il pane fresco sul banco, asciutto,

il suono di cose toccate. Dispone
pezzi in fila – le mani sembrano terra,

le unghie sono tagliate fin dentro la carne.
Le storie scomposte in sagome

fanno corto circuito. Attraverso
il vetro appare reale solo la forma

delle magliette made in china.
Come dire posto per accoglienza?

Il cielo preme su tutti, scivolano fuori
dalle magliette i corpi.
II.
Parlare, sentire: entriamo, compriamo
due chili di pane – parlare, sentire

le mani calde, gli occhi geologici. Sembra
di attraversarsi, noi nella mattina soli

dal banco al vetro alla strada…
Le aste traslucide attraverso i vetri

sono rami – e il vento
le apre, li chiude.
III.
Il nome inizia con la a e finisce con la h
suona una cosa calda, di lievito

ed è vero – la distanza esiste meno
di prodotti che di etnia. La cosa esplode.

Il vento comprime tutti,
finisce con la h, come si soffia.

IV.
Sembriamo serpenti, curve, lingue mescolate.
Passiamo attraverso un posto immaginario.

È una sfida, come il ragazzo della favola
nascondeva la volpe tra ascella e fianco.

Il cielo preme su tutti, le solitudini esplodono.
Il posto intorno è vero – i serpenti solo suono.

 

Acolhimento

I

Contam-se, um rosto no outro.
Tem pão fresco no balcão, seco,

o som das coisas tocadas. Dispõe
pedaços enfileirados – as mãos como terra,

as unhas cortadas rente à carne.
As histórias decompostas em contornos

dão curto-circuito. Pelo
vidro só parecem reais as formas

das camisetas made in china.
Como dizer local de acolhimento?

O céu pesa sobre todos, escorregam
das camisetas os corpos.

II

Falar, ouvir: entramos, compramos
dois quilos de pão – falar, sentir

as mãos quentes, os olhos geológicos. Parece
um atravessamento, nós pela manhã sozinhos

do balcão ao vidro à rua…
As hastes translúcidas pelo vidro

são galhos – e o vento
as abre, os fecha.

III

O nome começa com a e termina com h
soa feito coisa quente, de fermento

e é verdade – a distância existe menos
entre produtos do que etnia. A coisa explode.

O vento comprime todos,
termina-se com h, como um sopro.

IV

Parecemos cobras, curvas, línguas misturadas.
Passamos por um lugar imaginário.

É um desafio, como o garoto da fábula
escondia a raposa entre a axila e o flanco.

O céu pesa sobre todos, as solidões explodem.
O lugar ao redor é real – as cobras só o som.

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