mensagem fragmentária do poeta psicografada pelo outro poeta no exato momento de sua transmissão, ou simplesmente dó… – vinicius ferreira barth

caros, hoje inauguramos a geringonça conhecida por soundcloud, que nos proporcionará a leitura e gravação de alguns poemas. perdi um tempo aqui aprendendo a usar o troço e farei a honra de meter-lhes o negócio no ar. aproveitando ainda pra homenagear o grande pessoa, que me ditou pessoalmente esse poeminha lá do inf… céu. creio que em breve outros trabalhos dos nossos integrantes, que não são bestas nem nada, aparecerão por aqui via oral.
p.s.: inseri neste post a tag ‘audio’, que deverá acompanhar os demais posts sonoros, o que facilitará a localização pra quem sem interessar.

mensagem fragmentária do poeta psicografada pelo outro poeta no exato momento de sua transmissão, ou simplesmente

dó…

peguei no meu …
e pu-lo na minha mão

olhei-o como quem olha
grãos … … ou … …

olhei-o pávido e absorto
como quem sabe estar morto

… … só como…
… … … pouco … …

Vinicius Ferreira Barth

federico garcía lorca: libro de poemas (1921)

autorretrato de Lorca

Voltando com mais algumas traduções do mestre Lorca, hoje escolhi alguns poemas de seu primeiro livro, o Libro de Poemas, de 1921. Embora sejam de temática um pouco diversa do Romancero Gitano (leia aqui), sem fazer referências ao imaginário cigano de sua vila de criação, Lorca apresenta algumas peculiaridades recorrentes e bastante interessantes, como a animização de forças naturais (p.e.: o vento em Preciosa, assim como a lua e a morte em… A Lua e a Morte =D ) , a divisão entre os sentimentos do eu lírico que observa uma paisagem e reflete os sentimentos evocados dentro de si próprio, o repertório de descrições da natureza, etc.

A minha intenção inicial era de traduzir e publicar apenas um poema curto de cada vez, devido ao tempo apertado, mas não resisti porque o cara é foda demais. Realmente, creio que os tipos de sensações que ele evoca são únicas e cada leitor criará a sua própria identificação com o que é descrito. Portanto, leiam com carinho e atenção.

Por fim, segue a referência do livro que utilizei como original-base (não foi o citado no último post por motivos logísticos):
GARCÍA LORCA, Federico. Libro de poemas. Edición, introducción y notas de Mario Hernández. Madrid: Alianza Editorial, 1998.

o don perlimpim de García Lorca; peguei daqui http://www.filipamalva.net/2011/05/perlimpin-de-garcia-lorca.html


árvores (1919)
  árvores!
terão sido flechas
caídas do azul?
que terríveis guerreiros as lançaram?
terão sido as estrelas?

vossas músicas vêm da alma dos pássaros,
dos olhos de Deus,
da paixão perfeita.
árvores!
conhecerão vossas raízes toscas
meu coração em terra?

a lua e a morte (1919)
  a lua possui dentes de marfim.
que velha e triste assoma!
estão os canais secos,
os campos sem verdores
e as árvores sombrias
sem ninhos e sem folhas.
Dona Morte, enrugada,
passeia por salgueiros
com absurdo cortejo
de ilusões remotas.
vai revendendo cores
de cera e de tormenta
como fada de conto
malvada e ardilosa.

a lua, pois, comprou
pinturas para a Morte.
nesta noite tão turva
está a lua louca!

eu entretanto ponho
em meu peito sombrio
uma feira sem músicas
com as tendas de sombra.

ninho (1919)
  que é o que guardo nesses
momentos de tristeza?
ai!, quem poda meus bosques
dourados e floridos?
que leio no espelho
de prata comovida
que a aurora me oferece
sobre a água do rio?
que grande olmo de idéia
irrompeu por meu bosque?
que chuva de silêncio
me deixa estremecido?
se amor meu deixei morto
numa ribeira triste,
que arbustos me ocultam
algo recém nascido?

hora de estrelas (1920)
  o silêncio arredondado da noite
sobre o pentagrama
do infinito.

eu saio desnudo pela rua,
maduro de versos
perdidos.
o negro, esburacado
pelo canto do grilo,
tem esse fogo fátuo,
morto,
do ruído.
essa luz musical
que percebe
o espírito.

os esqueletos de mil mariposas
dormem em meu recinto.

há uma juventude de brisas loucas
sobre o rio.

pastor em praça pública – vinicius ferreira barth

com meus cachorros ando em meio aos bosques
           e vejo pedras e rios e flores
                          contente
porque sei serem apenas pedras e rios e flores
e sei serem os meus cachorros apenas cachorros
  que pensam com olhos e patas e orelhas e estômago
                    e que cagam por tudo
– pobres das flores nos canteiros dos jardins regulares –

e a multa que levarei
  se ali deixar os cocôs
              é apenas multa e por isso chamamos
                                                                   multa

e os cocôs
        que são apenas cocôs
                             recolho contente
um poeta diria
                      que merda!
mas não sou poeta
          e porque veríamos uma coisa se houvesse outra?
                  ide, ide de mim!

assim é a ação humana pelo mundo afora
          – catando cocôs e não pensando em nada –
e a estrada não ficou mais bela
                                                 nem sequer mais feia
com a passagem do animal, que fica lembrada no chão

Vinicius Ferreira Barth

a originalidade – vinicius ferreira barth

sair matando não é novo
e nem anjinhos naked
       o olimpo
não é novo eu nunca disse
                   que era o novo
não é avant-garde e nem penico
o novo não é

e o corpo as letras o sadismo
não são novos
nem moderno ou marte com beatriz
                    num chevette é novo
jesus em hd
             e pixels cimentados em muralhas estrangeiras
                         no máximo é de novo

e o que querem de mim não é mais novo
que uma pequena lâmpada acendendo
na cabeça de Deus pai

*ando tendo uns problemas com a diagramação dos poemas no blog, seja publicando diretamente pelo WordPress, seja utilizando o Windows Live Writer. De qualquer modo, a leitura não fica prejudicada, e fica próxima do que eu propus originalmente.
Vinicius Ferreira Barth

canção polar dos eremitas dos confins das terras geladas transcrita pelo poeta no exato momento de sua execução em meio à tempestade de neve – vinicius ferreira barth

Nhóóóóóóóóóóóóóin
Nhóóóóóóóóóóóóóin
Nh(friopracaralho*)in
Nhóóóóóóóóóóóóóin
Nhóóóóóóóóóóóóóin

*traduzido do scholovsky.

Vinicius Ferreira Barth

federico garcía lorca: preciosa e o ar (1928)

Federico García Lorca (1898-1936), o principal nome da chamada ‘geração de 27’ é, talvez por unanimidade, o maior poeta de língua espanhola do século XX. Nascido em Granada, na Espanha, possui uma vasta produção poética e teatral. Entre estas, destacam-se, por exemplo, Bodas de Sangue e a Casa de Bernarda Alba. Sobre a poesia, nota-se já nas primeiras leituras a peculiaridade com que Lorca trata seus temas em relação ao contexto literário europeu, distanciando-se da mentalidade vanguardista dominante na Europa e procurando um equilíbrio entre a inovação formal e a sensibilidade humana. Podemos ver, sob esse aspecto, um elemento marcante da poética de toda essa ‘geração de 27’, que elege o sentimento em vez do intelectualismo. Qualquer leitura de um poema de Lorca parece deixar isso muito explícito. Outros nomes da ‘geração de 27’ seriam, então: Jorge Guillén, Pedro Salinas, Rafael Alberti, Dámaso Alonso, Gerardo Diego, Luis Cernuda, Vicente Aleixandre, Manuel Altolaguirre e Emilio Prados.

Feita essa brevíssima apresentação, eu, que ainda muito recentemente adentrei a poesia de Lorca (e espero voltar ao blog tratando mais a fundo do seu trabalho), trago essa tradução de Preciosa y el aire, presente no livro intitulado Romancero Gitano, de 1928. Esse poema traz um dos elementos mais interessantes da poesia de García Lorca, que é a retomada de temáticas populares e cancioneiros do século XV, revigoradas em uma poesia novecentista de ares bastante ‘frescos’. O Romancero Gitano, especificamente, traz como motivo a figura do cigano e seu imaginário, que o autor reconstrói a partir da tradição da sua própria terra.

A edição base do texto espanhol que utilizei foi a contida na Obra Poética Completa de García Lorca, publicada em formato bilíngue pela Martins Fontes e com tradução de William Agel de Mello.

Vinicius Ferreira Barth

soloelmisterioIlustração de García Lorca presente na abertura do Romancero Gitano, como se apresenta nessa edição da Martins Fontes. Ela contém a seguinte inscrição: “Solo el misterio nos hace vivir. Solo el misterio / Só o mistério nos faz viver. Só o mistério”

Preciosa e o ar

Sua lua de pergaminho
Preciosa tocando vem
por um anfíbio sendeiro
de cristais e de louros leves.
O silêncio sem estrelas,
fugindo do sonsonete,
cai onde o mar bate e canta
sua noite cheia de peixes.
Nos altos picos da serra
carabineiros dormecem
vigiando as brancas torres
onde vivem os ingleses.
E a ciganagem da água
levanta co’ algum prazer,
carrosséis de caracóis
e ramos de pinho verde.

*

Sua lua de pergaminho
Preciosa tocando vem.
Ao vê-la se põe erguido
o vento que não dormece.
São Cristóvão desnudado,
cheio de línguas celestes,
olha a menina tocando
uma doce gaita ausente.

Moça, deixa que levante
teu vestido para ver-te.
Abre em meus dedos arcaicos
a rosa azul de teu ventre.

Preciosa atira o pandeiro
e corre sem se deter.
O vento-machão persegue
com espada incandescente.

Franze seu rumor o mar.
Olivas empalidecem.
Cantam as flautas de sombra
e o liso gongo da neve.

Preciosa, corre, Preciosa,
que te agarra o vento verde!
Preciosa, corre, Preciosa!
Olha por onde ele vem!
Sátiro de estrelas baixas
com suas línguas reluzentes.

*

Preciosa, cheia de medo,
entra na casa existente,
mais acima dos pinheiros,
consulado dos ingleses.

Assustados pelos gritos
três carabineiros vêm,
suas negras capas cingidas
e gorros em suas frentes.

O inglês dá à cigana
um copo de um morno leite,
e uma taça de genebra
que Preciosa, então, não bebe.

E enquanto conta, chorando,
a aventura àquela gente,
nas telhas de ardósia o vento,
furioso, mete-lhe os dentes.

carioqueida – vinicius ferreira barth

Carioqueida foi um poema escrito por inspiração simultânea de duas fontes: a Eneida de Virgílio e o malandrismo carioquês, infundido pelo Bernardo e bastante corrente em nosso grupo como filosofia composicional. Talvez uma releitura de colarinho da épica, uma Dido de mini-saia, um Enéias de bronze, de chopp e de malícia.
É meu costume homenagear os colegas com meus trabalhos, utilizando mecanismos, estilos e pensamentos em modo de emulação, fazendo uma mistura da minha própria dicção com a dicção dos outros. A imitação/emulação é uma das minhas técnicas preferidas. Nesse caso, o poema foi dedicado exatamente ao Bernardo Brandão.

malandro

malandro que é malandro
                perde a mulher na esquina
                acha outra
                                 e chama de princesa

mas quando o bicho pega
                 cai fora          (per            sua            dido?)
                          dizendo que Deus mandou

malandro, maluco
                era o Enéias:
                          comia (escon)dido na gruta
                          não sabia velejar
                          caía na praia
                          e ainda tirava uma onda


Vinicius Ferreira Barth

konstantínos petrou kavafis: os sábios

O grego Kavafis (1863-1933) é ainda leitura recente para mim. É, no entanto, impossível não se encantar com o trato que ele dá a temas filosóficos (até agora meus preferidos, em que se encaixa o poema aqui traduzido), além dos chamados temas “históricos” e “sensuais”. É considerado o poeta mais importante da tradição grega moderna, tendo nos deixado 154 poemas de altíssima qualidade.

Suas traduções para o inglês são abundantes. Para a tradução abaixo utilizei bastante a versão bilíngue da Oxford World Classics, que tem uma edição dedicada inteiramente ao Kavafis, traduzido por Evangelos Sachperoglou com bastante competência [1]. Me ajudou nas horas em que meu grego moderno cambaleou. Mas apesar disso, mesmo no grego não é um texto de difícil compreensão.

Tenho que confessar também que na minha própria produção o Kavafis tem me mostrado caminhos de uma poesia mais contemplativa e espiritual, o que me aproxima um pouco da produção do nosso escamândrico Bernardo e da poesia mística. Pode ser uma fase bastante distinta que me causa expectativa, e que mais cedo ou mais tarde aparecerá também por aqui.

Por fim, de acordo com a já citada edição da Oxford, o poema intitulado em grego Σοφοι δε προσιόντων pertence à fase de produção contida entre os anos de 1905-1915 do autor.

[1] CAVAFY, C. P. The Collected Poems, translated by Evangelos Sachperoglou, edited by Anthony Hirst and with an introduction by Peter Mackridge (Oxford: Oxford University Press, 2007)

 

os sábios

                                  pois os deuses compreendem coisas futuras,
                                                             homens coisas presentes e
                                                              sábios coisas ainda por vir.
                                    Filóstrato, Vida de Apolônio de Tiana, viii, 7

homens atentam-se a coisas presentes

atentam-se ao porvir os deuses
tão só senhores de todo saber

do porvir os sábios apreendem
                               o iminente

               seu ouvir
por vezes
            quando em fundo contemplar
é incomodado

o som secreto
de eventos do porvir os alcança
e eles se atentam
                         reverentes

enquanto na rua
                       fora
                         nada escutam os povos

 

Vinicius Ferreira Barth

soneto à intimidade sublimada – vinicius ferreira barth

a don rigoberto

quão longas horas nestes peitos, neste ninho,
despindo e redespindo minha amada!
cada gemido, quão valioso, cada
mamilo de amor róseo, safadinho.

ó vênus! me acelera! embaixo ou de ladinho,
me esgota! diz meu nome, grita, brada!

(nesse momento ela solta um peidinho)

lord byron: prometheus (1816)

LordByronGeorge Gordon Byron (1788-1824) é um dos mais destacados poetas britânicos do romantismo – talvez o mais – assim como um dos símbolos maiores da poesia romântica. Junto com Shelley, incorpora vastamente em sua obra os sentimentos de rebeldia, melancolia e deslocamento da figura do artista com relação ao convívio social. Não é por acaso que o titã Prometeu – e Jesus Cristo também – torna-se para essa geração um tipo de símbolo de conduta rebelde. No Brasil oitocentista, foi muito grande a influência dessas obras na poética de Joaquim de Sousândrade, como podemos ver no épico O Guesa. Nesta obra, Sousândrade dialoga muito de perto com o Childe Harold’s Pilgrimage, de Byron, além de incorporar no Guesa valores claramente atribuídos também a Jesus Cristo e a Prometeu, citados em diversas passagens. Entre outros poetas influenciados por Byron, poderíamos lembrar também de Álvares de Azevedo e Bernardo Guimarães.

Sobre as traduções de Byron no Brasil, creio que o cenário não seja tão favorável assim. Fala-se muito mais do autor do que se lê dele de fato. Atualmente, por exemplo, há apenas dois livros de traduções de poemas disponíveis em grandes lojas online, sendo um deles uma coletânea reunida e traduzida por Péricles Eugênio da Silva Ramos, além da já mencionada – aqui, no post do Adriano sobre Shelley – tradução de Augusto de Campos. Além disso, pela web é possível encontrar algumas traduções realizadas por Castro Alves, embora sua circulação já possa ser considerada bastante restrita. Até agora não tive acesso a esses traduções, então não posso julgá-las com cuidado. Comentários sobre elas serão bem-vindos.

E sobre a minha tradução, finalmente, explicito que o meu esforço foi o de me manter bastante enraizado no que o texto original nos traz. Minha preocupação foi principalmente a de manter uma ordenação rímica coerente com o texto base – coisa pela qual não se pode passar por cima em uma tradução desse tipo, a meu ver – além de adaptar o metro a uma melhor fluência em língua portuguesa. Por isso, como provavelmente eu perderia muita coisa com apenas oito sílabas métricas – a desgraça da tradução do inglês –, utilizei o decassílabo. Aliás, não conheço nenhuma outra tradução do Prometheus para o português. Procurei bastante para fins de comparação, mas nada.

Para quem quiser conferir o texto no original em inglês, pode ler aqui.
E para quem quiser dar uma conferida no que anda fazendo o Byron hoje em dia, clique aqui.
(trata-se de um episódio da série de TV Highlander chamado Modern Prometheus, onde Byron está vivo até hoje na pele de um rockstar com cara de zémané)

prometheus 
Prometeu (1816)

Titã! a cujos olhos imortais
          os sofrimentos da mortalidade
          vistos em crua e triste realidade
não eram coisas para um deus banais;
qual foi a recompensa da clemência?
um silente sofrer, de força intensa;
a rocha, o abutre, os elos da corrente,
tudo o que um ser de orgulho na dor sente,
de agonia não mostram um semblante,
do senso de infortúnio, sufocante,
          que surge apenas junto à solidão,
e é invejoso, p’ra não ter o céu
ouvidos, nem sairá suspiro seu
          até que a sua voz ressoe em vão.

Titã! foi dado a ti combate intenso
          em meio ao sofrimento e ao querer,
          tortura o que não pode perecer;
o inexorável Paraíso, imenso,
e o Fado em sua surda tirania,
que sobre o Ódio exerce primazia,
que criou em regozijo e alegria
as coisas tantas que aniquilaria,
recusou-te até a morte, uma piedade:
o dote desditoso – Eternidade –
foi teu – e bem pudeste suportar.
O que de ti torceu o Trovejante
foi a ameaça alçada que volveu
nele os tormentos do suplício teu;
o destino tão bem viste adiante,
mas contar não faria ele abrandar;
e em teu Silêncio estava sua Sentença,
e em sua Alma uma oca penitência,
e o assombro tão mal ele escondia,
que em sua mão o raio até tremia.

Teu Divo crime ousou ser complacente,
          ousou diminuir com teus preceitos
          a miséria de humanos imperfeitos,
e o Homem fortalecer co’a própria mente;
mas como foste do alto deslocado,
contido em energia resignado,
em dura resistência, e na repulsa
          do espírito que nada dá a entrever,
que Céu nem Terra abalam, nem convulsam,
          feroz lição podemos apreender:
és símbolo, és sinal, és estandarte
          para os Mortais de sua força e fado;
é como ti o Humano, divo em parte,
          de uma nascente o fluxo indo intrincado;
o Homem em partes pode antes ter tino
de seu fado, do fúnebre destino;
da sua própria miséria e resistência,
e a sua entristecida, órfã existência:
a que o Espírito se possa opor
e igual a tudo o que lhe é amargor,
          e firme arbítrio, vasta consciência,
que pode discernir ‘té em dor notória
          sua própria ajuntada recompensa,
Triunfante onde ousa rebelar-se em glória,
tornando a Morte um signo da Vitória.

(trad. Vinicius Ferreira Barth)