XANTO | Osman Lins & Imagens de circunstâncias pelas lentes do romancista, por Cristiano Moreira

Um dia escrevi um poema. É a primeira vez que falo nisso: chamava-se ‘Beduíno regenerado pela Lua’. Que significava esse tema estranho? Como se eu já soubesse que a poesia salva o homem. Fui censurado pela minha família, porque os meus versos não tinham rima nem métrica. Eu estava com oito anos e aquele foi o meu primeiro contato com o academismo.(LINS, Osman. Evangelho na … Continuar lendo XANTO | Osman Lins & Imagens de circunstâncias pelas lentes do romancista, por Cristiano Moreira

Abecedário #2

Para ler a primeira parte deste abecedário, clique aqui. * * * HISTÓRIA, por Dirceu Villa a história é um pesadelo de que estou tentando acordar, diz stephen dedalus numa conversa com seu avaro empregador [defensor do reino unido sobre a irlanda], que lhe paga pouco e lhe dá uma lição, diga-se, gratuita sobre economizar. no princípio, história [histor: o sábio que conta] era narrar … Continuar lendo Abecedário #2

Maria do Carmo/Carminha Ferreira (1938—)

  Todos sabemos, e já venho ficando rouco de falar (ou tendo LER de tanto escrever) esta paráfrase de Roman Jakobson sobre a Rússia: este país esbanja os seus poetas; porém, à diferença da URSS de então, o Brasil por vezes os deixa morrer à míngua, por vezes nem percebe sua existência; no mais das vezes até os deixa trabalhar aos trancos e barrancos, mas … Continuar lendo Maria do Carmo/Carminha Ferreira (1938—)

Abecedário #1

Ano passado, propus um projeto que consistia num conjunto de ensaios poéticos na forma de um abecedário. A cada uma das letras do alfabeto, uma palavra. A cada palavra, um(a) poeta, crítico(a). A ideia era emular o famoso abecedário proposto ao Deleuze. Infelizmente, o projeto não pode ser levado a cabo na sua forma inicial, em livro. No entanto, remodelando às necessidades do momento, transfiro-o … Continuar lendo Abecedário #1

essa língua tão áspera: heriberto yépez, por nina rizzi

H? o ensinamentofundamentaldapoemaé queéumprocessoda gente se ligarque tá’contecendou’a coisa quetemporariamentechamamospoema. Mas não é uma poema.É u’a coisa supina, tremenda,istorica. H? A poema é registrada na página.Mas aconteceu noutro canto. ¿H? La enseñanzafundamentaldel
poemaes que
es
un
proceso
de darnos cuentaque está sucediendoalgo quellamamospoema. Pero no es un poema.
Es algo superior, tremendo,istórico. ¿H? El poema se registra en la página.Pero sucedió en otra parte. * Heriberto Yépez (Tijuana, 1974), é tradutor … Continuar lendo essa língua tão áspera: heriberto yépez, por nina rizzi

“(…) que a vida e o amor perdurassem em Grenfell”, 7 poemas de Roger Robinson

Há quase um ano atrás, eu & Prisca Agustoni publicamos 3 poemas de Roger Robinson aqui mesmo na escamandro. Os textos fazem parte de seu aclamado, e multipremiado, A Portable Paradise. Como havia começado uma série de poemas com poetas antilhanos, a mim me pareceu interessante retomar RR por conta de suas relações com Trinidad, terra de seus pais e onde passou parte da vida. … Continuar lendo “(…) que a vida e o amor perdurassem em Grenfell”, 7 poemas de Roger Robinson

Concretas como frutos nítidas como pássaros (II): Regina Guimarães, Margarida Vale de Gato, Maria Brás Ferreira

“Concretos como frutos nítidos como pássaros” é uma série dedicada à divulgação da poesia portuguesa contemporânea no Brasil. Leia os posts anteriores da série. Parte I: “Explicação, Miguel-Manso” [fevereiro 2021]. REGINA GUIMARÃES (PORTO, 1957) Correio do Porto: — Como se situa no panorama da poesia portuguesa contemporânea? (A cena literária, mas também, muitas vezes, as cenas literárias…) Regina Guimarães: — Não me situo. Correio do … Continuar lendo Concretas como frutos nítidas como pássaros (II): Regina Guimarães, Margarida Vale de Gato, Maria Brás Ferreira

Um centro anda na margem: Alberto da Costa e Silva (1931—)

Este é um ano de números redondos para a poesia brasileira: até o momento, já fizeram 90 anos Augusto de Campos (1931—) e 80 Leonardo Fróes (1941—), ambos poetas de fevereiro, com um percurso e uma recepção muito diversos, porém hoje fundamentais para os leitores atentos de poesia contemporânea, mesmo que ambos continuem sem uma obra reunida em catálogo contínuo. Logo chega o momento em … Continuar lendo Um centro anda na margem: Alberto da Costa e Silva (1931—)

A entrega amorosa como resistência política dos afetos: Catulo exuzado em Bebedouro

Ainda que o gênero elegíaco exista pelo menos desde o século VII a.C. na Grécia arcaica e tenha se tornado popular graças a poetas como Sólon, Tirteu e Mimnermo, por exemplo, aquilo que veio a se desenvolver em Roma, durante o Período Augustano, estabeleceu-se como um modo muito particular desse gênero, chegando quase a ser considerado um gênero à parte devido à sua peculiaridade. A … Continuar lendo A entrega amorosa como resistência política dos afetos: Catulo exuzado em Bebedouro

essa língua tão áspera: Lioba Happel, por Valeska Brinkmann

bordão dos bordões estampado nos melhores trapos e na pior alta costura: “a tradutora é uma traidora” – mesmo que na nossa língua machista [e racista, homofóbica, etc.] lemos-ouvimos no masculino. fonte segura do século XVI, malinche em pessoa me apareceu em sonho pra dizer: quando trump separou as crias da mamis e quis botar um muro separando o mundo da sua coroa megalomaníaca, culparam … Continuar lendo essa língua tão áspera: Lioba Happel, por Valeska Brinkmann