Ode ao Edifício Ricardo – adriano scandolara

a Roger Alberto Meluso, R.I.P.

Eu, somente, no prédio todo
não ouvi os estertores:
ia ao banco, quando
quase
tropeço no
cadáver.

Correndo desesperado o pobre diabo desceu os degraus
delirante perdendo
a calça a perna falsa toda
dignidade

o caco que restou na calçada deitou, a Deus
clamou que não morresse
e como chama em cachimbo de crack nos becos da noite

apagou.

E eu
quase tropeço no cadáver.

Adriano Scandolara

Notas de Margem

…e eis-nos oficialmente às margens da encarnação virtual do escamandro.

(Sentimos necessidade de deixar isto dito antes de, sem mais nem menos, jorrarmos versos e mais versos, próprios e traduzidos, sobre o leitor desavisado, que confunde rio com piscina de quintal.)

O que mais você precisa saber está convenientemente ao lado.

(Mas o que realmente interessa é o que não se precisa saber.)

E temos dito.

(Mas o que realmente interessa é o (ainda) não dito.)