traduzir e retraduzir (n)o escamandro

o capítulo primeiro de tradução, reescrita e manipulação da fama literária, de andré lefevere, inicia-se com o seguinte parágrafo: Este livro lida com os intermediários, homens e mulheres que não escrevem literatura, mas a reescrevem. Isso é importante porque eles são, no presente, co-responsáveis, em igual ou maior proporção que os escritores, pela recepção geral e pela sobrevivência de obras literárias entre leitores não-profissionais, que … Continuar lendo traduzir e retraduzir (n)o escamandro

henri cazalis: danse macabre

uma das obras musicais que mais me surtiram efeito durante minha fase de formação musical foi danse macabre, de camille saint-saëns (1835-1921, retratado ao lado). por um longo tempo eu acreditei que ela havia sido composta por franz liszt, mas a confusão se explica pelo fato de liszt tê-la arranjado para o piano pouco tempo depois de sua estréia, além de os dois serem amigos … Continuar lendo henri cazalis: danse macabre

redescobrindo álvaro de campos – vinicius ferreira barth

álvaro de campos, poeta nascido em tavira e em lisboa em outubro de 1890, é famoso pelos seus clamores vanguardistas, futuristas e pessimistas, entre outros notáveis istas que poderíamos listar deliciosamente. no nosso grupo escamandrista, exerceu influência notável sobre adriano scandolara. alguns críticos chegam a julgar que a poesia de scandolara, sob a luz de campos, é atingida mais pela ‘angústia’ que pela ‘influência’. há, … Continuar lendo redescobrindo álvaro de campos – vinicius ferreira barth

natureza – vinicius ferreira barth

  pior a buzina em contemplação       procurando seu silêncio                     pior o alarme introvertido                          que cora quando urgentepior um cadeado virgem       que do penetrar se esquiva                          pior                                   monóculo em olho de bóreas                                   um lápis que tem nojo do seu rastro                                       ou a corrente de elos desunidospior a espada com mania de limpeza       o escudo sem nenhuma cicatriz       a vassoura com rinite              a pá maneta                          pior                                   e … Continuar lendo natureza – vinicius ferreira barth

alejandra pizarnik: la tierra más ajena (1955), pt. 2

caros, segue abaixo a segunda e última parte de la tierra más ajena de alejandra pizarnik.veja aqui o primeiro post. vinicius ferreira barth       … DO MEU DIÁRIO Olhava os carros em arranjosem suas vestimentas metálicasas partes dianteiras pareciamcaveiras recém libertadas.Um sol amarelo deixava cair indiferentepedaços luminosos de algo coloridomas as sombras persistiamainda nos retalhos do astro.Sentia-se cansada ante os nevoeirosque não se … Continuar lendo alejandra pizarnik: la tierra más ajena (1955), pt. 2

alejandra pizarnik: la tierra más ajena (1955), pt. 1

alejandra pizarnik nasceu em buenos aires em 1936, publicou seus primeiros poemas com vinte anos e licenciou-se em filosofia e letras pela universidad de buenos aires. no começo da década de 1960 viveu em paris, onde estudou história da religião e literatura francesa, na sorbonne, e tornou-se amiga de nomes como andré pieyre de mandiargues, octavio paz, julio cortázar e rosa chacel. foi tradutora de … Continuar lendo alejandra pizarnik: la tierra más ajena (1955), pt. 1

um corvo em seis bocas, mais uma

todo mundo sabe quem é  edgar allan poe. todo mundo sabe que é uma das figuras mais ‘pop’ do nosso tempo, pai de figuras como tim burton. todo mundo sabe o quanto o poema ‘the raven’ de edgar allan poe é famoso e lido e rereretraduzido. todo mundo sabe o quando ele é encenado e gravado e relido. todo mundo sabe, aliás, o quanto ele … Continuar lendo um corvo em seis bocas, mais uma

registro do pedido eneassilábico de um croissant de chocolate pela senhora gordinha ao atendente da cantina presenciado e transcrito pelo poeta que esperava na fila e ouvia sem pudores – vinicius ferreira barth

é dieta              rapaz                        é saúdecorpo são             (hahaha)                        mente sã me veja uma coquinha                        com geloe o chocolate             mas sem croissant Vinicius Ferreira Barth Continuar lendo registro do pedido eneassilábico de um croissant de chocolate pela senhora gordinha ao atendente da cantina presenciado e transcrito pelo poeta que esperava na fila e ouvia sem pudores – vinicius ferreira barth

invisibilidade – vinicius ferreira barth

caros,depois de quase um mês sem postar, dados os mais diversos e inimagináveis tipos de compromissos e ziguiziras, mando na lata uma série completa de poemas que muito me agradam e encantam.a série ‘invisibilidade’ trata das pessoas, ou das coisas, que estão aí, ao redor de todos nós, dizendo algo ou calando. dizem respeito a palavras (e pessoas) que ecoam despercebidas através dos tempos, aquelas … Continuar lendo invisibilidade – vinicius ferreira barth