em que água – guilherme gontijo flores

EM QUE ÁGUA – na da samaritana            na fonte             das musas na plenitude sem carisma da ciência             no dom talvez inútil             de pensar             a esmo? – concentrar o solo da boca em que água          sanar ainda que insanável a simples sede do … Continuar lendo em que água – guilherme gontijo flores

catulices (caio valério catulo)

caio valério catulo (ca. 84-54 a.c.) é um dos poetas mais interessantes que a antiguidade produziu. não sabemos quase nada da sua vida, fora o fato de que sua família era de verona, e que o poeta veio posteriormente morar em roma. da sua obra, temos uma coletânea intitulada liber catulli (livro de catulo), que nos chegou com uma série de problemas textuais e com um … Continuar lendo catulices (caio valério catulo)

aos deuses dos mortos – guilherme gontijo flores

AOS DEUSES DOS MORTOS élia lélia críspide nem homem nem mulher nem andrógina nem moça nem rapaz nem velha nem pura nem puta nem pudica mas tudo  morreu nem de ferro nem de fome nem de veneno nem de fogo nem de peste mas de tudo nem no céu nem na terra nem na água mas em toda parte jaz lúcio agatão prisco nem marido … Continuar lendo aos deuses dos mortos – guilherme gontijo flores

giuseppe ungaretti

pra mim, a coisa é simples: o poeta egipto-italiano giuseppe ungaretti (1888-1970) não é um gênio (nós temos gênios demais à solta, ou, relembrando uma passagem do homem sem qualidade de musil, estamos num tempo em que até cavalos são geniais…), não, ungaretti não é um gênio; ele é um mestre; pra mim, ele é uma entidade da poesia. Digo isso porque sua poesia não … Continuar lendo giuseppe ungaretti

Algumas imagens do amor na lírica italiana anterior a Dante

O doce stil nuovo é claramente debitário da lírica trovadoresca que floresceu em Provença a partir do século XII: nomes como Bertrand de Born, Arnaut Daniel, Bernart de Ventadorn, Giraut de Bornelh e Sordello, dentre outros, são citados por Dante Alighieri em algumas de suas obras. Algumas características fundamentais desse grupo migrariam para a Itália a partir do começo do século XIII, e aqui cito … Continuar lendo Algumas imagens do amor na lírica italiana anterior a Dante

Leonardo MAthias

chegou a hora do blog desegotizar, para além das traduções que andamos fazendo. o primeiro trabalho que temos aqui é de leonardo MAthias, poeta e artista plástico de sampa; ele mesmo diz que “poesia, artes visuais e design são lugares nos quais também habita. oscila. via linguagem se exercita.” e eu diria/acrescentaria ainda que ele se exercita via linguagens: ora como poeta (seu primeiro livro … Continuar lendo Leonardo MAthias

daguerreótipos de cão – guilherme gontijo flores

1 olhos de cão não nos dizem não revelam os olhos do seu dono perseguem no vazio a menor parcela pela cota do carinho impossível 2 leque mais fino que o da mais refinada madame nada refresca nada abana           de vento sob o sol corisca sob os olhos do seu dono que nesse leque inventa um novo esboço (assim enxerga) … Continuar lendo daguerreótipos de cão – guilherme gontijo flores

old ezra for schoolboys

aviso: este post vai ser longo. não vou falar demais de pound, porque todo mundo sabe – & quem não sabe, vire-se. só uma nota sobre as traduções. eu conheço duas: uma parcial dos irmãos campos com o décio pignatari (doravante, o trio). a tradução é apenas daquela parte mais famosa, que encerra o canto (“what thou lov’st well remains, &c.“), é uma bela duma … Continuar lendo old ezra for schoolboys

brasa enganosa – guilherme gontijo flores

BRASA ENGANOSA        debaixo das cinzas              saudade quase chama corpo              ausente rosa encarnada estalando         na carne do éter como se cada outrora de repente merecesse ser novamente             exatamente                           agora   guilherme gontijo flores Continuar lendo brasa enganosa – guilherme gontijo flores